Para o controle de pragas, normalmente, a atenção destina-se especialmente na escolha dos produtos utilizados. No entanto, tecnologia de aplicação, doses, horários e adjuvantes e óleo mineral podem comprometer ou ampliar a eficiência, interferindo diretamente no resultado da aplicação.

Os fatores citados utilizados de forma correta, geram maior segurança ao produtor. Além disso, garantem maior cobertura de gotas do inseticida no dossel da planta.

Neste trabalho, vamos estudar quais os parâmetros que podemos alterar ou adotar a fim de otimizarmos o potencial de controle dos inseticidas e reduzir os custos de controle.

Figura 1. Pulverização na soja.

  1. Velocidade de aplicação e doses

Em uma pesquisa de Camargo et al. (2020), verificou-se o nível de danos nas folhas de soja quando atacadas por falsa-medideira (Chrysodeixis includens) e Helicoverpa armigera com aplicação de Indoxacarbe sob duas diferentes velocidades (5 e 16 km/hora).

Como observado na tabela 1, as avaliações foram realizadas até 7 dias após infestação (DAI) de Helicoverpa armigera. A velocidade de aplicação de 5 km/h resultou em melhor cobertura das plantas tanto no dossel superior quanto mediano. A dose não interferiu no controle, pois o que determinou foi a velocidade de aplicação.

O terço inferior foi drasticamente comprometido com aplicações em alta velocidade (16 km/h) e velocidades reduzidas (5km/h).

Tabela 1. Danos foliares (%) causados ​​por Helicoverpa armigera (Lepidoptera: Noctuidae) em diferentes terços das plantas de soja com diferentes taxas e velocidades de aplicação.

Adaptado: Camargo et al. (2020).

Para a falsa-medideira, também houve alterações pela velocidade de aplicação. Velocidades mais altas afetam diretamente o dossel inferior da planta, que é o mais comprometido pelas aplicações aéreas.



Como vimos na tabela 2, independente da dose utilizada (108/110 L/ha e 199/216 L/ha) a velocidade de aplicação alterou o controle das pragas.

Tabela 2. Danos foliares (%) causados ​​por falsa-medideira (Chrysodeixis includens) (Lepidoptera: Noctuidae) em diferentes terços das plantas de soja com diferentes taxas e velocidades de aplicação.

Adaptado: Camargo et al. (2020).

falando em desafios para a tecnologia de aplicação, o controle de falsa-medideira é mais difícil que o controle das demais lagartas pelo fato delas possuírem preferência de viver no dossel baixeiro da planta, onde há maior dificuldade em pulverizar os inseticidas.

Figura 2. Distribuição de falsa-medideira no dossel superior, mediano e inferior da planta.

Fonte: Zulin (2016).

2. Óleo mineral e pressão de trabalho (lbs.pol-2)

Weber et al. (2019), em seu trabalho intitulado “QUALIDADE DA APLICAÇÃO DE INSETICIDA NA CULTURA DA SOJA REALIZADA EM DIFERENTES CONDIÇÕES CLIMÁTICAS E OPERACIONAIS”, testou o uso de óleo mineral e diferentes pressões de trabalho (lbs.pol-2).

Conforme observado na tabela 3, o uso de óleo mineral resulta em elevação do número de gotas alcançadas na planta em horários mais desfavoráveis (14 horas). Além disso, o aumento da pressão promoveu maior uniformidade de distribuição de gotas no dossel.

Tabela 3. Número de gotas encontradas em função de diferentes horários e condições de aplicação de inseticida em soja.

Fonte: Weber et al. (2019).

3. Assistência de ar em barras de pulverização

De acordo com Prado et al. (2010), o uso da assistência de ar em barras de pulverização em velocidades maiores pode contribuir para reduzir os danos por perdas de deriva em condições de campo. Além disso, ocorre incremento da produtividade de trabalho com uso de velocidades maiores juntamente com a assistência de ar.

Quando observamos a tabela 4, em velocidades maiores (29 km/h) o uso da assistência de ar se torna imprescindível para o melhor manejo de lagartas.

Tabela 4. Influência de diferentes velocidades do fluxo de ar junto à barra de pulverização na aplicação do inseticida deltametrina no controle de lagartas grandes (>1,5 cm) e pequenas (≤1,5 cm). Botucatu (SP), 2008 (Prado et al., 2010).

(1) DAA= Dias após aplicação.
(2) Controle (%) calculado pela equação de Henderson & Tilton (1955).
Fonte: Prado et al. (2010).

No controle de percevejos, a assistência de ar não influenciou no controle desses sugadores em diferentes velocidades de pulverização, como mostra a Tabela 5.

Tabela 5. Mortalidade (%) de percevejos fitófagos, em resposta às velocidades da assistência de ar junto à barra de pulverização com o inseticida tiametoxam associado com lambda-cialotrina.

(1) DAA= Dias após aplicação.
(2) Controle (%) calculado pela equação de Henderson & Tilton (1955).
Fonte: Prado et al. (2010).

4. Horário de aplicação

Polato & Oliveira (2011), pesquisaram sobre os melhores horários de aplicações para o controle da lagarta-do-cartucho em milho.

Conforme observado na tabela 6, destacam-se os horários mais frescos do dia (0:00, 04:00 e 20:00 horas) para realizar o controle e obter as melhores eficiências.

Tabela 6. Número de lagartas vivas por cartucho de milho e eficiência de controle em função do horário de aplicação do inseticida após 24 e 48 horas após aplicação.

Adaptado: Polato & Oliveira (2011).

Tavares et al. (2017), relataram que taxas de aplicação menores como 100 L/ha, permitem maior deposição e não comprometem a eficiência quando comparamos com uma dose de 200 L/ha. Assim, é possível reduzir custos e manter o controle da lagarta-do-cartucho.

Veja também: Inseticidas biológicos no controle de Helicoverpa armígera em soja

Considerações finais

Além do produto utilizado para controle das pragas, outros fatores da tecnologia de aplicação podem oferecer segurança e eficiência no manejo de insetos.

Fatores como velocidade de aplicação, doses utilizadas, uso de óleo mineral, pressão de trabalho, assistência de ar em barras de pulverização e horários do dia afetam diretamente a qualidade da tecnologia.

O terço inferior das plantas são os mais comprometidos pelas pulverizações aéreas. Assim, adotar outras metodologias que potencializam o controle são ferramentas fundamentais para otimizar o manejo. Horários mais frescos do dia, uso de óleo mineral em condições ambientais desfavoráveis, aumento da pressão de trabalho e adoção da assistência de ar (principalmente para lagartas e em altas velocidades de pulverização), são fatores que quando adotados de forma correta, aumentam a eficiência de controle das pragas.

Referências

CAMARGO, LENIO CESAR MORAES DE et al. VELOCIDADE DE APLICAÇÃO DE INSETICIDA NO CONTROLE DE LEPIDÓPTEROS PRAGA NA SOJA. Revista Caatinga, v. 33, n. 1, p. 72-80, 2020.

PRADO, Evandro Pereira et al. Velocidade do fluxo de ar em barra de pulverização no controle químico de Anticarsia gemmatalis, Hübner e percevejos na cultura da soja. Bragantia, v. 69, n. 4, p. 995-1004, 2010.

POLATO, Sebastião Antonio; OLIVEIRA, Nádia Cristina. Eficiência do controle da lagarta-do-cartucho na cultura do milho em função de diferentes horários de aplicação de inseticida. Campo Digital, v. 6, n. 1, 2011.

TAVARES, RAFAEL MARCÃO et al. Tecnologia de aplicação de inseticidas no controle da lagarta-do-cartucho na cultura do milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v. 16, n. 1, p. 30-42, 2017.

WEBER, Nelson Cristiano et al. QUALIDADE DA APLICAÇÃO DE INSETICIDA NA CULTURA DA SOJA REALIZADA EM DIFERENTES CONDIÇÕES CLIMÁTICAS E OPERACIONAIS. ENERGIA NA AGRICULTURA, v. 34, n. 01, p. 124-133, 2019.

ZULIN, Daniel. Dinâmica populacional, distribuição espacial e temporal de Chrysodeixis includens (Walker) na cultura da soja. 2016.

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Redação: Equipe Mais Soja.

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