Assim como a matocompetição, a presença de pragas e doenças é indesejada na cultura da soja, pois podem causar perdas significativas na produtividade ou qualidade dos grãos. Pragas como lagartas são frequentemente encontradas nas lavouras de soja, variando entre espécies e hábito de consumo.

Dentre as principais lagartas que incidem sobra a cultura da soja podemos destacar a lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens); a lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis); a lagarta-das-vagens (Spodoptera eridania), entre outras. Algumas lagartas atacam folhas enquanto outras podem se alimentar de vagens, pecíolos ou até mesmo órgãos reprodutivos como folhes.

A elevada capacidade dessas pragas em causar injurias torna o monitoramento dessas pragas fundamental visando identificá-las e definir o momento ideal de controle sem que sejam observadas perdas significativas da produtividade e qualidade da cultura.

O controle químico, com o uso de inseticidas é o principal método empregado para controle de lagartas na cultura da soja. Entretanto, outra alternativa que pode ser utilizada no controle dessas pragas, proporcionando resultados com eficiência satisfatória é a utilização de inseticidas biológicos.



Entretanto, assim como para inseticidas químicos, Oliveira & Marques (2018), destacam que a tolerância das lagartas e esses inseticidas pode variar de acordo com a espécie e estádio de desenvolvimento da praga.

O uso de organismos como o Bacillus thuringiensis e o Baculovírus é uma das principais opções de inseticidas biológicos para o controle de lagartas na cultura da soja. Avaliando a eficiência de diferentes inseticidas químicos e biológicos registrados para a cultura da soja, no controle de Helicoverpa armígera, Kuss et al. (2016) observaram resultados satisfatórios com o uso de Bacillus thuringiensis e o Baculovírus no controle da lagarta.

Além dos inseticidas biológicos, os autores avaliaram os inseticidas químicos Clorantraniliprole; Flubendiamida; Metoxifenozida e Clorfenapir, aplicados sobre planta de soja em estádio V3. Folhas da soja tratada com os inseticidas foram destinadas ao consumo de lagartas de 3° e 4° instar.

Tabela 1. Mortalidade acumulada, biomassa e deformação de pupa em virtude da exposição de lagartas de Helicoverpa armigera do 2° e 4° instar a inseticidas biológicos e químicos, a partir de 24 horas da pulverização destes em plantas de soja, em Londrina, PR, safra 2013/2014.

(1)Mortalidade acumulada no 3° dia e no 8° dia após o início da exposição aos tratamentos e ao final da fase de larva e de pupa, calculada pela fórmula de Schneider‑Orelli (Püntener, 1981). (2)Massa de pupa avaliada entre as 24 e 48 horas iniciais da fase e deformação de pupa avaliada com notas de 0 a 3 (Rodrigues Filho, 1985), em que o valor máximo corresponde à ausência de deformação, e, para ambos os parâmetros, as médias seguidas de letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste de Kruskal‑Wallis, χ2(7; 0,05) a 5% de significância.
Adaptado: Kuss et al. (2016).

Tabela 2. Mortalidade acumulada, biomassa e deformação de pupa em virtude da exposição de lagartas de Helicoverpa armigera do 2° e 4° instar a inseticidas biológicos e químicos, a partir de 72 horas da pulverização destes em plantas de soja, em Londrina, PR, safra 2013/2014.

(1)Mortalidade acumulada no 3° dia e no 8° dia após o início da exposição aos tratamentos e ao final da fase de larva e de pupa, calculada pela fórmula de Schneider‑Orelli (Püntener, 1981). (2)Massa de pupa avaliada entre as 24 e 48 horas iniciais da fase e deformação de pupa avaliada com notas de 0 a 3 (Rodrigues Filho, 1985), em que o valor máximo corresponde à ausência de deformação, e, para ambos os parâmetros, as médias seguidas de letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste de Kruskal‑Wallis, χ2(7; 0,05) a 5% de significância.
Adaptado: Kuss et al. (2016).

Conforme observado no estudo realizado por Kuss et al. (2016), com relação ao uso de inseticidas biológicos para o controle de Helicoverpa armígera, no tratamento utilizando Bacillus thuringiensis, a mortalidade acumulada atingiu 60% com 3 dias de exposição das lagartas de 4° instar ao Bt. Já para o tratamento Baculovírus, foi observada mortalidade de 75% após 8 dias de exposição das lagartas (Kuss et al., 2016).

Embora esses inseticidas biológicos apresentem controle satisfatório e sejam alternativas promissoras no manejo de lagartas em soja, Kuss et al. (2016) destacam que eles apresentam ação mais lenta e que após 72 horas da aplicação dos produtos, ambos os inseticidas avaliados sejam químicos ou biológicos não apresentam eficiência satisfatória no controle da lagarta H. armígera.

Sendo assim, a utilização de inseticidas biológicos deve ser planejada, visando proporcionar tempo suficiente para a atuação dos produtos sem que maiores perdas de produtividade sejam ocasionadas na cultura da soja. Além disso, tecnologias como o uso de cultivares Bt também podem ser ferramentas fundamentais no manejo integrado de pragas na cultura da soja.

Confira o trabalho completo de Kuss et al. (2016) clicando aqui!

Veja também: Eficiência da soja Bt ConkestaTM no controle de Anticarsia gemmatalis (Lepidoptera: Erebidae), em condições de campo

Referências:

KUSS, C. C. et al. CONTROLE DE Helicoverpa armígera (Lepidoptera: Noctuidae) EM SOJA COM INSETICIDAS QUÍMICOS E BIOLÓGICOS. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.51, n.5, p.527-536, maio 2016. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-204X2016000500527&script=sci_abstract&tlng=pt>, acesso em: 14/10/2020.

OLIVEIRA, J.; MARQUES, R. EFEITO DO ESTÁDIO DE DESENVOLVIMENTO DE LAGARTAS SOBRE A EFICIÊNCIA DE CONTROLE DE INSETICIDAS QUÍMICOS E BIOLÓGICOS NA CULTURA DA SOJA. XXVI JJI Jornada de Jóvenes Investigadores AUGM, Mendoza, 2018.

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