O controle de sugadores é realizado geralmente mediante o controle químico. No entanto, como o percevejo-marrom (Euschistus heros) sobrevive na entressafra, os cuidados com esta praga devem ser redobrados.

Os manejos devem ser realizados de forma eficiente, pois as pragas atacam diretamente a produção do grão, reduzindo a qualidade e depreciando o produto.

Neste texto vamos estudar em que momento as aplicações de moléculas químicas apresentam melhor eficiência de controle e até que estágio a produtividade (kg/ha) não é reduzida pelo ataque de percevejos.

Figura 1. Ataque do percevejo-marrom (Euschistus heros)

Em uma pesquisa realizada por Laiber et al. (2019), intitulada “PRODUTIVIDADE DE SOJA ATACADA POR PENTATOMÍDEOS COM APLICAÇÕES DE INSETICIDA EM DIFERENTES ESTÁGIOS FENOLÓGICOS”, observou-se os rendimentos de grãos diante apenas uma aplicação em R1, R3 ou R5.

Resultados do trabalho com aplicações em R1, R3 ou R5:

R1: ocorre perdas pois há grande quantidade de grãos picados (acarretam em manchas);

R3: ocorre perdas por grande porcentagem de grãos picados e chochos, os quais são responsáveis pelas perdas de produtividade (os grãos não apresentam massa interna). O grão se apresenta leve, reduzindo a produtividade total.

A maior redução da produtividade é vista com controle em R3, como mostra a Tabela 1.

Tabela 1. Grãos picados, chochos e redução da produtividade (%) em diferentes momentos de controle (R1, R3 e R5).

Fonte: Laiber et al. (2019)

R5: momento definitivo para concretização da produtividade. Laiber et al. (2019), definiram o estágio R5 (início do enchimento de grãos), como o melhor momento para interferência com controle químico.

Como visualizamos na Figura 2, quando o controle é realizado em R5, a população de pragas reduz justamente no momento que pode causar os danos mais severos (início do enchimento dos grãos). Neste estágio, não pode haver percevejos acima do nível de dano econômico.

Veja também: Eficiência de inseticidas no controle do percevejo-marrom

Figura 2. Flutuação de percevejos nos estágios fenológicos da soja.

Fonte: Laiber et al. (2019)

Importante notarmos que o nível de controle estava estabilizado anteriormente à aplicação em R5 (até 2 percevejos/m, como é indicado na fase reprodutiva), por isso o manejo foi eficiente. Em populações maiores, ocorre maior dificuldade de controle.

De acordo com a FUNDAÇÃO MS, o primeiro controle em R1 (início do florescimento) acarreta em quebra do ciclo da praga. Posteriormente, em R5 (início do enchimento de grãos), realiza-se outra aplicação.



Na Figura 3, apenas 2 aplicações (em R1 e em R5), mantém a praga próxima do nível de controle, sem causar danos econômicos.

Figura 3. Flutuação populacional do percevejo-marrom.

Fonte: Grigolli (2016)

Fernandes & Ávila (2017), relataram que quanto maior a quantidade de percevejos em estágios R4 e R5, maiores são as reduções da produtividade, como visualizamos na Figura 4.

A produção pode reduzir até 2.000 kg/ha com a presença de 10 percevejos no estágio de enchimento de grãos (R5).

Figura 4. Produtividade (kg/ha) em relação à infestação de percevejos em diferentes estágios fenológicos da soja.

Fernandes & Ávila (2017)

Ecco (2018), verificou a relação do momento de controle dos percevejos e a produtividade. Quando houve o controle no cedo (até mesmo antes da fase reprodutiva da soja), as produtividades foram maiores, independente do produto utilizado.

Quanto mais tardio se realiza o controle, maior a tendência da população aumentar e causar redução da produtividade.

Tabela 2. Produtividade da soja (kg/ha) com controle em diversos estágios.

Fonte: Ecco (2018)

Mesmo sendo mais seguro realizar duas aplicações, o dossel inferior da planta permanece comprometido com as gotículas da pulverização. Daniel (2019), relatou que o dossel inferior da planta é menos atingido pela aplicação de defensivos.

Tabela 3. Volume de calda de pulverização em dois estádios de aplicação, em três estratos do dossel das plantas de soja.

Fonte: Daniel (2019)

Para não errarmos na aplicação química que apresenta grande custo com defensivos, devemos pensar no momento da aplicação. Os percevejos possuem o hábito de se direcionarem para o dossel superior da planta de soja no início da manhã. O controle pode ser realizado no início da manhã, quando eles sobem para o dossel superior da planta, mesmo local onde as gotículas das pulverizações atingem com maior intensidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como notamos nos trabalhos anteriores, o controle no cedo (final da fase vegetativa ou início da reprodutiva) e posteriormente em R5, possuem grande eficiência.

Entretanto, o monitoramento é imprescindível. Nota-se a importância de mantermos as pragas até 2 percevejos/metro na fase reprodutiva da soja, principalmente no estágio de enchimento de grãos, quando as injúrias podem se tornar as mais severas.

Os percevejos possuem a habilidade de depreciar os grãos ou as sementes, tornando-os inviáveis e reduzindo as produtividades da lavoura. O manejo correto através de medidas adotadas da tecnologia de aplicação e pulverizações em momentos ideais, tornam o controle mais eficiente.

Quando não há manejo, as pragas continuam nas bordaduras da lavoura e sobrevivem nas plantas hospedeiras de entressafra, reincidindo sobre a soja na próxima safra.

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REFERÊNCIAS

DANIEL, Jeferson Luis Aquino et al. EFEITO DE AGENTES DE CONTROLE SOBRE Euschistus heros (Hemiptera: Pentatomidae) NA CULTURA DA SOJA, EM DIFERENTES ESTÁDIOS FENOLÓGICOS E ESTRATOS DO DOSSEL. 2019. Dissertação de Mestrado. Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

ECCO, Marlon et al. CONTROLE QUÍMICO DE PERCEVEJOS EM DIFERENTES ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO DA CULTURA DA SOJA. 2018.

FERNANDES, Paulo Henrique Ramos; ÁVILA, Crébio José. POTENCIAL DE DANOS CAUSADOS PELO PERCEVEJO MARROM Euschistus heros (Hemiptera: Pentatomidae) NA CULTURA DA SOJA. Danos e Controle do Percevejo Marrom (Euschistus heros) em Soja e do Percevejo Barriga-Verde (Dichelops melacanthus) em Milho, p. 25, 2017.

GRIGOLLI, J. PRAGAS DA SOJA E SEU CONTROLE. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2015/2016.

LAIBER, Luiza et al. PRODUTIVIDADE DE SOJA ATACADA POR PENTATOMÍDEOS COM APLICAÇÕES DE INSETICIDA EM DIFERENTES ESTÁGIOS FENOLÓGICOS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 10, n. 2, 2019.

Redação: Equipe Mais Soja. 

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