Apesar de poder causar pequenos danos diretos na cultura do milho, a cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis se destaca por seus danos indiretos, especialmente pela transmissão de microrganismos que causam os enfezamentos no milho, temidas doenças que podem causar redução da matéria seca da parte aérea e raízes do milho (Waquil 1997), podendo prejudicar a produtividade da cultura causando reduções de até 70% em casos mais severos (Embrapa, 2017).

Os enfezamentos são doenças do milho causadas pela infecção da planta por microrganismos denominados molicutes (classe Mollicutes-Reino Bacteria), que são um espiroplasma (Spiroplasma kunkelii) e um fitoplasma (Maize bushy stunt). Há dois tipos de enfezamentos: a doença denominada enfezamento-pálido (causada por espiroplasma) e a doença denominada enfezamento-vermelho (causada por fitoplasma) (Embrapa).

Figura 1. Planta de milho com sintomas típicos de enfezamento-pálido.

Foto: Elizabeth de Oliveira Sabato

Figura 2. Planta de milho com sintomas típicos de enfezamento-vermelho.

Foto: Elizabeth de Oliveira Sabato

Veja mais: Cigarrinha-do-milho – entenda o que é enfezamento e seu controle


Conforme destacado por Sabato (2018), A cigarrinha é um inseto de proporções pequenas, com comprimento aproximado de 4 mm e de coloração predominantemente branca, palha ou levemente acinzentada, comumente encontrado no cartucho das plântulas de milho, e possui duas manchas de coloração escura na coroa da cabeça, que facilitam sua identificação.



Figura 3. Adulto de cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis).

Fonte: Portal Bold System

Ainda que a fase adulta seja a mais visível a nível de campo, a praga possui diferentes estádios, variando entre ovo, ninfa e adulto. Os ovos são translúcidos, com o formato de uma banana e medem menos de 1 x 0,2 mm, já as ninfas passam por cinco mudas, e apresentam coloração palha, com manchas escuras no abdômen e olhos negros (Waquil, 2004).

Figura 4. Ovo (A) de ninfa (B) de cigarrinha-do-milho.

Adaptado: Waquil (2004)

Embora a cigarrinha-do-milho seja uma praga relativamente pequena, seu manejo e controle visando evitar a ocorrência dos enfezamentos são extremamente difíceis, requerendo uma série de práticas conjuntas para reduzir a população da praga e a incidência das doenças.


Veja mais: Enfezamento do milho – dicas de manejo!


Tendo em vista que os enfezamentos são transmitidos pela cigarrinha (vetor), o controle dela é uma das principais formas de reduzir a incidência das doenças. Para tanto, conhecer a biologia da praga, bem como seu comportamento pode auxiliar para um controle e manejo eficientes da cigarrinha-do-milho. Aspectos biológicos da cigarrinha-do-milho foram avaliados por Waquil et al. (1999), onde os autores observaram dentre outras variáveis, o período de desenvolvimento e a idade de mudas das ninfas da cigarrinha-do-milho.

Os autores submeteram populações de cigarrinha-do-milho a condições controladas de ambiente para observas aspectos biológicos da praga. Os resultados obtidos por Waquil et al. (1999) estão apresentados na tabela 1.

Tabela 1. Biologia de D. maidis em plântulas de milho, cultivar BR 201, a 26,5 ± 2ºC, 47,5± 7,5% UR e fotofase de 12 h.

Adaptado: Waquil et al. (1999)

A duração média de cada instar foi de 3,14 dias. Os adultos viveram em média 51,4 dias e o ciclo médio de ovo a adulto foi de 26,3 dias (Waquil et al., 1999). Além disso, os autores observaram que a temperatura pode influenciar no desenvolvimento da praga, sendo possível que nas condições brasileiras, no inverno, o ciclo de reprodução dessa espécie seja interrompido e novas gerações apareçam no milho semeado a partir de setembro/outubro (Waquil et al., 1999).

Tendo em vista os resultados obtidos por Waquil et al. (1999), é possível observar que a cigarrinha-do-milho apresenta um curto ciclo de desenvolvimento, fato que contribui para o rápido aumento populacional da praga. Sendo assim, fica evidente a importância do controle da cigarrinha-do-milho ainda no início do aparecimento da praga, visando reduzir o número de indivíduos com capacidade de completar o ciclo e dar origem a novas cigarrinhas.

Além disso, boas práticas agronômicas como eliminação de plantas espontâneas (milho tiguera), rotação de culturas, padronização da semeadura e uso de sementes certificadas são de fundamental importância para inimizar a ocorrência dos enfezamentos em milho.

Confira o trabalho completo de Waquil et al. (1999) clicando aqui!

Referências:

EMBRAPA. CONTROLE DA CIGARRINHA DO MILHO: ENFEZAMENTOS POR MOLICUTES E CIGARRINHA DO MILHO. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/controle-da-cigarrinha-do-milho >, acesso em: 27/04/2021.

EMBRAPA. NEWS: ENFEZAMENTO DO MILHO APARECE COMO PROBLEMA NESTA SAFRA. Embrapa, 2017. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/21567441/enfezamento-do-milho-aparece-como-problema-nesta-safra >,a cesso em: 27/04/2021.

SABATO, E. O. MANEJO DO RISCO DE ENFEZAMENTOS E DA CIGARRINHA DO MILHO. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 226, 2018. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/177361/1/ct-226.pdf >, acesso em: 27/04/2021.

WAQUIL, J. M. AMOSTRAGEM E ABUNDÂNCIA DE CIGARRINHAS E DANOS DE Dalbulus maidis (DeLong & Wolcott)(Homoptera: Cicadellidae) EM PLÂNTULAS DE MILHO. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, v. 26, n. 1, p. 27-33, 1997. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/aseb/v26n1/v26n1a04.pdf >, acesso em: 27/04/2021.

WAQUIL, J. M. CIGARRINHA-DO-MILHO: VETOR DE MOLICUTES E VÍRUS. Embrapa, Circular Técnica, n. 41, 2004. Disponível em: < https://www.embrapa.br/documents/1344498/2767891/cigarrinha-do-milho-vetor-de-molicutes-e-virus.pdf/17d847e1-e4f1-4000-9d4f-7b7a0c720fd0 >, acesso em: 27/04/2021.

WAQUIL, J. M. et al. ASPECTOS DA BIOLOGIA DA CIGARRINHA-DO-MILHO, Dalbulus maidis (DeLong & Wolcott) (Hemiptera: Cicadellidae). An. Soc. Entomol. Brasi, 1999. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/aseb/v28n3/v28n3a05.pdf >, acesso em: 27/04/2021.

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