Um dos principais desafios dos sistemas de produção de grãos em que a soja é cultivada em sucessão ao milho é a presença de plantas voluntárias de milho, popularmente conhecidas como “tiguera”. Essas plantas são originadas, principalmente, a partir de sementes e espigas perdidas durante a colheita do milho que, sob condições favoráveis de umidade e temperatura, germinam e originam novos fluxos de emergência em meio à cultura da soja.

Figura 1. Espiga de milho proveniente de perdas de colheita germinando.
Fonte: HRAC-BR

Nesse contexto, uma espécie cultivada na safra anterior passa a assumir o papel de planta daninha na lavoura subsequente. O milho voluntário compete diretamente com a soja por recursos essenciais ao crescimento e ao desenvolvimento das plantas, como água, radiação solar, nutrientes e espaço.

Embora as colhedoras modernas, quando corretamente reguladas, apresentem baixos índices de perdas, do ponto de vista técnico são considerados toleráveis níveis de até 1% de perdas durante a colheita. Mesmo que esse percentual não represente, isoladamente, um impacto econômico expressivo sobre a rentabilidade da cultura do milho, as sementes e espigas remanescentes no campo podem originar populações de milho voluntário capazes de interferir significativamente no crescimento da soja.

Dependendo da densidade e da distribuição das plantas voluntárias, a interferência pode reduzir o crescimento e o potencial produtivo da cultura e, em situações mais severas, comprometer significativamente o estabelecimento e a viabilidade produtiva da lavoura.

Conforme observado por Piasecki (2015), a perda de rendimento de grãos de soja varia em função da competição com populações individuais de milho ou competição com touceiras de milho, assim como a densidade dessas populações. Na competição com plantas voluntárias de milho, Piasecki (2015) constatou perda de rendimento de 22,2%, 36,5% e 53,9% com populações de milho de 0,5; 1 e 2 plantas por m-2 respectivamente (figura 2).

Figura 2. Perdas percentuais no rendimento de grãos da soja em função da interferência de populações de plantas individuais de milho voluntário RR® F2.
Fonte: Piasecki (2015)

Já na matocompetição com touceiras de milho, as perdas de produtividade de soja foram ainda superiores, variando entre 46,4% para populações de 0,5 touceira m-2; 64,5% para população de 1 touceira m-2 e até 80,3% para população de 2 touceiras de milho m-2 (Piasecki, 2015).

Figura 3. Perdas percentuais no rendimento de grãos de soja em função da interferência de populações de touceiras de milho voluntário RR® F2.
Fonte: Piasecki (2015)

Dada a relevância do impacto do milho tiguera sobre a produtividade da soja, o manejo adequado do milho voluntário, principalmente das touceiras torna-se fundamental para reduzir a competição e preservar o potencial de rendimento da soja. No entanto, o controle do milho tiguera é ainda mais complexo se tratando de híbridos de milho com a tecnologia RR® (Roundup Ready), tornando necessário estratégias de manejo além do controle pós-emergente com o glifosato.

Confira o estudo completo desenvolvido por Piasecki (2015) clicando aqui!


Veja mais: Controle do milho tiguera deve ocorrer antes do estabelecimento da lavoura


Referências:

HRAC-BR. MILHO TIGUERA: UM DESAFIO NO MANEJO DE PLANTAS DANINHAS. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2026. Disponível em: < https://www.hrac-br.org/post/milho-tiguera-um-desafio-no-manejo-de-plantas-daninhas >, acesso em: 01/09/2026.

PIASECKI, C. INTERFERÊNCIA E CONTROLE DE MILHO VOLUNTÁRIO RESISTÊNTE AO GLIFOSATO NA CULTURA DA SOJA. UPF, Dissertação de Mestrado, 2015. Disponível em: < https://repositorio.upf.br/server/api/core/bitstreams/bcf7daa6-699e-4404-928f-c8b078f87d75/content >, acesso em: 01/09/2026.

 

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