Para assegurar a boa produtividade e sustentabilidade da lavoura de soja, é fundamental pensar no sistema de produção como um todo. Um dos principais fatores responsáveis por limitar a produtividade da soja é compactação do solo. Diversos estudos apontam a relação entre a compactação do solo e a produtividade do solo, estando ambos os fatores, diretamente relacionados.
Compactação do solo:
Conforme analisado por Girardello et al. (2014), a medida em que há o aumento da densidade do solo (resistência do solo à penetração), tem-se a redução da produtividade da soja, podendo chegar a reduções de quase 40% em casos de resistência muito alta à penetração (5,0 MPa).
Figura 1. Produtividade da cultura da soja em função da resistência da penetração, determinada após o manejo da cultura de cobertura e classificada de acordo com Arshad et al. (1996), em Latossolo Vermelho na safra de 2008/09, muito alta.

A compactação do solo afeta principalmente o sistema radicular da soja, limitando o volume de raízes da planta, e o volume de solo explorado, e por consequência, limitando a disponibilidade de água a nutrientes para a planta. Segundo Cardoso et al. (2006), a redução do volume radicular da soja é intensificada a medida em que há o aumento da densidade do solo, demonstrando a forte influência da compactação do solo sob as raízes da soja.
Considerando os efeitos diretos da compactação sobre a produtividade da soja, é fundamental pensar em estratégias de manejo que permitam reduzir essa compactação no sistema plantio direto. Uma das principais estratégias é a rotação de culturas com espécies de diferentes arquiteturas do sistema radicular. Além das tradicionais culturas em inverno utilizadas com esse intuito, é possível posicionar culturas comerciais consorciadas com espécies forrageiras para otimizar o uso da terra e manejar a compactação do solo.
Analisando as propriedades físicas do solo e a produtividade da soja em sucessão ao milho safrinha em consórcio com diferentes plantas de cobertura, Anschau et al. (2018) obtiveram resultados que demonstram importantes contribuições do sistema de consórcio para a sustentabilidade e produtividade da soja.
O estudo conduzido pelos autores avaliou a cultura da soja semeada após cultivo de milho consorciado com as espécies Urochloa brizantha, U. ruziziensis, Avena strigosa (aveia-preta) e a testemunha (milho solteiro). Conforme resultados observados por Anschau et al. (2018), a soja cultivada em sucessão aos consórcios obteve produtividade superior à testemunha, chegando a alcançar produtividade até 33%, na modalidade que continha Urochloa ruziziensis em consórcio com o milho.
Tabela 1. Resultados médios para os componentes de produção da soja: altura de planta (cm), população de plantas, vagem por planta, peso de cem grãos e produtividade, sob as diferentes palhadas, safra 2014/2015.

Conforme observado por Anschau et al. (2018), além de contribuir para o aumento da produtividade da soja, o consórcio do milho com espécies forrageiras contribui para a melhoria da estrutura do solo. Conforme observado pelos autores, o cultivo da soja sob palhada de Urochloa ruziziensis promoveu aumento na macroporosidade do solo, tanto na profundidade de 0,0 a 0,10 m como de 0,10 a 0,20m em comparação a soja cultivada em sucessão ao milho solteiro.
Os resultados obtidos por Anschau et al. (2018) demonstram que o cultivo de espécies forrageiras em consórcio com o milho antecedendo a soja possibilitou não só o aumento da produtividade da cultura, como também da macroporosidade, porosidade dotal e a redução da densidade do solo, evidenciando que as plantas de cobertura foram eficientes em promover melhorias em atributos físicos do solo.
Tabela 2. Resultados médios para as propriedades físicas do solo após o cultivo da soja sob diferentes palhadas, safra 2014/2015, nas profundidades de 0 – 0, 0 – 10 e 0,10 – 0,20m.

Conclusão:
Com base nos dados observados, conclui-se que a soja cultivada após o cultivo do milho safrinha, consorciado com espécies forrageiras, possibilita o incremento da produtividade da soja e a melhoria de atributos físicos do solo, quando comparada a soja cultivada em sucessão ao milho solteiro. Embora o consórcio de espécies forrageiras com o milho necessite de práticas de manejo específicas, essa modalidade de cultivo pode trazer significativas contribuições para a sustentabilidade e rentabilidade do sistema de produção de soja.
Figura 2. Resistência do solo a penetração após cultivo de soja semeada sob palhada de diferentes plantas.

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Veja mais: Soja – quais os componentes de produtividade mais afetados pela compactação do solo?
Referências:
ANSCHAU, K. A. et al. PROPRIEDADES FÍSICAS DO SOLO, CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS E PRODUTIVIDADE DA SOJA EM SUCESSÃO A PLANTAS DE COBERTURA. Sci. Agrar. Parana., Marechal Cândido Rondon, 2018. Disponível em: < https://e-revista.unioeste.br/index.php/scientiaagraria/article/view/19702/13436 >, acesso em: 26/02/2024.
CARDOSO, E. G. et al. SISTEMA RADICULAR DA SOJA EM FUNÇÃO DA COMPACTAÇÃO DO SOLO NO SISTEMA DE PLANTIO DIRETO. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.41, n.3, p.493-501, mar. 2006. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/pab/v41n3/29122.pdf >, acesso em: 26/02/2024.
GIRARDELLO, V. C. et al. RESISTÊNCIA À PENETRAÇÃO, EFICIÊNCIA DE ESCARIFICADORES MECÂNICOS E PRODUTIVIDADE DA SOJA EM LATOSSOLO ARGILOSO MANEJADO SOB PLANTIO DIRETO DE LONGA DURAÇÃO. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 2014. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbcs/a/GL9npmLBjc5x5wY8zdVtCWS/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 26/02/2024.
Foto de capa: Agência de Notícias – Embrapa