InícioDestaqueSoja: cotações recuaram em Chicago com semeadura da safra americana atingindo 93%

Soja: cotações recuaram em Chicago com semeadura da safra americana atingindo 93%

As cotações da soja, em Chicago, voltaram a recuar nesta semana, com o fechamento da quinta-feira (20), para o primeiro mês cotado, ficando em US$ 11,55/bushel (a mais baixa cotação desde o dia 1º de maio), contra US$ 11,89 uma semana antes.

O plantio da nova safra de soja estadunidense está chegando ao final, tendo atingido  a 93% da área no dia 16/06, contra a média histórica de 91% para a data. Cerca de 82% das lavouras haviam germinado, enquanto 70% se apresentavam entre boas a excelentes condições, contra apenas 54% no ano passado nesta data. Outros 25% estavam regulares e apenas 5% se apresentavam entre ruins a muito ruins.

Por outro lado, na semana encerrada em 13/06, os embarques de soja, por parte dos EUA, atingiram a 334.237 toneladas, perfazendo, até o momento, no atual ano comercial 2023/24, um total de 40,9 milhões de toneladas. Este volume está bem abaixo dos mais de 49 milhões exportados no mesmo período do ano anterior.

Na prática, neste ano as exportações de soja, por parte dos EUA, estão em ritmo o mais lento dos últimos 20 anos, pois os produtores locais continuam segurando o produto. Além disso, a soja brasileira se mantém mais barata e a Argentina voltou a acelerar suas vendas de farelo de soja. Enfim, os Fundos estão bastante comprados no mercado da soja, com tendência a exercerem pressões de venda logo adiante.

E pelo lado do esmagamento de soja nos EUA, a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas local informou que, no mês de maio, foram processadas 5 milhões de toneladas naquele país. Este volume superou as expectativas do mercado e também as 4,61 milhões esmagadas em abril.

E no Brasil, com o câmbio oscilando entre R$ 5,44 e R$ 5,49 por dólar durante a semana, os preços da soja se mantiveram firmes, apesar do recuo em Chicago e a estabilidade dos prêmios. A média gaúcha subiu para R$ 124,43/saco, sendo uma mais elevadas da atual safra, enquanto as principais praças se mantiveram com valores entre R$ 121,00 e R$ 122,00/saco. Já nas outras regiões do país, o preço da soja oscilou entre R$ 116,00 e R$ 123,00/saco. Um ano atrás, nesta época, os valores foram os seguintes: média gaúcha igual a R$ 127,00/saco; as principais praças gaúchas negociavam a R$ 126,00 o produto; e nas demais regiões brasileiras os preços oscilavam entre R$ 108,00 e R$ 121,00/saco.

Dito isso, algumas previsões privadas colocam a produção final brasileira de soja em 152,5 milhões de toneladas nesta última safra, com o esmagamento ficando em 54,5 milhões, o que resultaria em 41,7 milhões de toneladas de farelo e 11 milhões de toneladas de óleo de soja. Para as exportações do grão, espera-se 97,8 milhões de toneladas, em farelo 21,6 milhões e em óleo 1,1 milhão de toneladas. (cf. Abiove)

Lembrando que a maioria dos analistas espera uma safra final brasileira entre 142 e 148 milhões de toneladas. Por outro lado, segundo a Anec, o Brasil deverá exportar, em junho, um total de 14,9 milhões de toneladas de soja. Em se confirmando, será um milhão de toneladas acima do exportado em junho do ano passado e 1,5 milhão acima do realizado em maio.

Enfim, diante da redução deliberada das importações chinesas, dentro de um projeto de mudança de sua matriz de rações e da diminuição para com a dependência da soja, o Brasil conta com o consumo de biocombustíveis para manter o crescimento no plantio da oleaginosa. O problema é o que fazer com o farelo. Será necessário aumentar substancialmente suas exportações para viabilizar a oferta dos grãos. Ou então, o plantio da soja tenderá a encontrar seu limite. Com um potencial de produzir até 170 milhões de toneladas, atualmente, em clima normal, o país deverá assistir a preços até um pouco mais baixos do que os atuais caso Chicago se mantenha nos atuais níveis e o câmbio volte aos patamares normais de R$ 4,80 a R$ 5,00. Na situação de hoje, se a moeda brasileira estivesse nestes níveis citados, o saco da oleaginosa, ao produtor gaúcho, no interior, estaria valendo algo entre R$ 110,00 e R$ 115,00, ou seja, entre R$ 9,00 a R$ 14,00 a menos por saco do que a média praticada nesta semana no Estado.

Fonte: CEEMA UNIJUI – Comentários referentes ao período entre 14/06/2024 e 20/06/2024 – Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

FONTE

Autor:Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

Site: CEEMA UNIJUÍ

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