A cultura da soja avança para a fase final do ciclo. A colheita está acelerada, alcançando 38% das lavouras, beneficiada por predomínio de tempo seco, elevada insolação e baixa umidade relativa do ar no período. O teor de umidade dos grãos colhidos variou entre 13% e 14%, favorecendo a eficiência operacional da debulha e minimizando descontos por umidade na comercialização nas unidades recebedoras. Estão 42% das lavouras maduras, 19% ainda estão em enchimento de grãos, e poucas em floração.
O desempenho produtivo está satisfatório na maior parte do Estado, mas a irregularidade espacial das precipitações gerou zonas de baixa produtividade, especialmente na Metade Oeste, além de áreas semeadas mais tardiamente e em solos de menor capacidade de retenção hídrica.
Os plantios beneficiados por melhor distribuição de chuvas e maior nível tecnológico, apresentam desempenho superior, sustentando produtividades mais elevadas. No entanto, nas áreas sujeitas à restrição hídrica mais prolongada, observa-se desuniformidade fenológica entre lavouras e a coexistência de plantas em diferentes estádios de maturação, reflexo direto das oscilações hídricas ao longo do ciclo. Em áreas afetadas por déficit hídrico durante fases críticas, como floração e enchimento de grãos, há redução no porte e no número de vagens, além de grãos de menor massa.
Em relação ao estado sanitário, a incidência de ferrugem-asiática e oídio exigiu manejo contínuo, e a pressão de ácaros e tripes diminuiu.
A produtividade média revista na segunda quinzena de fevereiro pela Emater/RS-Ascar está estimada em 2.871 kg/ha, e a área cultivada em 6.624.988 hectares.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a colheita está mais adiantada a Oeste da região e diminui gradativamente em direção a Leste. As maiores proporções colhidas estão em Itacurubi (35% dos 21.000 hectares) e Maçambará (30% dos 55.000 hectares). Em São Gabriel, 8% dos 125.000 hectaresforam colhidos, com produtividades entre 1.800 e 2.100 kg/ha. Observa-se elevada desuniformidade das plantas em função do estresse hídrico e perdas mais acentuadas nos cultivos semeados em novembro.
A colheita está em estágios iniciais em Aceguá, Bagé, Candiota, Dom Pedrito e Hulha Negra, no qual os primeiros resultados estão dentro da expectativa inicial de 2.400 kg/ha. Na Região da Campanha, em áreas de várzea, o ciclo é mais tardio, e as lavouras têm melhor potencial. Parte da produção das lavouras em boas condições sanitárias e desempenho está sendo reservada para a utilização como semente na próxima safra.
Na de Caxias do Sul, a colheita atinge cerca de 35% da área. As produtividades variam entre 2.400 e 3.000 kg/ha, e há melhor desempenho nas lavouras tardias. A restrição hídrica, especialmente entre janeiro e fevereiro, impactou negativamente o rendimento, especialmente nos Campos de Cima da Serra.
Na de Frederico Westphalen, 35% foram colhidos. As lavouras remanescentes estão distribuídas entre maturação (55%) e enchimento de grãos (10%). A produtividade média estimada é de 2.963 kg/ha, refletindo condições relativamente favoráveis ao longo do ciclo.
Na de Ijuí, a colheita evoluiu celeremente, atingindo 52% da área. A produtividade média inicial é de aproximadamente 3.100 kg/ha, com tendência de redução nas áreas finais. Em Santo Augusto, onde 70% foram colhidos, a média é de 3.180 kg/ha. Na região, observase elevada variabilidade produtiva. Após a colheita, intensificam-se as operações de implantação de culturas de cobertura e correção da fertilidade do solo.
Na de Passo Fundo, as lavouras se distribuem entre maturação fisiológica (25%), maduras (30%) e colhidas (45%). As produtividades variam entre 2.400 e 3.000 kg/ha, oscilando conforme condições locais de solo e restrição hídrica.
Na de Pelotas, a colheita está em fase inicial, chegando a 9%. Predomina a fase de enchimento de grãos (63%), seguida de maturação (22%). As condições de maior disponibilidade hídrica e menor evapotranspiração favoreceram o desenvolvimento, e houve bom pegamento de flores e vagens, sustentando satisfatório potencial produtivo.
Na de Santa Maria, 30% da área foi colhida em Júlio de Castilhos (107.000 hectares) e 40% em Tupanciretã (147.000 hectares). As produtividades variam entre 2.100 a 2.700 kg/ha em áreas mais afetadas pela estiagem, podendo superar 4.200 kg/ha em lavouras com melhor regime hídrico.
Na de Santa Rosa, cerca de 35% da área foi colhida. Estão 43% em maturação, 18% em enchimento de grãos, 4% em floração e 1% em desenvolvimento vegetativo. Observa-se desuniformidade na maturação, o que intensifica o uso de dessecantes. Há elevado registro de perdas e acionamento de mecanismos de apoio, como o Proagro. A soja safrinha apresenta bom desenvolvimento inicial.
Na de Soledade, a colheita atinge 40%. Os cultivos em maturação fisiológica totalizam 50%, e 10% ainda estão em enchimento de grãos. A produtividade apresenta ampla variação, de 1.800 a cerca de 5.000 kg/ha, com média estimada próxima a 3.000 kg/ha. As lavouras tardias ainda demandam manejo fitossanitário, para controle de ferrugem-asiática, oídio, tripes e ácaros.
Comercialização (saca de 60 quilos)
A cotação média da soja passou de R$ 120,37 para R$ 120,86, aumentando 0,41% em relação à semana anterior, conforme o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar
Fonte: Emater/RS




