A colheita da soja prosseguiu de forma gradual no Estado, alcançando 10% da área. Esse avanço se deve tanto ao processo natural do ciclo quanto à ocorrência de precipitações no período, que, embora tenham favorecido a reposição hídrica em parte das lavouras em fase reprodutiva, também impuseram interrupções pontuais às operações. As lavouras estão entre as fases de enchimento de grãos (43%) e maturação (41%), indicando proximidade da intensificação dos trabalhos de colheita em curto prazo.

O comportamento produtivo segue altamente heterogêneo, refletindo a distribuição irregular das chuvas ao longo do ciclo, especialmente durante os estádios críticos de definição de rendimento. Em áreas que mantiveram disponibilidade hídrica adequada, observa-se melhor enchimento de grãos e manutenção do potencial produtivo. Já em ambientes com restrição hídrica persistente, especialmente no Oeste e Noroeste do Estado, ocorreram redução do porte das plantas, abortamento de estruturas reprodutivas e antecipação da senescência, com impacto direto sobre o peso de grãos.

De forma geral, as precipitações ocorridas em 17 e 21/03 foram positivas para as lavouras tardias, que ainda apresentam capacidade de resposta fisiológica. As áreas mais precoces já se encontram com produtividade definida. Também se observa desuniformidade de maturação em parte dos cultivos, associada tanto à variabilidade hídrica quanto a falhas de estande, o que tende a demandar operações de dessecação para viabilizar a colheita.

Em relação ao aspecto fitossanitário, persistem os registros de ferrugem-asiática e insetos sugadores, com intensidade variável conforme as condições microclimáticas e o estádio das lavouras. A produtividade média, revista na segunda quinzena de fevereiro pela Emater/RSAscar, está estimada em 2.871 kg/ha, e a área cultivada em 6.624.988 hectares.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, houve ampliação de lavouras em fase de maturação e início de colheita na Fronteira Oeste e Campanha. Em Santa Margarida do Sul, 5% da área de 42.000 hectares foi colhida, com perdas estimadas em 30%. Em Maçambará, 3% dos 55.000 hectares colhidos apresentam produtividade inferior a 2.400 kg/ha, com tendência de redução conforme o avanço da colheita. Em Caçapava do Sul, a colheita atinge 5% dos 40.000 hectares, com produtividade de 1.500 kg/ha ou mais em áreas mais afetadas pela estiagem a 2.400 kg/ha em locais com melhor regime hídrico.

Em áreas irrigadas de Uruguaiana, a produtividade estimada é de 3.180 kg/ha, e em sequeiro próxima de 2.000 kg/ha. Em Itacurubi, há perdas de até 50%, mas há registros de áreas semeadas em outubro com perda total. Observa-se ainda elevada pressão de ferrugem-asiática, incidência de tripes, ácaros e percevejos e desuniformidade de maturação, o que implica necessidade de manejo químico adicional.

Na de Caxias do Sul, as precipitações no período contribuíram para o enchimento de grãos das lavouras tardias. No entanto, as perdas decorrentes da restrição hídrica anterior estão consolidadas. A produtividade média regional de 3.663 kg/ha não será alcançada, e poderá ser reduzida para aproximadamente 3.000 kg/ha. Em Muitos Capões, as áreas colhidas apresentam rendimentos entre 1.800 e 2.400 kg/ha, e cultivos tardios próximo de 3.000 kg/ha.

Na de Erechim, a colheita foi efetuada em aproximadamente 10% da área, e 52% estão em maturação. A produtividade média regional deverá ficar abaixo de 3.600 kg/ha.

Na de Frederico Westphalen, 3% estão em desenvolvimento vegetativo, 4% em floração, 30% em enchimento de grãos, 50% em maturação e 13% colhidos. A produtividade média estimada está próxima a 3.000 kg/ha. O retorno da umidade intensificou o manejo fitossanitário, especialmente para controle de ferrugem-asiática.

Na de Ijuí, os cultivos estão próximos do final de ciclo: cerca de 10% foram colhidas; 45% estão em maturação; e 40% em enchimento de grãos. Observa-se desuniformidade na maturação, com necessidade de dessecação em parte das áreas. As produtividades variam
amplamente. No Alto Jacuí, em Santa Bárbara do Sul, as lavouras colhidas apresentam rendimentos entre 2.100 e 4.500 kg/ha. Na Região Celeiro, em Santo Augusto, a produtividade atinge em torno de 3.600 kg/ha. Apesar da variabilidade, parte significativa das áreas mantém bom potencial produtivo.

Na de Passo Fundo, 20% estão em formação de vagens, 50% em início de maturação fisiológica, 20% maduras e 10% colhidas. Observa-se avanço do déficit hídrico em diversas áreas, com reflexos negativos no potencial produtivo, especialmente nas lavouras precoces.

Na de Pelotas, a colheita iniciou de forma incipiente. Foram colhidos 2% da área; 1% está em desenvolvimento vegetativo; 10% em floração; 79% em enchimento de grãos; e 8% em maturação. As chuvas do período, com volumes entre 7 e 76 mm, favoreceram a recuperação de cultivos em fases responsivas.

Na de Santa Maria, a colheita ultrapassa 5% da área, limitada pelas chuvas no período. Aproximadamente 60% das lavouras estão em fase reprodutiva e 34% em maturação. As precipitações do período foram determinantes para a manutenção do enchimento de grãos nas áreas em definição de rendimento.

Na de Santa Rosa, a distribuição fenológica indica 4% em desenvolvimento vegetativo, 10% em floração, 48% em enchimento de grãos, 35% em maturação e 4% colhidos. O impactoda restrição hídrica é expressivo, especialmente em solos rasos, onde as perdas ultrapassam 70% em algumas áreas. Em contrapartida, áreas com melhor disponibilidade hídrica apresentam perdas menos acentuadas.

Em Garruchos e São Luiz Gonzaga, a irregularidade das chuvas tem comprometido o enchimento de grãos. Há presença de ferrugem-asiática, monitorada por coletores de esporos, além de ocorrência pontual de tripes, ácaros e percevejos. Também se observam falhas de estande decorrentes de irregularidade na emergência das plântulas.

Na de Soledade, estão 35% em enchimento de grãos, 36% em maturação fisiológica, 20% em maturação de colheita e 7% colhidos. As produtividades estão variáveis, desde aproximadamente 1.800 kg/ha até 4.200 kg/ha. Em Alto Alegre e Campos Borges, as produtividades mais baixas estão associadas à limitação hídrica e a restrições físicas do solo. Continuam as intervenções fitossanitárias para controle de ferrugem-asiática, oídio e insetos na fase de formação de grãos.

Comercialização (saca de 60 quilos)

A cotação média da soja passou de R$ 119,57 para R$ 118,74, reduzindo 0,69% em relação à semana anterior, conforme o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar.

Fonte: Emater



 

FONTE

Autor:Emater/RS

Site: Emater/RS

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