A cultura se encontra majoritariamente na fase de enchimento de grãos (60%), seguida por floração (28%), desenvolvimento vegetativo (8%) e maturação (4%). A colheita está incipiente; ocorre apenas em algumas lavouras de ciclo mais precoce ou mais afetadas por
restrição hídrica.
As precipitações ocorridas entre 16 e 19/02 apresentaram maior abrangência espacial no território estadual, apesar das variações nos volumes acumulados entre regiões e municípios. Esses eventos promoveram recomposição significativa da umidade no solo, atenuando o estresse hídrico e contribuindo para a redução da irregularidade no desenvolvimento das lavouras, sobretudo nos cultivos em estádios reprodutivos.
No entanto, a restrição hídrica registrada em janeiro e na primeira quinzena de fevereiro, associada a temperaturas elevadas, resultou em perdas irreversíveis nas lavouras semeadas precocemente, principalmente em solos rasos, compactados ou com menor capacidade de retenção de água. Nesses cultivos, houve abortamento de flores e vagens, redução do porte das plantas, desfolha e encurtamento do ciclo fenológico. A ocorrência de precipitações no período possibilitou a retomada do crescimento vegetativo e reprodutivo nas lavouras de semeadura intermediária e tardia, possibilitando a recuperação parcial do potencial produtivo e a diminuição da amplitude dos contrastes entre áreas.
Observa-se variabilidade no potencial produtivo, condicionada à distribuição das chuvas, à época de semeadura, ao ciclo das cultivares e às práticas de manejo. Apesar da recomposição hídrica no período, parte das perdas já se encontra consolidada, enquanto áreas beneficiadas por volumes mais regulares de precipitação mantêm potencial produtivo próximo ao inicialmente projetado.
Devido à melhora das condições de umidade, intensificaram-se os manejos fitossanitários, e houve retomada das aplicações de fungicidas para o controle da ferrugemasiática e de inseticidas para tripes, ácaros, percevejos e lagartas, as quais apresentam baixa incidência. As lavouras apresentam, de modo geral, bom nível de controle de plantas daninhas e há algumas ocorrências pontuais de caruru.
Para a Safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar indica área cultivada de 6.742.236 hectares. Nova estimativa de produtividade está sendo realizada até o final de fevereiro e deverá ser divulgada no início de março Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, as lavouras semeadas precocemente apresentam perdas consolidadas, e há elevada variabilidade entre municípios e épocas de implantação. Em Manoel Viana e São Borja, a perda média pode superar 40%, sendo mais graves nas áreas superprecoces ou em solos arenosos.
As perdas estimadas em Rosário do Sul estão próximas a 30%, e em Maçambará a 20%. Na Campanha, nos municípios de Bagé, Candiota, Hulha Negra e Lavras do Sul, o retorno das precipitações favoreceu as lavouras em floração e em enchimento de grãos, reduzindo a intensidade do estresse hídrico. As perdas médias estão estimadas em 10% em relação ao potencial inicial, mas há desempenho superior em áreas de várzea, em função da maior capacidade de retenção hídrica, e sintomas persistentes de estresse em áreas de coxilhas. Em algumas localidades, registraram-se períodos de até 35 dias sem precipitações, o que resultou em perdas significativas de área foliar e de estruturas reprodutivas. Em contrapartida, outras áreas mantêm potencial produtivo satisfatório, estande adequado, porte vegetativo elevado e boa formação de vagens.
Na de Caxias do Sul, as lavouras apresentam elevada heterogeneidade no potencial produtivo. Parte dos cultivos recebeu volumes significativos de chuva e recuperou a turgidez das plantas, enquanto outros permaneceram sob déficit hídrico. Nessa última, as perdas se encontram consolidadas, especialmente em lavouras em fase de enchimento de grãos.
Na de Erechim, a cultura se encontra predominantemente nas fases R2 e R3 (florescimento pleno e formação de legumes). Em Getúlio Vargas e São Valentim, estimam-se perdas de até 30% da produção prevista. Em áreas com solos rasos, há indicativos de perdas potenciais, caso não ocorram precipitações adicionais. No entanto, a produtividade regional
deve se manter próxima à inicial, condicionada à ocorrência de precipitações nas próximas
semanas. O controle da ferrugem-asiática tem sido uma prioridade, com base no monitoramento por coletores de esporos.
Na de Frederico Westphalen, 5% da área estão em desenvolvimento vegetativo (safrinha), 20% em floração, e 75% em enchimento de grãos. As precipitações recentes reduziram os sintomas de estresse hídrico, mas as perdas são irreversíveis, estimadas entre 20% e 30%. Intensificaram-se as aplicações de fungicidas.
Na de Ijuí, observou-se retomada do desenvolvimento da cultura. Há elevada variabilidade no potencial produtivo. Nas lavouras semeadas em outubro, as perdas estão consolidadas, sem possibilidade de recuperação. As semeaduras realizadas entre o final de novembro e dezembro, com cultivares de ciclo longo, apresentam redução moderada do potencial produtivo. Em localidades onde a estiagem foi mais severa, as perdas podem alcançar 50%. Nas lavouras de segundo cultivo, semeadas em janeiro, há emergência e estande adequados.
Na de Passo Fundo, as lavouras estão predominantemente em formação de vagens (90%), e 10% em floração. As precipitações do período interromperam a progressão das perdas, contribuindo para a estabilização do potencial produtivo remanescente. Na de Pelotas, 21% da área está em desenvolvimento vegetativo, 52% em floração, e 27% em enchimento de grãos. As condições de estresse hídrico e térmico (temperaturas superiores a 35 °C) e as precipitações esparsas e localizadas resultaram em heterogeneidade elevada nas lavouras.
Na de Santa Rosa, 15% dos cultivos estão em desenvolvimento vegetativo, 29% em floração, 55% em enchimento de grãos, e 1% em maturação. A insuficiência de chuvas prejudicou o desenvolvimento e causou abortamento de flores e queda de vagens, principalmente em solos compactados e pedregosos. As perdas podem superar 25%. Em áreas beneficiadas por precipitações expressivas, o potencial produtivo está próximo ao inicialmente projetado. Em Porto Lucena, iniciou a colheita de lavouras semeadas no início de outubro. Os rendimentos apresentam ampla variabilidade, entre 2.400 e 4.200 kg/ha.
Na de Soledade, as precipitações atendem momentaneamente à demanda hídrica da cultura. Estão 5% das lavouras em desenvolvimento vegetativo, 40% em floração, e 55% em enchimento de grãos. Não há registro de perdas significativas até o momento. As aplicações fitossanitárias para controle de ferrugem-asiática, tripes, ácaros, lagartas e percevejos seguem em execução, muitas vezes realizadas em horários noturnos ou em períodos mais amenos do dia devido às elevadas temperaturas diurnas.
Comercialização
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,08 %, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 118,25 para R$ 118,15.
Fonte: Emater/RS




