A temperatura e radiação solar são de suma importância para o crescimento e desenvolvimento vegetal, e com a soja não é diferente. Assim como a limitação hídrica ou nutricional, temperatura e luminosidade inadequadas podem prejudicar o crescimento e desenvolvimento da soja, refletindo em baixas produtividades da cultura.

Conforme destacado por Monteiro (2009), a temperatura basal inferior para a cultura da soja é de aproximadamente 13°C, enquanto a temperatura basal superior é de 40°C, sendo a temperatura ótima para o desenvolvimento da cultura em torno de 30°C. Abaixo da temperatura basal inferior não há crescimento ou desenvolvimento, e acima da temperatura basal superior também não, podendo impactar significativamente a produtividade da cultura.

Assim como a temperatura, a disponibilidade de radiação solar/luminosidade também pode influenciar na produtividade final da cultura da soja, sendo necessário maior atenção no posicionamento da cultura, especialmente em sistemas de consorcio agroflorestal. Conforme destacado por Tibolla et al. (2019), em sistemas agroflorestais, a fim de evitar perdas produtivas na cultura da soja e viabilizar seu cultivo, a interceptação da radiação solar por espécies arbóreas não deve ser superior a 30%.



A radiação solar é um importante componente ambiental que, além de fornecer energia luminosa para a fotossíntese, também fornece sinais ambientais para uma gama de processos fisiológicos da soja (Seixas et al., 2020). Por influenciar diretamente processos fisiológicos da planta a disponibilidade da radiação pode impactar significativamente a produtividade da soja, sendo que quanto maior sombreamento, maiores as reduções de produtividade e/ou rendimento da cultura.

Figura 1. Decréscimos de rendimento da soja sob a ação de níveis de sombreamento, relativos à ausência de sombreamento (0% sombreamento = 100% rendimento de grãos).

Fonte: adaptado de Wahua e Miller (1978), Apud. Seixas et al. (2020)

Em virtude do período reprodutivo e subperíodo do enchimento de grãos ser considerado um período de rápidos acúmulo de matéria seca e nutrientes (Zanon et al., 2018), coincidindo com o maior requerimento hídrico da cultura e maior produção de fotoassimilados (alta fotossíntese), a ocorrência do sombreamento e/ou limitação luminosa durante esse período pode repercutir em maiores perdas produtivas em comparação a soja sob influência do sombreamento durante o período vegetativo do seu desenvolvimento.

Em lavouras anuais com a finalidade principal do cultivo de grãos, a limitação luminosa normalmente não é um problema, entretanto, se tratando de cultivos consorciados com espécies arbóreas ou sistemas agroflorestais, o sombreamento pode ser uma realizada vivenciada, sendo necessário buscar alternativas que possibilitem reduzir o sombreamento sobre a cultura da soja, a exemplo do posicionamento/orientação dos cultivos.


Veja mais: Fotoperíodo e sua relação com a soja


 

Referências:

MONTEIRO, J. E. B. A. AGROMETEOROLOGIA DOS CULTIVOS: O FATOR METEOROLÓGICO NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA. INEMET, 2009.

SEIXAS, C. D. S. et al. TECNOLOGIAS DE PRODUÇÃO DE SOJA. Embrapa, Sistemas de Produção, n. 17, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 13/10/2021.

TIBOLLA, L. B. et al. EFEITO DO SOMBREAMENTO ARTIFICIAL NO CRESCIMENTO E PRODUTIVIDADE DA SOJA. Rev. Bras. Cienc. Agrar., Recife, v.14, n.4, 2019. Disponível em: < http://www.agraria.pro.br/ojs-2.4.6/index.php?journal=agraria&page=article&op=view&path%5B%5D=agraria_v14i4a6876 >, acesso em: 13/10/2021.

ZANON, A. J. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 1, 2018.

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