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Trigo: análise semanal da tendência de preços

Os preços do trigo estão subindo, ao invés de cair. No Rio Grande do Sul os preços oferecidos pelos moinhos subiram R$ 20,00/tonelada para R$ 1.520/t CIF nesta semana e no Paraná, subiram TR$ 30,00/t para R$ 1.630/t CIF em Ponta Grossa.

Qual a razão disto? E quais as projeções para o primeiro semestre de 2022?
1. Quebra de qualidade da safra brasileira de 2021/22: Embora não se tenha os números finais de produção e absoutamente nenhum número oficial sobre a qualidade das safras (impressionante a falta de dados no Brasil, depois todo mundo grita por preços melhores, mas esta falta de dados é justamente o que alimenta a especulação e a exploração comercial no país);

2. Alta dos preços internacionais, em especial, na Argentina, como mostramos no descritivo do TRIGO ARGENTINO, abaixo. Os preços do trigo argentino para dezembro21 passaram de US$ 242/t em agosto último para os atuais US$ 279/t, um aumento de US$ 37/t ou 15,29%, além do dólar. Mas, o que é igualmente importante é nossa conclusão naquele comentário de que os preços “devem continuar assim ou até subir mais o ano todo”;

3. Alta do dólar: no mesmo período (agosto de 2021 até o presente) o dólar já subiu 7,84%, passando de R$ 5,23 para os atuais R$ 5,64. E, com a campanha eleitoral em marcha até outubro de 2022, a tendência é que os ruídos políticos mantenham elevada esta taxa por muito mais tempo;

4. O agricultor está capitalizado e exige no mínimo R$ 88,00/saca, mas isto poderá ser usado contra ele
Explicamos: os relatos que recebemos diriamente do estado registram que “Os moinhos estão comprando pouco e os agricultores não estão vendendo, esperando preços melhores”. Isto significa que a oferta está sendo acumulada para ser vendida mais tarde. Estima-se que apenas 36% da safra de trigo gaúcho tenha sido comercializada até agora, no seu todo. Digamos que mais 24% sejam comercializados em novembro. Chegaríamos, então, em dezembro, com 50% da safra ainda não comercializada, ou cerca de 1,60 milhão de toneladas nas mãos dos vendedores. Mas, em janeiro, precisarão colher o milho e colocar nos armazens. Todos sabemos que o estado não tem capacidade de armazenagem para acumular duas safras simultaneamente. Então, é possível que haja uma pressão de venda em dezembro equivalente a quase uma safra inteira dos anos anteriores.

5. O segredo dos preços no sul do país está no Rio Grande do Sul: Não se tem números finais da safra gaúcha, porque não terminou de ser colhida, mas a estimativa da TF Agroeconômica é de que a produção naquele estado deverá ficar em, no máximo 3,2 milhões de toneladas, apesar de algumas projeções mais otimistas que circulam no
mercado. Visto por um outro ângulo do que acima comentamos, supondo-se uma demanda de 180 mil tons para sementes, 1,3 milhões de toneladas para moagem, 1,0 milhão para exportação (projeção atual), 150 mil tons para ração (até o momento) e 115 mil tons já vendidas para outros estados, teríamos um uso até agora de 1,745 milhão de toneladas.
Com isto, ainda faltaria comercializar cerca de 1,455 milhão de toneladas. Estima-se que a exportação leve mais 500 mil toneladas. A ração deve levar pouco, porque em janeiro vai começar a colher milho no estado, então no máximo ela comprará mais 100 mil tons, se tanto. Mesmo assim, ainda sobrariam no estado 855 mil toneladas. Este grande volume deverá pressionar os preços.

CONCLUSÃO
Nossa conclusão para esta semana continua sendo a mesma que já recomendamos a um de nossos assinantes: venda o trigo aos (bons e lucrativos) preços atuais e aplique o dinheiro até chegar a hora de pagar as contas, porque o resultado, em nossa opinião, será maior do que esperar para vender o trigo mais tarde, em janeiro ou fevereiro. Talvez valha a pena guardar até maio/junho, mas, hoje, não temos nenhuma garantia disto. Então, é melhor pegar uma pomba na mão do que ficar olhando duas voando.



Fonte: T&F Agroeconômica

Equipe Mais Soja
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