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Tripes em soja: Períodos de estiagem requerem maior atenção com o manejo da praga

Em anos secos, com predomínio de períodos de estiagem, uma praga secundária pode assolar a soja, causando significativas perdas de produtividade. O tripes como é popularmente conhecido, é um inseto pequeno que apresenta aparelho bucal raspador-sugador e causa danos principalmente nas folhas de soja, pela raspagem delas e extravasamento do líquido celular.

As folhas atacadas apresentem aspecto prateado (pontuações), dano característico do ataque de tripes. Além do dano direto, a praga pode causar danos secundários, especialmente pela transmissão de doenças, em especial do vírus que causa a doença “queima-do-broto”, que  pode causar sérios prejuízos à soja (Sosa-Gómez et al., 2014).

Figura 1. Danos de tripes em soja.

Figura 01: Lesões da tripes. Fonte: Elaboração própria.

Dentre as principais espécies de interesse econômico na cultura da soja, destacam-se a Caliothrips braziliensis e Frankliniella schultzei. Como principais características dessas pragas podemos destacar o rápido ciclo de desenvolvimento, que em média é de aproximadamente 15 dias, fato que contribui para a elevada proliferação da praga. No caso de F. schultzei, os adultos se reproduzem por partenogênese e cada fêmea coloca em média 75 ovos (Sosa-Gómez et al., 2014).

Períodos de estiagem, bem como quentes e secos proporcionam melhores condições para o desenvolvimento da praga, logo, deve-se atentar para o monitoramento dos tripes sob essas condições ambientais. Em virtude da redução da capacidade fotossintética da planta pelas lesões causadas no limbo foliar, estima-se que perdas de produtividade variando entre 10% a 25% possam ser observadas em soja em casos de controle ineficiente da praga (Gamundi & Perotti, 2009).



Quando maior a densidade populacional da praga, maiores os danos em soja. Para infestações com populações de 73 tripes/folíolo no estrato superior, em R5, é possível observar perdas de até 45% da fotossíntese, 36 % da atividade estomática e 30 % da taxa de transpiração (Gamundi et al., 2005).

Visando um controle eficiente dos tripes, é possível adotar ferramentas como o ajuste da data de semeadura para períodos com menor incidência da praga, a erradicação de plantas com sintomas e o controle químico, sendo esse último, o método mais utilizado em lavoras comerciais.  Com relação ao controle químico, as recomendações baseiam-se em níveis de controle de aproximadamente 20 tripes por folíolo. Sobretudo, a maior dificuldade de controle está relacionada ao comportamento da praga, visto que essa tem por hábito se concentrar no terço inferior da planta, local de difícil acesso de defensivos agrícolas.

Produtos com ação translaminar, como clorfenapir, são os mais indicados para o controle de tripes. Ao serem aplicados na superfície superior das folhas, esses inseticidas são capazes de translocar para o lado inferior, onde ninfas e adultos estão localizados em maior número (Pozebon, 2022).

Referências:

GAMUNDI, J. C.; PEROTTI, E. EVALUACIÓN DE DAÑO DE Frankliniella schultzei (Trybom) Y Caliothrips phaseoli (Hood) EN DIFERENTES ES- TADOS FENOLÓGICOS DEL CULTIVO DE SOJA. PARA MEJORARA LA PRODUCCION, N. 42, INTA EEA OLIVEROS, 2009. Disponível em: < https://inta.gob.ar/sites/default/files/script-tmp-evaluacion_daos_en_soja.pdf >, acesso em: 04/01/2023.

Gamundi, J.C. et al. EVALUACIÓN DEL DAÑO DE TRIPS Caliothrips phaseoli (Hood) EN SOJA. Para mejorar la producción. 30: 71-76, 2005.

POZEBON, H. O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE TRIPES EM SOJA: Mais Soja, 2022. Disponível em: < https://maissoja.com.br/o-que-voce-precisa-saber-sobre-tripes-em-soja/#:~:text=Os%20tripes%20s%C3%A3o%20insetos%20raspadores,phaseoli%20(tripes%2Dcarij%C3%B3). >, acesso em: 04/01/2023.

SOSA-GÓMEZ, D. R. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE INSETOS E OUTROS INVERTEBRADOS DA CULTURA DA SOJA. Embrapa, Documentos, n. 269, 2014. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/991685/1/Doc269OL.pdf >, acesso em: 04/01/2023.

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Equipe Mais Soja
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