Atualmente, as culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar representam 80% do total de vendas no setor de agrotóxicos. Alguns fatores contribuem para esses altos índices, como a dimensão do país, a variedade de safras e o clima tropical.

De acordo com a EMBRAPA, a área com incidência de Capim Amargoso (Digitaria insularis) aumentou em 22% nos últimos anos, chegando a reduzir a produtividade da soja em mais de 40%. No Brasil, existem hoje em torno de 8 milhões de hectares com populações resistentes. Com o grau de infestação de 4 indivíduos/m², os prejuízos na lavoura de soja podem chegar a 13 sacas/ha.

Tendo em vista este contexto, o uso de herbicidas se faz necessário no controle de plantas daninhas presentes na lavoura. Porém, a utilização desses insumos de maneira desorganizada e superestimada leva ao desperdício de toneladas de agrotóxicos e fertilizantes, o que pode causar riscos ao ambiente, além de elevar o custo de produção do produtor rural.

Os drones são o novo olho do consultor. Isso não significa substituição de mão de obra. Ao contrário, os drones oferecem aos profissionais, informações de toda a lavoura com rapidez e alta precisão, para entregar diagnósticos mais inteligentes ao produtor. No plantio da soja, é possível analisar – não baseado em amostras, mas sim em toda a área – a saúde da vegetação, informações do relevo, identificar falhas no plantio e infestação de plantas daninhas. Tudo isso com o uso dos drones.



Mas afinal, como isso acontece?

O primeiro passo é o voo de mapeamento com o drone. Para cobrir grandes áreas, o indicado é utilizar drones do tipo asa fixa, que mapeiam por voo cerca de 500 a 3000 ha. Após o voo, deve-se realizar o processamento das imagens capturadas para obtenção dos mapas e das análises agronômicas, conforme o esquema abaixo:

Figura 1: Esquema para obtenção de mapas cartográficos a partir do uso de drones.

Fonte: Horus Aeronaves.

Identificação de pontos críticos com drones

Com os índices de vegetação é possível detectar a variabilidade da lavoura com informações da área total. Ainda no mesmo mapa, pontos críticos georreferenciados podem servir de base para o monitoramento da lavoura e coletas periódicas para identificar problemas como compactação do solo, plantas daninhas entre outros.

Nematoides

É possível identificar os sintomas na parte aérea da planta, como a redução do porte, baixo vigor e até a morte da planta. Em casos severos há perdas significativas da produção, em torno de 13%, de acordo com a Embrapa. Como os pontos indicados no mapa são georreferenciados, amostras podem ser coletadas para análises de laboratório e validação. Assim, é possível fazer a mensuração do grau de infestação do patógeno, e o agrônomo pode definir quais práticas tomar para amenizar o problema e manter a população dos nematoides abaixo do nível de dano econômico.

Compactação do solo

A compactação do solo é causada principalmente pela transição recorrente de máquinas e animais na lavoura, o que gera aumento da resistência do solo e diminuição da porosidade e permeabilidade, reduzindo a disponibilidade de água e nutrientes. As consequências são: aumento das chances de erosão, diminuição no estande de plantas, e redução do crescimento e desenvolvimento das raízes das plantas. Isso leva à uma queda de até 60% em produtividade. Esse fator também pode ser amenizado com a utilização de drones.

Deficiência nutricional

Monitorar a área total da lavoura é uma tarefa difícil, principalmente em grandes áreas. Por isso, os drones são utilizados.

Para ter informações imediatas da safra, é necessário fazer o monitoramento com o uso de drones. Para áreas acima de 250 ha o recomendado é o uso de drones asa fixa. Já para áreas menores, os multirotores podem ser utilizados. Após o voo, as imagens capturadas pelo drone são processadas e transformadas em mapas. E neste momento você obtém todas as informações da lavoura. No plantio da soja, os dados gerados com o uso de drones são:

  • Mapa e relevo da lavoura;
  • Identificação de falhas no plantio;
  • Análise da saúde da vegetação;
  • Análise de cobertura;
  • Localização de daninhas;
  • Aplicação em taxa variável.

Pensando nisso, os VANTs, Veículos Aéreos Não Tripulados, popularmente conhecidos como drones, com câmeras multiespectrais embarcadas, foram desenvolvidos para realizarem o mapeamento da área e gerarem mapas com diversos índices de vegetação, sendo possível através destes, a geração de mapas de aplicações local de insumos, o qual indica ao trator os locais em que devem ser aplicados os insumos e onde não aplicar, diminuindo desta forma, o custo de produção.

Com o uso do VANT Maptor, por exemplo, foi possível realizar o aerolevantamento em uma propriedade no Estado do Mato Grosso do Sul e após a aplicação de índices de vegetação, identificou-se os pontos com real necessidade de aplicação de insumos. A partir desses pontos localizados nos mapas, foi gerado um arquivo shapefile para que os tratores automatizados reconhecessem e operassem a aplicação de herbicidas de forma independente.

A operação tinha como objetivo criar uma metodologia de aplicação local de herbicida através de imagens geradas pelo sensor embarcado no VANT e a metodologia de geração das imagens, índices e shapefiles na área destinada foi desenvolvida pela equipe de geoprocessamento da Horus. O trabalho se deu da seguinte maneira:

  1. Escolha da área de estudo: Talhão de 50 ha no município de Maracaju – MS;
  2. Voo do VANT sobre a área de interesse para obtenção das imagens;
  3. Processamento e pós processamento de imagens com aplicação de um índice de vegetação para diferenciar áreas com incidência do Capim Amargoso (Digitaria insularis) e com solo exposto;
  4. Geração do mapa com prescrições específicas foi desenvolvido para aplicar o herbicida apenas em áreas com a infestação das plantas daninhas;
  5. Integração com Trator Automatizado.

Como resultados, foi produzido um ortomosaico, que é o primeiro produto do processamento das imagens. Com este mapa, além de ter uma visão total da propriedade, tem-se todas as coordenadas geográficas por pixel da área. A Plataforma On-line de Processamento de Imagens identifica e diferencia as áreas com infestação de plantas daninhas do solo exposto. Com essa informação, foi gerado o mapa de prescrição em shapefiles.

Figura 1: Exportação para shapefiles – Mapa de Prescrição em Shapefile.

Fonte: MAPPA.

Por fim, foi realizada a integração com trator automatizado e foi alcançada uma economia em insumos de R$ 70,53 por hectare, o que representou 50% de redução no custo com insumos nessa lavoura.

Para ter acesso a esses resultados, clique aqui.



O que eu ganho ao usar drones na consultoria agronômica?

TEMPO – O tempo gasto em campo para fazer o diagnóstico das lavouras com o uso dos drones é diminuído em até 80%.

 ECONOMIA DE RECURSOS – Apenas 1 VANT + 1 operador para mapear 1500 ha em 90 minutos.

IMAGENS COM ALTA PRECISÃO – As imagens capturadas pelos drones permitem fazer análises minuciosas, pois possuem alta resolução e precisão geográfica centimétrica.

INFORMAÇÕES DE TODA A ÁREA – Os diagnósticos não são baseados em amostras, mas sim em toda a área. E assim, é possível fazer a identificação a campo com efetividade.

Por fim, para garantir um manejo eficiente deve-se realizar a análise do solo, mapa de produtividade e a indicação de pontos georreferenciados com anomalias, garantindo assim maior economia para o produtor (a economia pode variar de 20% a 50%, dependendo do manejo adotado), além do aumento no faturamento, uma vez que a prestação de serviço com o uso de drones fideliza o produtor em toda a safra. Ou seja, é possível faturar 2 a 3 vezes mais.

Para saber mais clique aqui.


Elaboração: Andréia Procedi – Equipe Mais Soja com informações de Horus Aeronaves.

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