Na Argentina, o REM define os 10 pilares para a gestão racional de plantas daninhas. Essas práticas estão agrupadas entre aquelas que nos permitem avançar no problema, aquelas que promovem um bom ambiente para o cultivo e aquelas que são usadas para controlar as ervas daninhas que também crescem.

Dentro deste último grupo, uma das práticas recomendadas é o uso de herbicidas residuais. Herbicidas residuais são aqueles que, após serem aplicados ao solo, têm a capacidade de permanecer ativos por algum tempo em sua solução. Eles agem controlando as ervas daninhas que estão para nascer sem ter, em grande parte, ação sobre as ervas daninhas que já estão estabelecidas no lote de pré-aplicação.

Esses herbicidas, quando depositados no solo, sofrem a influencia de muitos fatores , desde o momento em que são aplicados até que efetivamente executem sua ação de controle, sendo esses fatores divididos em:

  • Edáficos (MO, pH, microorganismos),
  • Ambientais (precipitação, temperatura, radiação)
  • E a própria molécula (solubilidade, pressão de vapor).

Da mesma forma, como em qualquer aplicação de produtos fitofarmacêuticos, a porcentagem de controle alcançado também dependerá de fatores de gerenciamento, como a seleção do herbicida, data de aplicação, situação do lote, qualidade da aplicação, entre outras coisas.

Deve-se notar que um ponto essencial no uso de resíduos é a necessidade de um planejamento antecipado que considere a análise de quais espécies de plantas daninhas estão presentes no lote e seus fluxos de emergência para chegar a tempo com a aplicação anterior. Com isso se da a importância do monitoramento periódico e a existência de modelos de previsão de emergência de plantas daninhas por espécie e área.

Como conseqüência de uma aplicação adequada, os resíduos permitem que o cultivo seja implantado em um lote livre de ervas daninhas, evitando assim a competição nos estágios iniciais e a necessidade de controles pós-emergência que gerem estresse na lavoura, custos mais altos e muitas vezes são menos eficientes.

Além disso, esses herbicidas reduzem a pressão de seleção para determinados pós-emergentes, devido à diminuição do número de indivíduos presentes no lote e, assim, atrasando o aparecimento de resistência que pode ocorrer.

Uma prática estratégica no controle de plantas daninhas problemáticas é o que é chamado de “sobreposição”, ou seja, a aplicação sequencial de herbicidas residuais, gerando uma sobreposição em suas ações de controle, o que nos permite manter o lote limpo por mais tempo e substituir o aplicação repetida de herbicidas pós-emergência. Também aqui deve-se levar em consideração a rotação dos locais de ação utilizados para diminuir a pressão de seleção da resistência.

Exemplo de diagrama de sobreposição na curva de emergência de Amaranthus palmeri na Argentina.

Ao contrário do que normalmente se acredita para esse tipo de produto, uma pulverização de qualidade deve ser realizada para obter uma cobertura uniforme no lote. Nesse caso, também é recomendada a aplicação do herbicida residual junto com um coadjuvante, pois isso ajuda o ingrediente ativo hidratado a se espalhar melhor nos primeiros centímetros do solo e também cumpre a função de proteção quando as condições ambientais não são ideais.

Da mesma forma, deve-se esclarecer que, quando usamos os herbicidas residuais incorretamente, entendendo-se por isso: aplicações sem respeitar os períodos de carência, os usos para os quais os produtos estão registrados ou a rotatividade de ativos, podemos encontrar alguns aspectos negativos. Entre estes podemos citar:

  • Transição, dano causado pela ação residual do herbicida na safra subsequente à qual foi aplicado
  • Efeitos fitotóxicos aditivos e sinérgicos de empilhamento, devido ao acúmulo de ativos por aplicações repetidas de herbicidas residuais.
  • Perda de ativos devido à lixiviação (deslocamento para camadas inferiores) ou escoamento superficial (deslocamento para baixo), principalmente devido a chuvas excessivas, que podem causar contaminação de camadas ou cursos de água e acúmulo de ativos em áreas baixas.

Portanto, entender as características do lote, as propriedades básicas dos herbicidas residuais e como eles interagem é essencial para poder usar essas ferramentas corretamente dentro de um gerenciamento abrangente do sistema e, de preferência, com uma visão de longo prazo.



Fonte: Adaptado de Aapresid REM

Texto originalmente publicado em:
Aapresid
Autor: Aapresid Rem

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