De nome científico Diabrotica speciosa, a vaquinha da soja é também conhecida como vaquinha-patriota, vaquinha-verde e diabrótica. Sendo um besouro da família dos crisomelídeos, essa praga agrícola pode ocasionar danos severos à cultura tanto na fase larval quanto adulta (Figura 1). Além disso, é considerada problemática pelo alto potencial de desfolha, prejudicando a área fotossintética das plantas e influenciando no crescimento e desenvolvimento da soja.

Figura 1. Larva e besouro (adulto) de D. speciosa

Fonte: LANZETTA, P., SILVA, J. Confira a imagem original clicando aqui

As fêmeas adultas de D. speciosa depositam seus ovos geralmente em solos escuros e úmidos, ao redor das plantas. Esses ovos são de cor amarelada, e vão dar origem às larvas. As larvas, por sua vez, são de cor branca e medem cerca de 10 mm. A maioria delas fica ao redor das plantas, o que facilita sua identificação. Elas atacam as raízes da soja, interferindo na absorção de água e nutrientes, reduzindo a sustentação das plantas, podendo causar a morte de plântulas e a diminuição no estande da lavoura, além de perfurações nas folhas cotiledonares.

Posteriormente as larvas se tornam pupas e, em seguida, adultos. Os adultos são besouros de corpo verde com manchas amarelas e cabeça avermelhada, que medem cerca de 6 mm de comprimento (Figura 2). Eles atacam as folhas da soja, abrindo pequenos orifícios e causando desfolha, diminuindo a atividade fotossintética e afetando diretamente a produtividade da cultura. Além disso, as flores e vagens pequenas podem ser também prejudicadas, o que pode levar inclusive à falhas na formação de grãos.

Figura 2. Ciclo biológico de D. speciosa

Fonte: EMBRAPA. Confira a imagem original clicando aqui

Uma das formas de prevenir a ocorrência de vaquinha nas lavouras de soja é escolher sementes de qualidade, que apresentam maior resistência à ação do inseto. Atentar-se para a preparação do solo também ajuda a eliminar possíveis plantas hospedeiras, visto que o plantio direto favorece a permanência desses insetos. Porém, uma vez que a praga está instalada, existem formas de manejo para combatê-la e livrar-se do problema.

O primeiro passo é monitorar a lavoura para identificar o aparecimento e a proliferação do inseto, bem como os danos já causados. Para isso, o uso de softwares de gestão auxilia o produtor na tomada de decisões (Figura 3).

Figura 3. Monitoramento dos talhões por meio de programas computacionais

Fonte: ZATTI, A. Confira a imagem original clicando aqui

O controle biológico vem sendo empregado cada vez mais no manejo integrado de pragas das principais culturas agrícolas. Segundo estudos, os agentes de controle biológico mais eficientes para o manejo de D. speciosa são os inimigos naturais (Celatoria bosqi e Centistes gasseni) e os fungos (Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae).

Por fim, o controle químico é o método mais utilizado para neutralizar a infestação de vaquinha na cultura da soja. Ele pode ser realizado de duas formas: aplicações direto no sulco e uso de granulados. Frequentemente, o tratamento de sementes com fipronil apresenta bons resultados; em certos casos, é viável realizar controle apenas nas reboleiras onde ocorre o ataque. A escolha da estratégia de controle mais adequada sempre dependerá da situação do ataque na lavoura.

Considerações finais

Ocorrendo principalmente nos estados do Sul e em algumas áreas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, os danos causados pela vaquinha da soja são importantes ao final da safra, pois causam perdas que refletem na lucratividade do produtor rural.

Visto que tanto o excesso quanto a baixa umidade do solo são desfavoráveis à sobrevivência das larvas de D. speciosa, o método de preparo de solo influencia diretamente na densidade populacional da praga, onde a maior ocorrência se dá no sistema de plantio direto quando comparado ao plantio convencional. Diante disso, o método de controle mais usado no Brasil para o manejo de D. speciosa em soja é o emprego de inseticidas químicos aplicados via tratamento de sementes, granulados e pulverização no sulco de plantio.

Elaboração do texto: Rael Adams, estudante do Curso de Agronomia na UFSM e membro do grupo Manejo e Genética de Pragas – UFSM

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM



REFERÊNCIAS

D’ALAMA, A. Conheça as principais pragas controladas pela tecnologia Bt em soja, milho e algodão. Crop Life Brasil. Publicado em 5 de outubro de 2017. Disponível em https://boaspraticasagronomicas.com.br/noticias/conheca-as-principais-pragas-controladas-pela-tecnologia-bt-em-soja-milho-e-algodao/

EDUARDO. O que é vaquinha da soja? Como se livrar dela? Irrigat. Publicado em 16 de dezembro de 2020. Disponível em https://www.irrigat.com.br/vaquinha-da-soja/

GOMES, D. R. S. Vaquinhas. Ageitec – Agência Embrapa de Informação Tecnológica. Disponível em https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/soja/arvore/CONT000fznzu9ia02wx5ok0cpoo6ah02dcbn.html

Pragas da soja: Vaquinha. Farmbox. Publicado em 17 de abril de 2017. Disponível em https://blog.farmbox.com.br/pragas-da-soja-vaquinha/

SANTOS, R. F. Vaquinha da soja: como fazer o controle eficiente dessa praga em sua lavoura. Lavoura 10. Publicado em 16 de outubro de 2020. Disponível em https://blog.aegro.com.br/vaquinha-da-soja/#:~:text=A%20vaquinha%20da%20soja%20%C3%A9,soja%20e%20tamb%C3%A9m%20do%20milho.

ZATTI, A. Vaquinha na soja – como identificar e controlar. Plantae – Gestão Agrícola. Publicado em 24 de novembro de 2020. Disponível em https://www.plantae.agr.br/blog/2020/11/24/vaquinha-na-soja-como-identificar-e-controlar/

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