A rotação de culturas associada a cobertura permanente e o mínimo revolvimento do solo compõe os princípios básicos do sistema plantio direto (SPD) (Franchini; Costa; Debiasi, 2011). Visando a sustentabilidade e rentabilidade dos cultivos, a produção agrícola deve ser vista como um sistema de produção, onde ações em conjunto devem ser realizadas a fim de proporcionar melhor lucratividade e sustentabilidade da produção.

Embora o foco das propriedades rurais possa variar de acordo com o objetivo e aptidão, a visualização da propriedade como um sistema de produção auxilia na definição de práticas de manejo, as quais devem compor o planejamento de atividades visando dado objetivo. Em grande parte das propriedades produtoras de grãos, culturas de verão como a soja, são o “carro chefe” da propriedade.

Em situações como essa, visando a melhor produtividade das culturas de verão, o estabelecimento de manejos, tais como a rotação de culturas, exerce importante papel  na manutenção do sistema plantio direto, macro, meso e microfauna do solo. Quando bem inseridas no sistema de produção, respeitando a rotação de culturas, plantas de cobertura ou culturas de inverno contribuem significativamente para a melhoria de atributos do solo, além de possibilitar a cobertura do solo por meio da palhada residual.

Segundo Tiecher (2016), culturas como a aveia preta, podem produzir quantidade de matéria seca da parte aérea superior a 7.000 kg.-1, produção similar a Crotalaria spectabilis, que além de exercer importante papel na rotação de culturas, possui a capacidade de atuar na redução populacional de algumas espécies de nematóides fitopatogênicos.


Veja mais: Soja após Crotalária – aumento da produtividade e controle de nematoides


Tabela 1. Produção de matéria seca (MS) e acúmulo de carbono (C) e nitrogênio (N) da parte aérea das principais espécies de plantas de cobertura de solo utilizadas em sistemas de culturas na Região Sul do Brasil.

Fonte: Redin (2008, 2010, 2014a, 2014b), Apud. Tiecher (2016)

As plantas de cobertura possibilitam o aumento da intensidade de uso do solo e da diversificação de cultivos, com maior quantidade de espécies com diferentes características morfofisiológicas, cultivadas no sistema de rotação e sucessão da propriedade (Bogiani & Ferreira, 2017).

Figura 1. Esquema das diferentes plantas e seus sistemas radiculares.

Fonte: Bogiani & Ferreira (2017)

O planejamento do sistema de produção exerce influência direta no sucesso produtivo, sendo necessário para a produção de grãos, estabelecer condições adequadas para que a cultivar possa expressar seu potencial produtivo. A rotação de culturas é uma das principais ferramentas para viabilizar o sistema plantio direto, reduzindo a pressão de pragas e patógenos sobre as culturas de interesse econômico.



Assim como para a produção de grãos, para as demais atividades agropecuárias a definição do sistema de produção e sua condução é de suma importância para o sucesso produtivo e rentabilidade da atividade, sendo necessário pensar no sistema produtivo e não só em atividades singulares de forma isolada.

Confira abaixo o que o pesquisador da CCGl Tiago Hörbe tem a dizer sobre o Sistema de Produção.


Inscreva-se agora no Canal Rede Técnica Cooperativa – RTC clicando aqui!



Referências:

BOGIANI, J. C.; FERREIRA, A. C. B. PLANTAS DE COBERTURA NO SISTEMA SOJA-MILHO-ALGODÃO NO CERRADO. IPNI, Informações Agronômicas, n. 160, 2017. Disponível em: < http://www.ipni.net/publication/IA-BRASIL.NSF/0/35C19FD1CEF13F5483258210003BD848/$FILE/Page1-15-160.pdf >, acesso em: 07/10/2021.

FRANCHINI, J. C.; COSTA, J. M.; DEBIASI, H. ROTAÇÃO DE CULTURAS: PRÁTICA QUE CONFERE MAIOR SUSTENTABILIDADE À PRODUÇÃO AGRÍCOLA NO PARANÁ. IPNI, Informações Agronômicas, n. 134, 2011. Disponível em: < http://www.ipni.net/publication/ia-brasil.nsf/0/d88eb80e259ba11e83257a8f005e67e3/$file/page1-13-134.pdf >, acesso em: 07/10/2021.

TIECHER, T. MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA EM PEQUENAS PROPRIEDADES RURAIS NO SUL DO BRASIL: PRÁTICAS ALTERNATIVAS DE MANEJO VISANDO A CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA. UFRGS, 2016. Disponível em: < http://www.agrisus.org.br/arquivos/livro_RGS.pdf >, acesso em: 07/10/2021.

Acompanhe nosso site, siga nossas mídias sociais (Site, Facebook, Instagram, Linkedin, Canal no YouTube) 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.