A disponibilidade hídrica é o principal fator limitante da produtividade da soja. Ainda que varie de acordo com a cultivar, grupo de maturidade relativa (GMR) e rendimento, estima-se que para a obtenção de altas produtividade sejam necessários cerca de 800 mm-1, bem distribuídos ao longo do ciclo da soja.
Estudos conduzidos pela equipe Field Crops demonstram que, com o aumento do ciclo da soja, tem-se o aumento do requerimento hídrico da cultura. Os valores de exigência de água para a região Sul do Brasil para cultivares com GMR ≤ 5.5 é de 765 mm, para GMR 5.6 a 6.4 é 830 mm e para GMR ≥ 6.5 seria 875 mm (Tagliapietra et al., 2022).
Entre outros fatores, o estresse por déficit hídrico reduz a taxa fotossintética da planta e consequentemente o transporte a acúmulo de fotoassimilados nos grãos, refletindo negativamente no crescimento e produtividade da soja. Os efeitos do déficit hídrico são ainda maiores quando o estresse hídrico ocorre durante o período reprodutivo da soja, onde há uma maior evapotranspiração da cultura e consequentemente maior requerimento hídrico.
Conforme observado por Andrade et al. (2025), o estresse hídrico durante a fase reprodutiva acarreta em queda no rendimento de grãos, afetando a altura das plantas e, também, o número de nós e de vagens, além de impactar negativamente na nodulação da planta, reduzindo atributos como número e massa de nódulos viáveis, podendo resultar em uma possível queda na fixação biológica de nitrogênio e prejudicando o crescimento da planta.
Em termos práticas, pode-se dizer que o período da floração-enchimento de grãos (R1-R6) é a fase mais crítica e mais sensível da soja a ocorrência de déficits hídricos. Estudos demonstram que o volume de água ideal para atender às necessidades da cultura durante essa fase varia entre 120 mm a 300 mm, bem distribuídos (Farias; Neumaier; Nepomuceno, 2009).
Conforme observado por Gava et al. (2015), o déficit hídrico ocorrido durante a fase reprodutiva da soja, especialmente no período de enchimento de grãos (Figura 1 – DS3), pode causar impactos equivalentes àqueles decorrentes do estresse hídrico ao longo de todo o ciclo da cultura (Figura 1 – DCT). Nessas condições, as perdas de produtividade são substanciais, evidenciando que o risco associado ao déficit hídrico nessa fase crítica é comparável ao risco da ocorrência de estresse hídrico durante todo o ciclo da soja.
Figura 1. Produtividade da soja submetida a diferentes estratégias de irrigação. Déficit no ciclo total (DCT), Déficit de V2 a V12 (DS1), Déficit de R1 a R3 (DS2), Déficit de R4 a R6 (DS3), Déficit de R7 a R8 (DS4), Excesso no ciclo total (ECT), Excesso de V2 a V12 (ES1), Excesso de R1 a R3 (ES2), Excesso de R4 a R6 (ES3), Excesso no R7 a R8 (ES4), Irrigação Plena (IP).

Quando o déficit hídrico ocorre durante o período vegetativo, há perda de rendimento?
O impacto do déficit hídrico durante o período vegetativo da soja é condicionado por fatores como a intensidade e a duração do estresse, a taxa de evapotranspiração da cultura nesse período e as condições ambientais que podem potencializar seus efeitos, como temperatura elevada e ventos intensos. De modo geral, estudos indicam que a ocorrência de déficit hídrico na fase vegetativa da soja não resulta, normalmente, em perdas expressivas de produtividade, desde que os níveis de umidade do solo e a disponibilidade hídrica sejam restabelecidos durante a fase reprodutiva da cultura.
Sobretudo, o déficit hídrico nesse período pode comprometer o crescimento das plantas e atributos morfológicos e qualitativos, como área foliar e estatura. Corroborando o exposto, ao avaliar os efeitos do estresse hídrico na produtividade da soja, Alves et al. (2023) observaram que, independentemente da ocorrência de déficit hídrico durante a fase vegetativa (de V1 a V9), não houve prejuízos à fase reprodutiva da cultura, desde que, nesse período, as plantas recebessem irrigação e houvesse adequada disponibilidade hídrica. Ainda assim, a restrição hídrica na fase vegetativa pode afetar características fisiológicas das plantas, mesmo que não se reflita diretamente na produtividade final.
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Referências:
ALVES, R. E. A. et al. EFEITO DO ESTRESSE HÍDRICO NA PRODUTIVIDADE DA SOJA. Revista Observatorio de la Economia Latinoamericana, 2023. Disponível em: < https://ojs.observatoriolatinoamericano.com/ojs/index.php/olel/article/view/2008/1537 >, acesso em: 21/01/2026.
ANDRADE, S. R. M. et al. IMPACTO DO ESTRESSE HÍDRICO NA NODULAÇÃO DA SOJA. X Congresso Brasileiro de Soja, 2025. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/handle/doc/1177643 >, acesso em: 21/01/2026.
FARIAS, J. R. B.; NEUMAIER, N.; NEPOMUCENO, A. L. SOJA. INMET, Agrometeorologia dos cultivos: O fator meteorológico na produção agrícola, 2009. Disponível em: < https://www.embrapa.br/documents/1355291/37056285/Bases+climatol%C3%B3gicas_G.R.CUNHA_Livro_Agrometeorologia+dos+cultivos.pdf/13d616f5-cbd1-7261-b157-351eaa31188d?version=1.0 >, acesso em: 21/01/2026.
GAVA, R. et al. ESTRESSE HÍDRICO EM DIFERENTES FASES DA CULTURA DA SOJA. Revista Brasileira de Agricultura irrigada, 2015. Disponível em: < https://www.inovagri.org.br/revista/index.php/rbai/article/view/368/pdf_248 >, acesso em: 21/01/2026.
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.





