A cultura da soja no Rio Grande do Sul apresenta elevada variabilidade do potencial produtivo entre lavouras em função da distribuição irregular das precipitações e da persistência de elevada demanda evaporativa. Essas condições resultaram em déficits hídricos diferenciados entre regiões e áreas de cultivo.
As chuvas ocorridas entre 12 e 15/02 proporcionaram recomposição parcial da umidade do solo numa área mais abrangente, especialmente na Fronteira com o Uruguai e Centro-Oeste do Estado, o que levou à recuperação da turgidez vegetal e à atenuação temporária dos sintomas de estresse hídrico. Em parte das lavouras, a produtividade projetada está próxima à expectativa inicial, condicionada à continuidade das precipitações nas próximas semanas. Entretanto, perdas já se encontram consolidadas em lavouras submetidas a déficit hídrico prolongado, sobretudo em solos rasos, arenosos e em posições de relevo mais elevadas.
Predomina a fase reprodutiva (85%), 35% das áreas estão em florescimento e 50% em enchimento de grãos, período crítico para definição de rendimento. Observam-se, nas áreas mais afetadas, senescência precoce, abortamento de flores e vagens, redução da área foliar e heterogeneidade de estatura de plantas como reflexo da situação hídrica das últimas semanas.
Já as áreas com maior capacidade de retenção de água, como várzeas e lavouras com adequada cobertura de palhada, mantêm melhor condição fisiológica e maior potencial produtivo.
Não há pressão significativa de pragas. Realizam-se controles pontuais de ácaros, tripes e percevejos. Há incidência de ferrugem-asiática, principalmente em locais com maior umidade, e são realizadas aplicações calendarizadas de fungicidas e alternância de princípios ativos.
Para a Safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar indica área cultivadade 6.742.236 hectares. Nova estimativa de produtividade está sendo realizada até o final de fevereiro e deverá ser divulgada no início de março.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as chuvas ocorridas em 12/02 (volumes de 9 a 37 mm) atenuaram parcialmente o estresse hídrico, mas a distribuição foi irregular. Estimam-se perdas consolidadas entre 5% e 10% nas lavouras em estádio R5, enquanto áreas sem reposição hídrica apresentam porte reduzido e falhas no fechamento das entrelinhas. Áreas de várzea mantêm elevado potencial produtivo em função da maior retenção de umidade e fertilidade, assim como lavouras com boa cobertura de palhada.
Persistem sintomas de estresse em coxilhas e solos rasos e arenosos em razão da intensificação do déficit hídrico na Fronteira Oeste e Campanha. Em Manoel Viana, levantamentos de campo indicam perdas de produtividade de aproximadamente 50% em relação à expectativa inicial.
Na de Caxias do Sul, observa-se elevada variabilidade no potencial de rendimento. As áreas bem supridas por precipitações apresentam adequada estatura e formação de flores e vagens, enquanto áreas mais afetadas pela ausência de umidade registram abortamento reprodutivo e redução da estatura das plantas.
Na de Erechim, a cultura se encontra em floração e enchimento de grãos. Tem sido realizado monitoramento fitossanitário intensificado para ferrugem-asiática. Em solos rasos, já se evidenciam perdas potenciais em função do estresse hídrico e térmico, que provocou secamento de áreas e do abortamento de flores em função. Na ausência de precipitações significativas, as perdas tendem a se intensificar.
Na de Frederico Westphalen, a irregularidade das chuvas, associada a altas temperaturas e baixa umidade relativa, resultou em perda de área foliar, senescência precoce e abortamento reprodutivo. As perdas médias estimadas atingem cerca de 30%.
Na de Ijuí, o período até 15/02 foi marcado por temperaturas elevadas, baixa precipitação e alta demanda evaporativa, intensificando o estresse hídrico. As chuvas recentes promoveram recuperação parcial. Porém, as perdas de produtividade já são evidentes, variando conforme estádio fenológico e capacidade de retenção hídrica dos solos. Predomina a fase de granação, e inicia a de maturação em cerca de 5% das áreas (em algumas de modo antecipado). Observam-se plantas vigorosas em áreas com melhor condição hídrica bem como senescência antecipada nas áreas sob estresse.
Na de Pelotas, até 12/02, o déficit hídrico continuou severo, causando murchamento diurno das plantas. As temperaturas elevadas favoreceram abortamento de flores e vagens. A partir de 12/02, ocorreram chuvas generalizadas (de volumes entre 20 e 140 mm), que proporcionaram recuperação parcial do potencial produtivo. A distribuição fenológica indica 21% das áreas em desenvolvimento vegetativo, 52% em florescimento e 27% em enchimento de grãos.
Na de Santa Maria, após bom desenvolvimento inicial, a insuficiência de chuvas em janeiro e fevereiro resultou em perda significativa do potencial produtivo. Houve morte de plantas em reboleiras, redução de área foliar e maior incidência de pragas (tripes, ácaros e lagartas), além de presença pontual de percevejos. Mais de 78% das lavouras se encontram em fase reprodutiva. As chuvas interromperam a escalada de perdas, mas, em Tupanciretã, estima-se redução na produtividade entre 20% e 30% nas áreas em enchimento de grãos.
Na de Santa Rosa, as lavouras se distribuem em 25% em desenvolvimento vegetativo, 40% em floração e 34% em enchimento de grãos, com acentuada desuniformidade fenológica decorrente da variabilidade pluviométrica nas fases críticas de definição de rendimento. Em áreas com solos rasos e pedregosos, sem chuvas expressivas no período de 40 dias, as perdas superam 70%. Em solos mais profundos e com ocorrência de precipitações, as perdas são menores, mas relevantes.
Na de Soledade, a cultura ainda mantinha o potencial produtivo satisfatório em função da ocorrência de pancadas de chuva. Após as precipitações mais abrangentes, em 14 e 15/02, as projeções indicam produções próximas às estimativas iniciais. Nas áreas não contempladas pelas chuvas anteriores, persistem os sintomas de estresse hídrico, que estão mais intensos em solos com limitações físicas e menor capacidade de retenção de água. A distribuição fenológica indica 5% em fase vegetativa, 40% em florescimento e 55% em enchimento de grãos. São realizados tratamentos fitossanitários para ferrugem-asiática e pragas associadas ao clima seco.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 0,22 %, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 117,99 para R$ 118,25.
Fonte: Emater/RS




