O setor agropecuário registrou crescimento de 11,7% em relação a 2024 e respondeu por 32,8% da alta de 2,3% do PIB em 2025

Números do IBGE voltam a comprovar pujança do setor para a economia
Confirmando as projeções de produtores, analistas de mercado e autoridades, a agropecuária liderou a expansão da economia brasileira em 2025. O setor registrou crescimento de 11,7% (para R$ 775,3 bilhões) em relação a 2024 e respondeu por 32,8% da alta de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no período. Os dados foram divulgados na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o maior avanço percentual entre os setores e componentes considerados na pesquisa. Todos os demais apresentaram crescimento abaixo de 3% no ano.
Segundo o IBGE, a variação do Valor Adicionado da Agropecuária no ano decorreu, principalmente, do crescimento da produção e da produtividade na agricultura. O instituto destacou o crescimento de 23,6% da produção de milho em 2025 e de 14,6% da produção de soja, recordes na série histórica, conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE). O IBGE também chamou atenção para a contribuição positiva da pecuária no ano passado.
No quarto trimestre, o PIB da Agropecuária cresceu 12,1% na comparação com o mesmo intervalo de 2024 e 0,5% em relação ao terceiro trimestre de 2025. O avanço em relação ao último trimestre de 2024, segundo o IBGE, foi decorrente da contribuição positiva da pecuária e ao bom desempenho de alguns produtos com safra relevante no trimestre, em especial fumo (29,8%), laranja (28,4%) e trigo (3,7%).
Repercussão e expectativa para ciclos seguintes

O Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, enfatizou em nota oficial divulgada por sua assessoria que os resultados comprovam o valor estratégico do setor para o país. “Mais uma vez, a agropecuária brasileira se consolida como um grande esteio da economia nacional. Mesmo diante de dificuldades pontuais, como preços de commodities achatados e o endividamento em alguns segmentos, a resiliência, a competência e a capacidade produtiva do setor têm sido determinantes para o crescimento do Brasil”, afirmou.
Para 2026, especialistas apontam que fatores como o enfraquecimento da rentabilidade e a alta inadimplência no campo podem afetar negativamente os volumes de produção e, por consequência, limitar os próximos resultados do PIB. Também tendem a pesar sobre os resultados o movimento de preços das commodities, ainda em patamar baixo para produtos como soja, milho e açúcar, entre outros.
Neste contexto, seria importante um Plano Safra mais robusto em volume de recursos federais e condições para tomada de crédito, que possam apoiar o setor para o ciclo de 2026/27. O conflito no Irã, que nos últimos dias gerou incertezas para diversos setores do agronegócio, tende a ter impacto limitado no PIB da Agropecuária de 2026.
Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), índice que representa o faturamento bruto dentro da porteira, vai cair 4,6% em 2026, para R$ 1,4 trilhão, na comparação com os dados consolidados de 2025. O cálculo leva em consideração a média dos preços reais (IGP-DI) recebidos pelos produtores rurais de todo o país.
Ainda de acordo com a CNA, embora haja expectativa de aumento na produção da pecuária e de parte das commodities agrícolas, os preços menores projetados para este ano, em comparação com os preços médios de 2025, repercutiram na previsão de queda do VBP agropecuário.
Auto Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br
Fonte: SNA



