O trigo igualmente assistiu, em Chicago, a um forte recuo em suas cotações nesta primeira semana de junho. O primeiro mês cotado fechou a quinta-feira (04) em US$ 5,81/bushel, contra US$ 6,24 uma semana antes. A média de maio passado ficou em US$ 6,35, sendo 5,6% superior à média de abril. Lembrando que a média de maio/25 foi de US$ 5,24/bushel. O fechamento deste dia 04/06 foi o mais baixo desde o dia 10/04 passado.

Enquanto isso, 5% das lavouras de trigo de inverno, nos EUA, no dia 31/05, estavam colhidas, contra a média de 3% para aquela data. Do restante a colher, 26% se apresentavam em condições entre boas a excelentes, 30% regulares e 44% entre ruins a muito ruins. Já o trigo de primavera estava com 94% das lavouras semeadas, contra a média de 89%. Do total semeado, 72% havia germinado, contra 67% na média.

Por sua vez, as exportações de trigo estadunidense, na semana encerrada em 28/05, atingiram a 839.000 toneladas para a safra nova, superando as expectativas do mercado. O maior comprador na semana foi a Coreia do Sul.

As baixas nas cotações também ocorreram em função de clima positivo nos EUA e o início da entrada da nova colheita do trigo de inverno. Mesmo que a produção total estadunidense venha a ser menor, a pressão da colheita influencia atualmente os preços.

E a Argentina informou que cortou em 2 pontos percentuais o seu imposto de exportação (retenciones) sobre o trigo a partir deste último dia 4 de junho. “Segundo o governo argentino, a redução busca aumentar a competitividade do setor, estimular investimentos e incentivar o plantio da safra 2026/27”. Embora a redução seja pequena, talvez a mesma venha a favorecer um aumento na atual área de trigo a ser semeada, a qual tem indicativo de forte recuo.

E no Brasil, os preços do trigo se mantêm em elevação, com as principais praças gaúchas chegando a R$ 68,00/saco e as paranaenses consolidando os R$ 70,00/saco. Em maio, o aumento ficou nítido em função da baixa disponibilidade interna e do recuo dos produtores nas vendas. Estes esperam preços ainda mais elevados para negociarem o trigo que resta. Segundo o Cepea, o preço médio do trigo no Paraná foi de R$ 1.352,59/tonelada, em maio/26, com avanço de 2,6% frente a abril, mas ainda 14,1% inferior ao registrado em maio/25, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI).

No Rio Grande do Sul, a média atingiu R$ 1.299,65/tonelada, com alta de 7,6% no comparativo mensal, sendo este o maior patamar desde agosto/25, embora permaneça 9,2% abaixo da média observada há um ano. Em São Paulo, o preço médio foi de R$ 1.467,25/tonelada, com elevação de 5,2% frente a abril, mas queda de 10% na comparação anual. Em Santa Catarina, a média foi de R$ 1.285,99/tonelada, com aumento de 4,1% no mês, mas retração de 13,5% em relação a maio/25.

Pesa também para a alta dos preços, a forte expectativa de importante recuo na área semeada neste ano, diante das incertezas climáticas e dos altos custos de produção.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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