Após a queda observada em junho, a cotação do algodão em pluma no mercado doméstico registrou recuperação em julho, com intensificação das altas na segunda quinzena. A recuperação dos preços esteve atrelada principalmente à postura firme dos vendedores, sustentada pelos preços mais altos no mercado internacional, pela oferta restrita de lotes de qualidade superior e pela necessidade imediata de parte dos compradores. Esse cenário ocorre em um momento em que a colheita e o beneficiamento estão em ritmo lento no Brasil e o saldo remanescente da safra 2024/25 de melhor qualidade permanece limitado.

Do lado da demanda, a indústria mantém postura cautelosa diante do desempenho ainda moderado das vendas de manufaturados. Os dados mais recentes do IBGE sinalizam leve reação. Em maio/26, as vendas no varejo de tecidos, vestuário e calçados avançaram 3,1%
frente a abril e 3,5% em relação a maio/25. Ainda assim, no acumulado de 2026, o crescimento é de apenas 0,1%, com retração de 0,5% nos últimos 12 meses.

Além disso, vendedores passam a priorizar o embarque dos contratos a termo à medida que a disponibilidade da safra nova aumenta gradualmente. Paralelamente às novas negociações com entrega nos próximos meses, o ritmo de comercialização da safra 2026/27 avançou nos últimos dias, sobretudo nos momentos em que os contratos da ICE Futures registraram valorização mais expressiva.

Nesse cenário, entre 30 de junho e 31 de julho, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em oito dias) avançou 1,96%, encerrando o dia 31 a R$ 4,2039/lp, o maior valor nominal desde 5 de junho de 2026 (R$ 4,2218/lp). Vale lembrar que o Indicador recuou em boa parte do mês, e, até o dia 21, a baixa acumulada era de 2,41%.

Em julho, a cotação interna permaneceu, em média, 4% acima da paridade de exportação, completando o sétimo mês consecutivo em que o mercado doméstico apresentou maior remuneração.

Apesar da recuperação observada na segunda quinzena, a média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,1092/lp em julho, baixa de 1,01% em relação à de junho/26. Na
comparação com julho de 2025, a retração real foi de 3,71%, considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de junho/26. Em dólar, a média à vista do Indicador foi de US$0,8011/lp em julho, 2,8% acima da média do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures), de US$ 0,7795/lp, mas ainda 9,7% abaixo da média de US$0,8870/lp do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente.

MERCADO INTERNACIONAL – A paridade de exportação (FAS), calculada pelo Cepea, acumulou alta de 2,2% entre 30 de junho e 31 de julho, encerrando o mês em R$ 3,9132/lp (US$ 0,7712/lp) no porto de Santos (SP) e em R$ 3,9237/lp (US$ 0,7733/lp) em Paranaguá (PR). O avanço refletiu a valorização de 4,04% do Índice Cotlook A, que fechou a US$ 0,8875/lp no dia 31, mesmo diante da desvalorização de 1,84% do dólar frente ao Real em julho, para R$ 5,074.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), entre 30 de junho e 31 de julho, o contrato Outubro/26 avançou 7,35%; o Dezembro/26, 2,82%; o Março/27, 6,68%; e o Maio/27, 6,66%.

SAFRA BRASILEIRA 2025/26 – Segundo dados divulgados no dia 14 de julho pela Conab, a produção brasileira de algodão na temporada 2025/26 está estimada em 4,06 milhões de toneladas, volume 2,05% superior ao projetado no relatório anterior, mas ainda 0,5% inferior à safra passada. O aumento decorre da revisão positiva da produtividade média, estimada em 2.011 kg/ha, altas de 2,13% frente ao levantamento anterior e de 2,8% em relação ao ciclo 2024/25. A área cultivada foi projetada em 2,02 milhões de hectares, com ligeiro recuo de 0,08% em relação ao relatório anterior e baixa de 3,2% em comparação com a temporada passada.

Enquanto as estimativas para a Bahia permaneceram inalteradas em julho, a Conab revisou para cima os números de Mato Grosso, principal estado produtor do País. A área cultivada em MT foi mantida em 1,39 milhão de hectares, estável em relação a junho, mas 4,7% inferior à da safra anterior. Em contrapartida, a produtividade e a produção foram elevadas
em 2,93% em relação ao relatório anterior. Com isso, a produção passou a ser estimada em 2,8 milhões de toneladas, volume 1,8% inferior ao da temporada 2024/25, enquanto a
produtividade média alcançou 2.011 kg/ha, avanço de 3,1% em relação ao ciclo passado.

EXPORTAÇÃO – Os embarques brasileiros de pluma atingiram recorde na safra 2025/26 (de agosto/25 a julho/26). Conforme dados da Secex, foram exportadas 3,374 milhões de toneladas da pluma, volume 19% superior ao observado em toda a safra anterior (de agosto/24 a julho/25).

Considerando-se o ano civil (de janeiro até a julho/26), os embarques somam 1,97 milhão de toneladas, volume que já é o quinto maior registrado em um ano da série histórica da Secex.

Em julho, especificamente, os embarques totalizaram 154,97 mil toneladas, volume 29% inferior ao registrado em junho/26, mas 22% superior ao de julho/25. Quanto aos preços, ainda segundo a Secex, a média das exportações em julho/26 foi de US$ 0,7680/lp, avanços de 4,8% frente à de junho/26 e de 4,5% em relação a julho/25. Em moeda nacional, a média foi de R$ 3,9272/lp, 4,43% inferior ao praticado no mercado spot doméstico, de R$ 4,1092/lp. Trata-se do quinto mês consecutivo de vantagem do mercado interno.

CAROÇO DE ALGODÃO – No mercado spot, os preços do caroço de algodão recuaram com maior intensidade em julho/26 nas principais praças de Mato Grosso. A pressão decorreu do início da safra 2025/26, aliada à postura cautelosa dos compradores, que seguem oferecendo preços menores diante da expectativa de boa produção. Além disso, parte das indústrias aguarda o avanço da colheita para intensificar o cumprimento dos contratos a termo.

Em Lucas do Rio Verde (MT), a média foi de R$ 769,28/t, quedas de 21,7% frente a junho e de 19,4% em relação a julho/25. Em Campo Novo do Parecis (MT), a média atingiu R$ 823,96/t, retrações de 11% no comparativo mensal e de 32,9% no anual. Em Primavera do
Leste (MT), o valor médio foi de R$ 922,00/t, quedas de 7,5% frente ao mês anterior e de 22,6% em relação a julho de 2025.

Em Barreiras (BA), a média foi de R$ 1.025,66/t, com ligeira retração de 0,8% frente a junho e expressiva queda de 17,9% em relação a julho/25. Em São Paulo (SP), a média foi de R$1.351,98/t, recuando 4,2% frente ao mês anterior e 13,7% na comparação anual.

Quanto à comercialização antecipada da safra 2025/26, dados do Cepea indicam que, para contratos com entrega entre julho e dezembro de 2026, o preço médio negociado em Lucas
do Rio Verde (MT) está em R$ 735,90/t, retração de 8,9% em relação ao registrado para os
contratos da temporada anterior (embarques no segundo semestre de 2025). Em Campo Novo do Parecis (MT), a média dos contratos a termo caiu 3,7%, para R$ 791,22/t. Em Primavera do Leste (MT), a baixa foi de 6,1%, para R$ 856,64/t. Já em Barreiras (BA), o preço médio está em R$ 952,08/t para entrega no segundo semestre de 2026, avanço de 5,1% em relação ao mesmo período de 2025.

Fonte: Cepea


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FONTE

Autor:Cepea

Site: Agromensais Cepea

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