A ampla distribuição das plantas de caruru (Amaranthus spp.) no território nacional tem tornado cada vez mais relevante o impacto dessa planta daninha em culturas produtoras de grãos como soja e milho. Características como rápido crescimento e desenvolvimento, associadas a uma grande produção de sementes e fácil dispersão delas, tem contribuído para a manutenção de populações de caruru ao longo das safras.
Agravando ainda mais o problema, o controle químico tem se tornado cada vez mais complexo e ineficaz, uma vez que exige grande planejamento e conhecimento para um adequado posicionamento dos herbicidas, tendo em vista que a maioria das espécies de caruru de importância agrícola já apresentam resistência aos principais herbicidas seletivos às culturas agrícolas.
Esse cenário reforça a necessidade de medidas integradas para o controle do caruru, assim como práticas que permitam reduzir a pressão de seleção de biótipos resistência, assegurando uma maior longevidade da eficácia dos herbicidas disponíveis no mercado.
Impacto econômico
O impacto econômico ocasionado pela matocompetição do caruru com a cultura agrícola varia de acordo com o período de convivência, a espécie do caruru e cultura cultivada. Dados da literatura demonstram que uma das espécies de caruru mais agressivas é o Amaranthus palmeri, popularmente conhecido como caruru-palmeri ou caruru-gigante. De acordo com Gazziero & Silva (2017), quando em competição com a cultura durante todo o seu ciclo de desenvolvimento, pode ocasionar perdas de produtividade no milho superiores a 91%, 79% na soja e 77% em algodão.
Conforme destacado por Barroso et al. (2026), no caso da espécie Amaranthus hybridus, a presença dessa planta daninha em áreas de soja pode resultar em perdas expressivas de produtividade, corroborando Gazziero & Silva (2017). O dano econômico pode chegar a 16 sacos por hectare em áreas com baixa infestação (43 plantas m-2) e até 47 sacas por hectare em áreas onde a pressão de plantas de caruru é alta (1.160 plantas m-2) (Barroso et al., 2026).
Figura 1. Potencial perda de produtividade em lavoura de soja em função da pressão de infestação de Amaranthus hybridus.

Vale lembrar que em função da elevada produção de sementes, não é incomum observar áreas com alta densidade populacional de caruru. Além das perdas substanciais de produtividade, a presença de plantas de caruru ao final do ciclo da soja (figura 2), contribui para o aumento da quantidade de impurezas nos grãos (figura 3), depreciando a produção, além de reduzir o rendimento da colheita (Barroso et al., 2026).
Figura 2. Plantas de caruru em lavoura de soja em ponto de colheita.
Figura 3. Presença de sementes de caruru na soja na colheita.

Diante dos impactos do caruru sobre a produtividade e a qualidade da produção, torna-se fundamental adotar estratégias eficientes de manejo, visando reduzir a matocompetição com a soja e minimizar os prejuízos durante a colheita.
Veja mais: Caruru – herbicidas pré-emergentes são protagonistas no manejo dessa planta daninha
Referências:
BARROSO, A. A. M.; et al. CARURU (Amaranthus sp.): Biologia, resistência e manejo. HRAC-BR: Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2026. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/1c4xZhdrYCcbWZQ421wj50FQJHuXaeS6B/view >, acesso em: 12/08/2026.
GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa Soja, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 12/08/2026.






