O mercado brasileiro de trigo encerrou agosto em meio à transição entre a safra velha e a nova, com oferta ainda restrita de lotes de maior qualidade e avanço gradual da colheita. Conforme o analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, a liquidez permaneceu limitada, e os moinhos adotaram uma postura mais cautelosa diante de negociações enfraquecidas de farinhas e da dificuldade de repassar custos.
No Paraná, o preço médio estadual ficou em R$ 1.480/t, enquanto o Rio Grande do Sul registrou média de R$ 1.340/t. No Paraná, 93% das lavouras estavam em condições consideradas ótimas pelo Deral, mas a expectativa de maior disponibilidade com o avanço da colheita limitou o potencial de alta.
No Rio Grande do Sul, a evolução das lavouras permanecia dentro da normalidade, segundo a Emater, com 28% em floração e 10% em enchimento de grãos. A umidade elevada e a baixa luminosidade, contudo, aumentaram a incidência de oídio e manchas foliares, mantendo a preocupação com a qualidade do cereal.
Entre as principais praças, Maringá (PR) registrou a maior queda mensal, de 5,33%, para R$ 1.520/t. Curitiba CIF recuou 3,31%, para R$ 1.560/t, enquanto Cascavel e Ponta Grossa caíram 3,45%, para R$ 1.500/t.
No sentido contrário, Campos Novos (SC) teve a maior valorização mensal, de 3,70%, para R$ 1.480/t. Porto Alegre CIF subiu 2,88%, para R$ 1.510/t, e Santa Rosa avançou 3,08%, para R$ 1.420/t. Em São Paulo CIF, o preço caiu 4,89% no mês, para R$ 1.600/t, mas ainda acumulou alta de 9,16% em 12 meses.
No mercado externo, o trigo em Chicago deu suporte às cotações domésticas. O contrato de dezembro de 2026 acumulou alta de 17,71% em agosto, em meio ao aumento das preocupações com a logística e as exportações do Mar Negro. Exportadores russos também passaram a redirecionar cargas do Mar Negro para o Báltico, elevando custos logísticos e de seguro.
Na Argentina, o trigo FOB permaneceu em torno de US$ 250/t para o cereal com 11% de proteína. Em São Paulo, a paridade de importação do trigo argentino Hard ficou em R$ 1.655/t, próxima do preço praticado no mercado físico, enquanto as referências para o cereal uruguaio e russo ficaram em R$ 1.573/t e R$ 1.555/t, respectivamente.
“Com a paridade argentina praticamente alinhada aos preços domésticos, o espaço para grandes volumes de importação permaneceu limitado. Na prática, o trigo argentino continuou sendo o principal referencial para a formação dos preços no Sudeste”, explicou Bento.
Para o analista, com a entrada gradual da nova safra, a evolução da colheita no Sul e o comportamento do mercado de farinhas devem definir a direção dos preços em setembro. A oferta doméstica tende a aumentar, mas os custos de reposição internacional e os riscos associados ao Mar Negro continuam oferecendo suporte às cotações.



