A elevada demanda de nitrogênio (N) pela soja torna economicamente inviável o fornecimento dessa quantidade por meio de fertilizantes nitrogenados, especialmente quando se busca alcançar altas produtividades. Em ambientes de elevado potencial produtivo, estima-se que a absorção de nitrogênio pela cultura possa superar 400 kg ha⁻¹ (Figura 1). De acordo com Marcel (2026), estudos realizados pela Equipe FieldCrops indicam que a taxa máxima de acúmulo de nitrogênio na soja pode atingir 5,6 kg ha⁻¹ dia⁻¹ entre os estádios R5 e R7.
Figura 1. Marcha de acúmulo e redistribuição de nitrogênio de uma lavoura de soja com produtividade de 6,3 t ha-1.

Felizmente, grande parte do nitrogênio requerido pela soja é fornecida à cultura por meio da simbiose entre a planta e bactérias capazes de realizar a fixação biológica de nitrogênio (FBN). A eficiência desse processo em suprir a demanda nutricional da cultura, contudo, está diretamente relacionada a fatores como a quantidade, a distribuição e a qualidade dos nódulos viáveis, responsáveis pela realização da FBN.
Pesquisas evidenciam que mais de 40% do rendimento de grãos da soja está correlacionado aos componentes da nodulação das cultivares (Brandelero; Peixoto; Ralisch, 2009). De forma semelhante, Fipke (2015) observou que cada incremento de um nódulo por planta esteve associado a um aumento estimado de 14,37 kg ha⁻¹ na produtividade de grãos. Esses resultados reforçam a importância da nodulação para o fornecimento de nitrogênio via FBN e para a expressão do potencial produtivo da soja, evidenciando que condições que comprometem a formação ou a atividade dos nódulos podem limitar o suprimento de nitrogênio e, consequentemente, o rendimento da cultura.
Figura 2. Distribuição e equação linear relacionando a produtividade de grãos com o número de nódulos.

Em termos gerais, para que a fixação biológica de nitrogênio (FBN) supra de forma efetiva a demanda de nitrogênio da soja, são necessários aproximadamente de 15 a 30 nódulos por planta ou entre 100 e 200 mg de massa seca de nódulos durante o período de florescimento (Hungria; Campo; Mendes, 2001). No entanto, considerando cultivares modernas, de elevado potencial produtivo, cultivadas em ambientes de alto nível tecnológico, é possível que quantidades superiores de nódulos viáveis sejam necessárias para assegurar o adequado fornecimento de nitrogênio e sustentar altas produtividades.
Esse cenário reforça a necessidade de ampliar os estudos sobre a relação entre nodulação e produtividade, especialmente em cultivares modernas de soja e em ambientes de elevado potencial produtivo. Ao mesmo tempo, evidencia a importância de buscar estratégias sustentáveis capazes de assegurar o suprimento adequado de nitrogênio, evitando que esse nutriente se torne um fator limitante à expressão do potencial produtivo da cultura.
Além da utilização de estirpes mais eficientes de microrganismos fixadores de nitrogênio, a integração de bioinsumos com boas práticas agronômicas, como a rotação de culturas e o cultivo de espécies com elevada capacidade de ciclagem de nutrientes, pode contribuir para a manutenção da eficiência do sistema produtivo. Nesse contexto, a inoculação e a coinoculação, quando realizadas de forma adequada, constituem importantes estratégias de manejo para favorecer a nodulação, a FBN e, consequentemente, o potencial produtivo da soja.
Referências:
BRANDELERO, E. M.; PEIXOTO, C. P.; RALISCH, R. NODULAÇÃO DE CULTURAS DE SOJA E SEUS EFEITOS NO RENDIMENTO DE GRÃOS. Semina: Ciências Agrária, 2009. Disponível em: < https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/semagrarias/article/view/3559/2873 >, acesso em: 30/09/2026.
FIPKE, G. M. CO-INOCULAÇÃO E PRÉ-INOCULAÇÃO DE SEMENTES DE SOJA. Universidade Federal de Santa Maria, Dissertação de Mestrado, 2015. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/5150/FIPKE%2C%20GLAUBER%20MONCON.pdf?sequence=1 >, acesso em: 30/09/2026.
HUNGRIA, M.; CAMPO, R. J.; MENDES, I. C. FIXAÇÃO BIOLÓGICA DO NITROGÊNIO NA CULTURA DA SOJA. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 35; Embrapa Cerrados, Circular Técnica, n. 13, 2001. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPSO/18515/1/circTec35.pdf >, acesso em: 30/09/2026.
MARCEL, A. G. O. NITROGÊNIO: O LIMITE INVISÍVEL DA PRODUTIVIDADE DA SOJA. Mais Soja, 2026. Disponível em: < https://maissoja.com.br/nitrogenio-o-limite-invisivel-da-produtividade-da-soja/ >, acesso em: 30/09/2026.





