A safra de verão 2020/2021 está se aproximando do fim, dessa forma, deve-se começar a pensar em práticas de manejo e de sistema que possibilitem a boa safra 2021/2022. Além da escolha da cultivar adequada, época de semeadura e insumos, visualizar a lavoura de soja como um sistema de produção é de fundamental importância para garantir sua sustentabilidade e rentabilidade.

Conforme destacado pelo Especialista em solos Jorge Lemainski, “a melhor safra de verão é preparada no inverno”. Segundo o especialista, é fundamental atentar para o sistema de produção dando ênfase para o manejo do solo, através do uso de plantas de inverno que contribuam para a boa produtividade das culturas de verão.

Dos principais fatores responsáveis pela boa produtividade de uma lavoura, podemos destacar o clima, planta e solo. Segundo Lemainski, o ajuste de épocas de semeadura auxilia no ajuste do fator clima, já com relação ao fator planta, deve-se escolher plantas que possibilitem maior rentabilidade do sistema. No que diz respeito ao solo, deve-se realizar o diagnóstico e correção do mesmo, visando o melhor crescimento e desenvolvimento da lavoura cultivada.



Outro fato interessante das culturas de inverno, é que possibilitem a maio distribuição da adubação de base. Em virtude do menor espaçamento entre linhas, realizar a adubação de sistema em culturas de inverno é uma interessante alternativa para aumentar a homogeneidade da fertilidade do solo e distribuição de fertilizantes.

Mas as contribuições do cultivo de culturas de inverno não param por ai, segundo Lemainski, o sistema radicular de plantas contribui com aproximadamente 1,5 vezes mais carbono no solo do que sua parte aérea. Além disso, cada kg de planta verde contribui com o solo com cerca de 300 g de exsudatos solúveis.

Conforme destacado pelo especialista em solo, 1 kg de solo fértil chega a ter 500 bilhões de bactérias as quais podem se associar a cerca de 10 bilhões de actinomicetos, 1 bilhão de fungos, formando cerca de 1000 Km de filamentos de fungos que contribuem para a formação de micro e macro agregados.

Embora sejam informações um tanto quanto teóricas, cabe destacar que o desenvolvimento da fauna e biota do solo apresenta relação direta com a qualidade do solo, contribuindo para sua melhor estruturação e com isso melhor agregação. Atributos do solo como densidade e taxa de infiltração estão diretamente relacionados com sua qualidade e podem exercer papel fundamental no crescimento e desenvolvimento de plantas.

Solos os quais foram cultivados com culturas de considerável sistema radicular, a exemplo do trigo e cevada como culturas de inverno, tendem a apresentar melhores condições estruturais, favorecendo a infiltração de água no solo e consequentemente resultando em maior água disponível para as plantas. Sendo assim, os cultivos de inverno além de gerar renda para a propriedade rural, são uma forma de investimento para as culturas de verão, auxiliando na melhoria de atributos físicos e biológicos do solo, possibilitando melhores condições de crescimento e desenvolvimento das plantas de verão.

Figura 1. Sistema radicular de diferentes culturas agrícolas.

Outro fato interessante, é que em virtude das diferenças morfofisiológicas de grande parte das culturas de inverno, especialmente gramíneas, é possível realizar o controle de certas plantas daninhas as quais são dificilmente controladas em pós-emergência da soja, dessa forma, pode-se dizer que o cultivo de inverno contribui expressivamente para o cultivo de verão.


Veja também: Plantas de cobertura e rotação de culturas melhoram o solo e auxiliam no controle de plantas daninhas


Confira o vídeo abaixo com as dicas e contribuições do Especialista em solos Jorge Lemainski.


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