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A colheita do milho nos EUA, até o dia 01/11, atingia a 82% da área total

Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

A cotação do milho em Chicago, para o primeiro mês, voltou a superar a barreira dos US$ 4,00/bushel neste início de novembro, fechando a quinta-feira (05) em US$ 4,09, contra US$ 3,98 uma semana antes. A média de outubro ficou também em US$ 3,98/bushel, o que representa um aumento de 9,9% sobre a média de setembro. A título de comparação, a média de outubro de 2019 foi de US$ 3,89/bushel, o que significa que as cotações do milho mudaram muito pouco em um ano, registrando um aumento de apenas 2,3% no período. Um comportamento bem diferente daquele registrado na soja.

A colheita do milho nos EUA, até o dia 01/11, atingia a 82% da área total, contra 69% na média histórica para esta data.

Por sua vez, os embarques de milho, por parte dos EUA, chegaram a 721.623 toneladas, volume que ficou na parte inferior das expectativas do mercado. O total embarcado no atual ano comercial 2020/21, pelos EUA, chega a 6,9 milhões de toneladas, contra 3,7 milhões em igual período do ano anterior

O mercado aguarda o relatório de oferta e demanda do USDA, o qual virá com atualizações sobre a safra estadunidense, assim como sobre os estoques finais naquele país.

Aqui no Brasil, os preços se mantiveram firmes e ainda com viés de alta. O balcão gaúcho fechou a semana com a média de R$ 73,16/saco (um ano antes, a média no balcão gaúcho era de R$ 34,18/saco). Ou seja, o preço atual está 114% acima do praticado um ano antes. Nas demais praças nacionais, os preços atuais do milho assim ficaram neste final de primeira semana de novembro: R$ 73,00/saco na região de Rio do Sul (SC); entre R$ 69,50 e R$ 70,00 no Paraná; R$ 68,00 em Campo Novo do Parecis (MT); R$ 74,00 em Maracaju (MS); R$ 80,00 em Itapetininga (SP); R$ 84,00 no CIF Campinas (SP); e R$ 71,00/saco nas regiões goianas de Jataí e Rio Verde.

Já o indicador ESALQ/BM&FBovespa, que toma por base o preço da região de Campinas (SP), fechou o mês de outubro em R$ 81,89/saco, com aumento de 28,7% no mês. O milho, neste indicador, já bateu o recorde real da série histórica diária, que se iniciou em agosto de 2004. A forte demanda interna; o Real fortemente desvalorizado, o que estimula as exportações; e a seca que se abate sobre as lavouras de milho de verão em muitas regiões do Centro-Sul brasileiro são as principais causas da manutenção destes preços do cereal.



Quanto a seca, no Rio Grande do Sul, Estado que teria alcançado 72% da área plantada no final de outubro, contra uma média histórica de 70% para a época, já há perdas consolidadas. Muitos produtores tentarão o replantio, porém, outros irão destinar a área para a soja, contando que a chuva venha logo.

Mesmo assim, em termos de Brasil, somando as duas safras, espera-se uma colheita final de 111 milhões de toneladas neste ano, contra 102,3 milhões no último ano. (cf. Stonex) Para tanto, o plantio da safrinha deve aumentar de área e o clima transcorrer muito bem, dadas as quebras no Rio Grande do Sul e Santa Catarina neste momento. A safra de verão, por enquanto, está sendo esperada, agora, em 27,1 milhões de toneladas, enquanto a safrinha chegaria a 83,9 milhões. Outros analistas, mais otimistas, avançam uma safra final ao redor de 116,4 milhões de toneladas. (cf. Safras & Mercado)

Diante do exposto, os preços, por enquanto, não deverão recuar, especialmente no sul do país, cujos dois Estados são importadores naturais do produto. Para o restante do país, e particularmente a partir da entrada da safra de verão em fevereiro/março, os preços irão depender muito do comportamento das exportações brasileiras.

Nota-se, portanto, que tanto para a soja quanto para o milho, a retirada da tarifa externa comum do Mercosul, visando importar produto mais barato de países de fora do bloco, não está, por enquanto, reduzindo os preços aos produtores. Obviamente, a entrada concreta destes produtos no mercado nacional ainda irá demorar um pouco.

Quanto as exportações brasileiras de milho, segundo a Secex, o país teria exportado, nos 20 dias úteis de outubro um total de 5,2 milhões de toneladas, contra 6,6 milhões em setembro. A média diária em outubro ficou 18% abaixo da registrada em setembro, e 5,8% abaixo da registrada em outubro de 2019. O preço médio da tonelada em outubro chegou a US$ 167,00. Em seguindo nesta tendência nos próximos três meses deste ano comercial (novembro, dezembro e janeiro) o Brasil poderá atingir a 34 ou 35 milhões de toneladas e enxugar os estoques, deixando o mercado interno pressionado. Caso contrário, haverá maior disponibilidade do produto na virada do ano, podendo forçar uma redução dos preços aos produtores. De janeiro a outubro o país exportou 25,3 milhões de toneladas. Assim, será preciso entre 8,7 a 9,7 milhões de toneladas a serem exportadas no somatório dos próximos três meses para que a meta seja alcançada.


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ

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