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Abrapa recebe industriais de insumos agrícolas chineses e debate interdependência entre os dois países

Nos últimos dias 04 e 05 de agosto, um grupo formado por 40 industriais chineses, produtores de defensivos e fertilizantes agrícolas, esteve no Brasil, numa missão apoiada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), participando o I Encontro China-Brasil em prol da Produção de Alimentos e Fibras.

O evento aconteceu em Brasília, com participação de representantes do Governo Federal, da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) e da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho). No centro dos debates, a interdependência entre os dois países – o Brasil como um dos principais provedores de alimentos para o mercado chinês e a China como origem de mais de 70% dos princípios ativos dos defensivos agrícolas e fertilizantes empregados na agricultura brasileira.

O objetivo do encontro foi chamar a atenção do governo federal para a rapidez da evolução tecnológica chinesa, na produção de novas moléculas, e a urgente necessidade de modernização do sistema regulatório brasileiro, para que o país possa usufruir das inovações, dentre as quais os bioinsumos. Após as palestras, em Brasília, os empresários viajaram para o município de Cristalina (GO), para acompanhar a colheita do algodão e visitar as estruturas de beneficiamento e classificação da fibra, na Fazenda Pamplona, do Grupo SLC Agrícola. Os visitantes vieram ao país mobilizados por duas associações, a China Crop Protection Industry Association (CCPIA) e a China Phosphate and Compound Fertilizer Industry Association (CPFIA).

Cooperação

“A China é o maior parceiro comercial do Brasil e, para o algodão, representa o nosso principal mercado consumidor. A fibra é uma cultura que demanda muitas tecnologias em insumos, principalmente, por causa do bicudo do algodoeiro, sua principal praga. Precisamos avançar no acesso aos produtos mais modernos e sustentáveis que a China coloca à nossa disposição. Para isso, precisamos de um marco legal adequado”, diz o presidente da Abrapa, lembrando que, na mesma semana, a associação dos cotonicultores concluía a Missão Compradores 2023, com representantes da indústria têxtil de oito países de destino do algodão brasileiro, dentre os quais, a China. “Queremos aumentar a nossa participação de mercado nesses países, e, além de volume, precisamos garantir um algodão alinhado à demanda por produtos mais amigáveis ao meio ambiente. O que vemos no horizonte, em pesquisa e desenvolvimento chineses, nos acena muito positivamente”, afirma Schenkel.

Para Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que, na ocasião, representou o ministro Carlos Fávaro, o evento mostrou a relevância do setor de insumos agrícolas para a agricultura brasileira. “Somos o maior fornecedor de alimentos para a China, que, por sua vez, é o principal supridor de insumos agrícolas para o Brasil. É uma cooperação muito importante, por isso, é fundamental que o governo chinês entenda o sistema regulatório brasileiro. Inclusive, a capacidade deles de investir no Brasil, fornecendo insumos que se transformam em alimentos e retornam numa pauta diversificada. É um sistema de ganha-ganha muito interessante”, ponderou Goulart.

Fertilizantes

Responsáveis, na safra em curso, pelo maior custo de produção de algodão da história – reflexo da guerra na Ucrânia -, os fertilizantes também estiveram em debate, no encontro com os industriais chineses. O coordenador geral de fertilizantes, inoculantes e corretivos do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas do Mapa, Henrique Bley, falou sobre o Plano Nacional de Fertilizantes, que tem como meta reduzir a dependência brasileira por estes insumos até 2050. Segundo Bley, ainda assim, a China continuará sendo um importante fornecedor.

“O Brasil importa 93% do nitrogênio que utiliza e tem uma capacidade instalada de produzir até 17 vezes o que consome. Então, mesmo que nós tivéssemos uma produção nacional em plena capacidade, com fornecimento de gás natural e de gás de petróleo, para garantir essa produção, com o aumento do consumo, manteremos a importação nos níveis atuais, em questões de quantidade, e até podemos aumentar, nesse período”, diz.

Ele acrescenta que o Brasil importa 70% do fosfato que consome e teria capacidade de produzir esse mesmo percentual, em termos de reservas minerais, mas isso exigiria muito investimento da mineração no beneficiamento da rocha. “Em nitrogenados e fosfatados, mesmo havendo um grande investimento para aumentar a capacidade da produção nacional, ainda assim, o comércio com a China permaneceria nos níveis atuais ou até aumentaria, de acordo com o cenário de crescimento da agricultura brasileira”, finalizou.

Segundo Jones Yasuda, da empresa Agrilean, que conduziu a programação do evento, pós-pandemia, se nota já um grande avanço na pesquisa e desenvolvimento de produtos na China. “Moléculas inovadoras que, em número, já são equivalentes à soma de todas as moléculas ofertadas pelas grandes multinacionais. Não podemos perder essas oportunidades por uma defasagem no nosso sistema regulatório”, adverte Yasuda.

As informações partem da assessoria de imprensa da Abrapa.

Fonte: Agência Safras



 

Equipe Mais Soja
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