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Adição de mancozebe em misturas de fungicidas melhora eficiência de controle da ferrugem-asiática da soja?

A ferrugem-asiática da soja é uma das principais e mais preocupantes doenças fungicas que acometem a cultura da soja, podendo causar significativas perdas produtivas, variando de 10% a 90% dependendo da severidade da doença e suscetibilidade da cultivar (Godoy et al., 2021).

Visando o manejo eficiente dessa doença, o Comitê de Ação a Resistência a Fungicas (FRAC-BR), recomenda que todo o programa de controle seja realizado de forma preventiva a ocorrência da doença. Dentre as principais estratégias para o manejo da ferrugem e da resistência da doença a fungicidas, podemos destacar o uso de distintos fungicidas, contemplando sitio-específicos e multissítios.

Embora alguns fungicidas a exemplo do mancozebe sejam tradicionalmente utilizados no manejo de doenças da cultura da soja, conforme observado por Alves & Juliatti (2018), o posicionamento desse e de outros fungicidas, utilizados de forma associada pode potencializar o controle da ferrugem asiática, reduzindo a severidade da doença e proporcionando boas produtividades de soja.  Os autores avaliaram diferentes misturas de fungicidas aplicadas na soja para o controle da ferrugem-asiática da soja, com e sem a adição do mancozebe.

Tabela 1. Disposição dos tratamentos analisados por Alves & Juliatti (2018) para o controle da ferrugem-asiática da soja.

g.ha-1: gramas por hectare, OM: óleo mineral, OV: óleo vegetal, v/v: volume por volume, L ha-1: litros por hectare. Fonte: Alves & Juliatti (2018)

Alves & Juliatti (2018) analisaram a área abaixo da curva de progresso (AACP), a produtividade e alguns componentes de produtividade da soja, entre outras variáveis. Com base nos resultados observados, a adição de mancozebe às misturas fluxapiroxade + piraclostrobina; azoxistrobina + benzovindiflupir; trifloxistrobina + protioconazol e tebuconazol + picoxistrobina potencializou o controle da ferrugem-asiática da soja (Alves & Juliatti., 2018).

Os autores ainda concluem que o mancozebe eleva a AACP para concentração dos pigmentos fotossintetizantes; quando adicionado à mistura azoxistrobina + tebuconazol + difenoconazol, o mancozebe aumenta a AACP para concentração de clorofila; e adicionado à fluxapiroxade + piraclostrobina eleva a AACP para eficiência intrínseca no uso da água e a massa de mil grãos (M1000G).



Tabela 2. Área abaixo da curva de progresso (AACP) da severidade da ferrugem-asiática da soja (FAS).

¹Médias seguidas por letras distintas, na coluna, diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 0,05 de significância; KS, F Levene, F Aditividade: estatísticas dos testes de Kolmogorov-Smirnov, Levene e Tukey para aditividade, respectivamente; valores em negrito indicam, resíduos com distribuição normal, variâncias homogêneas e aditividade, todos a 0,01. ²FAS = Ferrugem-asiática da soja. Adaptado: Alves & Juliatti (2018)

Embora o mancozebe seja conhecido por apresentar características que dificultam a aplicação do produto via pulverização, Alves & Juliatti (2018) destacam que, com exceção do fungicida picoxistrobina + ciproconazol, a adição de mancozebe às demais misturas estudadas potencializou o efeito da aplicação desses fungicidas no controle da ferrugem-asiática da soja quando comparados com a aplicação das misturas sem o fungicida protetor. O fato demonstra a importante contribuição do mancozebe no manejo e controle da ferrugem-asiática da soja, quando bem posicionado junto a outros fungicidas.

Embora o tratamento que avaliasse a eficiência do mancozebe de forma isolada tenha apresentado baixo controle da doença, o melhor resultado de controle obtido por Alves & Juliatti (2018) foi observado com o uso do mancozebe em mistura com azoxistrobina + benzovindiflupir. Dessa forma, fica evidente a necessidade do adequado posicionamento de fungicidas e misturas de fungicidas no programa de manejo de doenças, para o controle eficiente.

Confira o trabalho completo de Alves & Juliatti (2018) clicando aqui!

Referências:

ALVES, V. M.; JULIATTI, F. C. FUNGICIDAS NO MANEJO DA FERRUGEM DA SOJA, PROCESSOS FISIOLÓGICOS E PRODUTIVIDADE DA CULTURA. Summa Phytopathol., Botucatu, v. 44, n. 3, p. 245-251, 2018. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/sp/a/ckbBDsCTckjNBcsMWrk9tjv/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 30/05/2022.

COMITÊ DE AÇÃO A RESISTÊNICA A FUNGICIDAS. NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. FRAC-BR. Disponível em: < https://www.frac-br.org/soja >, acesso em: 30/05/2022.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2020/2021: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 174, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/soja/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1133872/eficiencia-de-fungicidas-para-o-controle-da-ferrugem-asiatica-da-soja-phakopsora-pachyrhizi-na-safra-20202021-resultados-sumarizados-dos-ensaios-cooperativos >, acesso em: 30/05/2022.

 

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Equipe Mais Soja
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