O aporte nutricional fornecido as plantas tem relação direta com seu rendimento e produtividade, sendo estes limitados pela nutriente em menores quantidades no sistema, a conhecida “Lei do mínimo”.

Veja mais em: A Lei de Liebig (ou Lei do mínimo) e a produtividade das lavouras

O primeiro passo para nutrir adequadamente as plantas é a realização da análise da fertilidade do solo a fim de conhecer os teores de nutrientes contidos nele. Após a análise, deve-se realizar a interpretação da mesma para a recomendação das doses de manutenção ou reposição da fertilidade do sistema. Essa recomendação varia muito de cada Estado, sendo que estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina por exemplo, utilizam o mesmo manual para recomendação, o qual difere para outros Estados.

Supridas as recomendações de adubação via solo e a lanço, a adubação foliar surge como uma alternativa de ajuste fino da adubação, trazendo resultados de podem representar incremento da produtividade e/ou teor nutricionais dos grãos ou sementes, especialmente quando relacionados aos micronutrientes.

A soja apresenta respostas positivas para adubação com micronutrientes, especialmente o Cobalto e o Molibdênio. Segundo MARCONDES & CAIRES (2005), o Molibdênio apresenta relação direta com o processo de Fixação biológica de nitrogênio (FBN), sendo parte da molécula da nitrogenase. A FBN é responsável por reduzir o N2 atmosférico a NH3, para que a planta possa absorve-lo.  Assim como o Molibdênio, Conforme destacado por SFREDO & OLIVEIRA (2010), o Cobalto também apresenta relação direta com a FBN, participando da síntese de cobamina e da leghemoglobina nos nódulos de fixação.

Além disso, MESCHEDE et. al (2004) avaliando a resposta da adubação foliar com micronutrientes, encontraram resultados que demonstram o incremento da produtividade quando utilizados Comol (12% Mo e 2% Co), Bas-Citrus (10%N, 4% Zn, 3,7% S, 3% Mn e 0,5% B), Bas-Citrus + Fetrilin (4% Mn, 4% Fe, 1,5% Cu, 1,5% Zn e 1% Mo) em doses recomendadas pelos fabricantes, todos aplicados em estádio V4 segundo escala fenológica de FEHR & CAVINESS (1977), (tabela 1).

Tabela 1. Médias de produtividade de soja (Kg.ha-1) utilizando adubação foliar em estádio V4.

Adaptado: MESCHEDE et. al (2004).

Respostas positivas ao incremento da produtividade frente ao uso da adubação foliar também foram observadas para macronutrientes como Fosforo (P) por REZENDE et. al (2005), principalmente quando utilizado em conjunto a estádios vegetativos e reprodutivos da cultura.

Dada a importância da adubação foliar, alguns cuidados devem ser tomados parar a complementação adequada da nutrição, dentre eles, a análise foliar pode auxiliar na escolha do fertilizante e correto manejo da fertilidade, sendo a análise foliar o meio mais aconselhado para diagnose de micronutrientes.

Mas quando realizar a análise foliar em soja?

Segundo recomendações da Embrapa, para a cultura da soja, o ideal é que se realiza a análise foliar quando 50% ou mais das plantas atingirem o estádio R1 conforme a escala fenológica de FEHR & CAVINESS (1977), ou seja, quando metade do estande de plantas apresentar uma flor aberta em qualquer nó da haste principal (figura 1).

Figura 1. Planta de soja em estádio R1.

Foto: Maurício Siqueira dos Santos

A Embrapa ainda recomenda que as amostras devem conter certa de 35 folhas trifolioladas, as quais devem ser coletadas as folhas recentemente maduras da planta e sem o pecíolo conforme demonstrado na figura 2.

Figura 2. Representação gráfica das folhas a serem coletadas para compor a amostra para análise foliar.

Adaptado: Danilo Estevão.

A análise foliar é uma ferramenta fundamental em especial para diagnose de micro nutricional na soja, oferecendo confiabilidade de resultados, contudo a análise foliar não substitui a análise de solo e nem a adubação foliar substitui a adubação de base e cobertura no solo no sistema produtivo, sendo utilizadas como complemento ao manejo da fertilidade do solo.



Referências:

CASTRO, C. et. al. ANÁLISE FOLIAR. AGÊNCIA EMBRAPA DE INFORMAÇÃO TECNOLÓGICA. EMBRAPA. Disponível em: http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/soja/arvore/CONTAG01_40_271020069132.html, acesso em: 01/04/2020.

MARCONDES, J. A. P; CAIRES, E. F. APLICAÇÃO DE MOLIBDÊNIO E COBALTO NA SEMENTE PARA CULTIVO DA SOJA. Bragantia, Campinas, v.64,  n.4, p.687-694, 2005.

MESCHEDE, D. K. et. al. RENDIMENTO, TEOR DE PROTEÍNA NAS SEMENTES E CARACTERISTICAS AGRONÔMICAS DAS PLANTAS DE SOJA EM RESPOSTA À ADUBAÇÃO FOLIAR E AO TRATAMENTO DE SEMENTES COM MOLIBDÊNIO E COBALTO. Acta Scientiarum. Agronomy, Maringá, v. 26, n.2, p. 139-145, 2004.

OLIVEIRA, A. B. et al. COLEÇÃO 500 PERGUNTAS, 500 RESPOSTAS. Embrapa, Brasília, 274 p. 2019.

SFREDO, G. J; OLIVEIRA, M. C. N. SOJA MOLIBDÊNIO E COBALTO. Documentos, n.322, Embrapa, jun. 2010.

REZENDE, P. M. et. al. ADUBAÇÃO FOLIAR. I. ÉPOCAS DE APICAÇÃO DE FÓSFORO NA CULTURA DA SOJA. Ciênc. agrotec., Lavras, v. 29, n. 6, p. 1105-1111, nov./dez., 2005.

Redação: Maurício Siqueira dos Santos – Eng. Agrônomo.

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