No momento de implantar determinada cultura, o produtor deve compreender a necessidade hídrica, para quantificar o volume de água necessário durante o seu ciclo de desenvolvimento. Para tal, determinar os períodos em que a cultura se encontra susceptível a falta de água é em última análise para reduzir perdas de rendimento.

Considerando a distribuição hídrica deficiente no início da safra 2019/2020, a Embrapa fez um alerta sobre os riscos de o produtor realizar a semeadura da soja em solo com pouca umidade. Neste alerta, os pesquisadores da Embrapa apresentaram informações sobre o zoneamento de risco agroclimático para época de semeadura da soja e também enfatizaram a necessidade de realização da semeadura apenas com umidade adequada no solo.



No webinar da safra 2019/2020, a Embrapa Soja divulgou um vídeo no canal do Youtube Embrapa – Radar da Tecnologia Soja, onde o pesquisador da área de Ecofisiologia e Climatologia da cultura da soja Sérgio Gonçalves comentou sobre a disponibilidade hídrica para a implantação da lavoura de soja.

No vídeo, o pesquisador comenta que no momento da implantação da cultura da soja na safra 2019/2020 a disponibilidade hídrica das lavouras foi bastante aquém do que é demandado pela cultura nesta safra no momento da implantação, principalmente no estado do Paraná.

Primeiramente, Sérgio coloca que o balanço hídrico, que é a contabilização da água no solo, ou seja, o balanço entre as entradas e saídas de água no sistema solo-planta-atmosfera, pode ser contabilizado para um determinado local ou região.

As entradas de água no sistema podem ser das seguintes formas:

  • Chuva;
  • Orvalho;
  • Irrigação;
  • Escorrimento superficial;
  • Drenagem lateral;
  • Ascensão capilar.

Já as saídas podem ser das seguintes maneiras:

  • Evapotranspiração;
  • Escorrimento superficial;
  • Drenagem lateral;
  • Drenagem profunda.

No que diz respeito à evapotranspiração, que é um importante processo que devemos conhecer e levar em consideração, o pesquisador destaca que são considerados dois fatores principais em um sistema agrícola: a evaporação e a transpiração. A evaporação seria a passagem da água do estado líquido para o gasoso, ou seja, a passagem da água do solo para a atmosfera e a transpiração é a perda de água na forma de vapor, pelas plantas.

Sérgio destaca que no momento de semeadura de uma determinada cultura, o fator mais importante é a evaporação, já que a perda por transpiração é mínima nesse período.

Para qualquer cultura existem dois períodos considerados críticos em relação à falta de água, que são eles:

  • Semeadura e emergência;
  • Florescimento e frutificação.

O pesquisador acrescenta também que no florescimento e frutificação a demanda hídrica é muito maior.

A figura abaixo mostra de forma resumida o balanço hídrico da água no solo, considerando as entradas e saídas de água no sistema.

Figura 1: Esquema do balanço hídrico da água no solo.

Fonte: Embrapa soja.

Como pode-se observar na figura, conforme a planta se aproxima do florescimento, maior é o sistema radicular e consequentemente maior é a perda de água por evaporação e transpiração, necessitando de uma maior quantidade de água nesse período.

Os principais problemas na implantação da lavoura estão ligados às variações das condições climáticas, que ocorrem com mais intensidade no período da primavera, onde ocorrem regiões de formação de sistemas de alta pressão, que está correlacionada ao tempo bom, sem a formação de chuvas, ao contrário do sistema de baixa pressão.

Quando ocorrem esses impedimentos atmosféricos com alta pressão, ocorrem também as altas temperaturas com chuvas localizadas e de curta duração, fenômeno que ocorreu com grande frequência nas regiões oeste, noroeste e norte do Paraná, sul de São Paulo e no Mato Grosso do Sul e que atrapalharam bastante a implantação da lavoura no início desta safra.

Para manter a umidade no solo, o pesquisador destaca as seguintes condicionantes que são determinantes e fundamentais:

  • Textura do solo;
  • Tempo de precipitação;
  • Declividade (risco de escorrimento superficial);
  • Cobertura do solo;
  • Temperatura;
  • Relevo;

Cada um desses fatores varia de acordo com a região, mas todos influenciam para a manutenção da umidade no solo, evitando ou propiciando o déficit hídrico nas culturas.

Dessa forma, para a implantação da cultura da soja, por exemplo, o zoneamento agrícola é de fundamental importância, porém, as condições climáticas no momento da implantação também possuem grande influência e determinarão o sucesso da lavoura.

Fonte: Embrapa soja.

Sendo assim, o pesquisador faz uma alerta de que mesmo dentro da época recomendada pelo zoneamento agrícola, a realização da semeadura com o solo sem condições ideais de umidade é incorrer em tecnologia inadequada. Nas regiões mais baixas e quentes, as perdas por evaporação são significativas, ajudando o solo a secar ainda mais rápido.

Por fim, o pesquisador ressalta que existe tempo suficiente dentro da época de recomendação do zoneamento para esperar a regularização do regime hídrico antes de fazer a semeadura.

Veja a palestra completa do pesquisador Sérgio Gonçalves abaixo.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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