O aumento dos preços dos insumos agrícolas, principalmente dos fertilizantes, tem impulsionado os custos de produção da soja para a próxima temporada (2019/2020). Assim, o produtor brasileiro postergou a aquisição de insumos, visto que, no primeiro semestre de 2019, foi registrado o pior poder de compra (soja x fertilizante) das últimas safras. Esse cenário deve reduzir ainda mais a margem do produtor na próxima temporada.

Quanto à soja tolerante ao glifosato e resistente a lagartas, o Custo Operacional Efetivo (COE) 2019/2020 em três importantes praças produtoras do Cerrado brasileiro aumentou, em média, 9% em relação à temporada anterior. A elevação nas praças do Sul foi menos intensa, de 6% no mesmo comparativo. O cálculo do custo tomou por base a aquisição dos insumos entre março e maio de 2018 (safra 2018/2019) frente ao mesmo período de 2019 (temporada 2019/2020). Para a relação de troca, foram considerados os preços da saca em maio de 2018 e 2019, que recuaram 9% nesse período.

Em Rio Verde (GO), o orçamento para a safra 2019/2020 foi de R$ 2.863,40/ha, 7% maior que no mesmo período da safra anterior, com os valores dos fertilizantes registrando a alta mais expressiva no mesmo comparativo, 18%. Neste cenário, a preços da soja de maio/2019, o produtor precisaria de, pelo menos, 45,5 sacas da oleaginosa por hectare para pagar o COE. Em Sorriso (MT) e Luís Eduardo Magalhães (BA), os aumentos médios do COE são de 12% e 8%, respectivamente.

Na praça mato-grossense, o COE da safra 2019/2020 somou R$ 2.917,86/ha, com os valores dos fertilizantes 27% maiores na atual temporada frente à anterior. Assim, no mesmo compara tivo, o produtor precisaria produzir ao menos 49,2 sacas por hectare para saldar o COE, o maior resultado entre as praças. Na praça baiana, o COE somou R$ 2.718,20, necessitando de 41,7 sacas de soja para saldar este custo.



Comparando-se o volume de soja necessário para que o produtor pagasse o COE entre as safras 2018/2019 e 2019/2020 na praça goiana, seriam necessárias 6,7 sacas a mais. Em Sorriso/MT, o produtor precisaria de 9,5 sacas a mais e, em Luís Eduardo Magalhães/BA, o produtor típico precisaria de 6 sacas frente à temporada anterior.

Nas praças do Sul, o quadro é similar ao do Cerrado, com o produtor precisando de aproximadamente 7 sacas de soja a mais para pagar o COE. Vale destacar que o aumento de custos ocorre em menor intensidade que nas praças do Cerrado. Em Cascavel/PR, o COE somou R$ 3.152,04/ha na safra 2019/2020, 4% maior que o mesmo período do ano anterior. Em Xanxerê/SC, o COE na temporada 2019/2020 foi de R$ 3.143,84/ha, 8% maior que no mesmo período da safra passada e, em Guarapuava/PR, o COE aumentou 5%, fechando em R$ 3.294,04/ha.

Este quadro é preocupante para o sojicultor brasileiro, uma vez que, em regiões como Sorriso/MT, o custo unitário de produção tem se aproximado muito das produtividades médias regionais. Em caso de uma frustração de safra, as margens brutas dos produtores podem ficar negativas e o produtor sem receitas para conseguir saldar ao menos o montante desembolsado com a cultura.

No Sul, o melhor exemplo foi o de Cascavel/PR na safra 2018/2019. A análise orçamentária com base nos preços e custos de 2018 apontou produtividade de nivelamento de 40 sc/ha (a preços de venda da soja com base em maio/2018), acima da obtida em alguns talhões no oeste do Paraná. O orçamento para a safra 2019/2020 aponta produtividade de nivelamento de 47 sacas de soja por hectare, aumento bastante significativo na produtividade de nivelamento e um complicador para que o produtor regional se manter sustentável na atividade agrícola.

Figura 1 – Produtividade de nivelamento (sc/ha) da soja em seis importantes regiões produtoras do Brasil – comparativo entre as safras 2018/2019 e 2019/2020

Fonte: Cepea e CNA, 2019.

Texto originalmente publicado em:
Cepea
Autor: CEPEA

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