Uma planta pode ser considerado um organismo extremamente complexo, o qual realiza a fotossíntese, um dos mais importantes se não o mais importante processo para a manutenção da vida na Terra. Entretanto, para um bom crescimento e desenvolvimento vegetal, não basta apenas água, luz e nutrientes em quantidades suficientes para a planta, é preciso que ela apresente equilíbrio hormonal para que possa alcançar todos os seu estádios de desenvolvimento sem prejudicar nenhuma fase.

Consideradas substancias químicas produzidas pelas plantas em baixas concentrações que regulam processos fisiológicos e bioquímico, os hormônios vegetais desempenham papel essencial no crescimento e desenvolvimento vegetal. Uma desses hormônios é a Auxina (figura 1), que é essencial ao crescimento vegetal, e a sua sinalização funciona praticamente em cada aspecto do desenvolvimento. Ela foi o primeiro hormônio do crescimento a ser estudado em plantas, sendo descoberta após a predição de sua existência por Charles e Francis Darwin na obra O Poder do Movimento nas Plantas (Taiz et al., 2017).



Figura 1. Estrutura química da Auxina.

Adaptado: Taiz et al. (2017)

O ácido 3-indolacético (AIA) é a principal auxina das plantas, sendo o aminoácido triptofano aceito como precursor de sua síntese. Embora o AIA seja a primeira auxina isolada de plantas, outros compostos com atividade auxínica também foram encontrados, a exemplo do ácido indolbutírico (AIB) (Melo, 2002).

A auxina está intimamente relacionada ao crescimento vegetal, sendo muito empregada na produção de mudas, conforme analisado por Radmann; Fachinello; Peters (2002), avaliando o efeito de auxinas e condições de cultivo no enraizamento in vitro de porta-enxertos de macieira ‘m-9’. Os autores observaram que, O AIA induziu maior porcentagem de enraizamento, plantas com melhor sistema radicular e parte aérea nas concentrações mais altas.

Tabela 1. Principais Auxinas.

Adaptado: Melo (2002)

o AlB tem sido utilizado comercialmente por décadas para propagação de plantas devido a sua eficácia em estimular a formação de raízes adventícias (Melo, 2002). Além disso, a auxina apresenta relação com o etileno, agindo como supressor do efeito dele.

A auxina é produzida no ápice e nas raízes é capaz de aumentar a expressão do gene da AACsintase, enzima catalizadora na conversão de Sadenosilmetionia (AdoMet) em 1 aminociclopropano1-carboxílico (ACC) no qual participa na produção de etileno, sendo assim, a auxina pode influenciar no crescimento e desenvolvimento da planta inclusive em períodos de estresse hídrico (Oliveira et al., 2017).

Em grande parte das plantas, o crescimento e desenvolvimento da gema apical inibe o crescimento das gemas laterais da planta, fato conhecido como dominância apical. Em conjunto com as auxinas, as citocininas apresentam elevado potencial na indução da divisão celular, sendo que esses dos hormônios interagem no controle da dominância apical. Entretanto, a auxina inibe o crescimento da gemas laterais, enquanto a citocinina estimula. 

A quebra da dominância apical em resposta a menor produção de auxina pode resultar em aumento na produção de citocinina, que é responsável pela ramificação da planta. Como reflexo tem-se plantas mais ramificadas, com maior número de nós, os quais podem contribuir para o aumento de componentes de produtividade da soja. A citocinina está relacionada ao processo de translocação de solutos e estabelecimento de drenos nas plantas, apresentando papel essencial durante o processo de enchimento de grãos (Freschi).

Em resumo, a auxina atua de diversas formas sobre as plantas:

  • Atua tanto inibindo quanto estimulando o crescimento dos caules e raízes;
  • Estimula a formação de raízes adventícias;
  • Atua na dominância apical, onde a diferenciação das células nas gemas apicais inibe o crescimento das gemas laterais;
  • Atua na diferenciação dos tecidos condutores;
  • Atua no gravitropismo e no fototropismo;
  • Atua na inibição da abscisão de  folhas e frutos.

Tendo em vista a elevada influencia da auxina no crescimento e desenvolvimento vegetal, conhecer os processos e influenciados por esse hormônio é de fundamental importância para uma adequando manejo hormonal visando reduzir efeito de estresses e objetivando altas produtividades. Clique aqui e confira o curso sobre hormônios vegetais e o uso de bioestimulantes e aminoácidos que a Equipe Mais Soja preparou para você e aprimore seu conhecimento e manejo hormonal da lavoura.

Referências:

FRESCHI, J. A IMPORTÂNCIA DA AUXINA E DA CITOCININA PARA A NUTRIÇÃO DA PLANTA E ENCHIMENTO DOS FRUTOS. Stoller. Disponível em: < https://www.stoller.com.br/a-importancia-da-auxina-e-da-citocinina-para-a-nutricao-da-planta-e-o-enchimento-de-frutos/?gclid=Cj0KCQjw8IaGBhCHARIsAGIRRYqpyiV9M-wWm8r7Lax-pPbAlxfuVVCrYbv7vff0GyXp57ma6LI9f0caAsgKEALw_wcB >, acesso em: 10/06/2021.

MELO, N. F. INTRODUÇÃO AOS HORMÔNIOS E REGULADORES DE CRESCIMENTO VEGETAL. Embrapa, Semi-Árido, 2002. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/135451/introducao-aos-hormonios-e-reguladores-de-crescimento-vegetal >, acesso em: 08/06/2021.

OLIVEIRA, H. P. et al. RESPOSTAS FISIOLÓGICAS DE FORRAGEIRAS AO DÉFICIT HÍDRICO E BAIXAS TEMPERATURAS. Nutritime Revista Eletrônica, on-line, Viçosa, v.14, n.5, p.7008-7014, set/out, 2017. Disponível em: < https://www.nutritime.com.br/site/wp-content/uploads/2020/02/Artigo-438.pdf >, acesso em: 08/06/2021.

RADMANN, E. B.; FACHINELLO, J. C.; PETERS, J. A. EFEITO DE AUXINAS E CONDIÇÕES DE CULTIVO NO ENRAIZAMENTO IN VITRO DE PORTA-ENXERTOS DE MACIEIRA ‘M-9’. Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal – SP, v. 24, n. 3, p. 624-628, Dezembro 2002, Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbf/a/WHsvdn7hR9Ycn4LMMfJvY7r/?lang=pt&format=pdf >, acesso em: 08/06/2021.

TAIZ, L. et al. FISIOLOGIA E DESENVOLVIMENTO VEGETAL. Porto Alegre, ed. 6, 2017. Disponível em: < https://grupos.moodle.ufsc.br/pluginfile.php/474835/mod_resource/content/0/Fisiologia%20e%20desenvolvimento%20vegetal%20-%20Zair%206%C2%AAed.pdf >, acesso em: 08/06/2021.

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