Para obter boas produtividades de uma lavoura, cuidar do solo é fundamental. O solo é o principal substrato para a produção agrícola, servindo como meio de nutrição e sustentação para as plantas. A manutenção da fertilidade do solo é vital para a sustentabilidade do sistema, mantendo boas produtividades das culturas agrícolas, sendo a adubação mineral a principal fonte de fertilizantes empregada na agricultura.

Contudo, a adubação biológica é uma maneira indireta de melhorar a qualidade física biológica e química do solo, pois com uma alta quantidade de microrganismos no solo aumenta a ciclagem de nutrientes, possibilitando uma maior fertilidade ao solo (PEDÓ et. al, 2016). Em virtude do apelo ambiental e dos benefícios trazidos por sua utilização, os biofertilizantes vem ganhando espaço na agricultura brasileira.

Os biofertilizantes são adubos biológicos que promovem o desenvolvimento dos microrganismos do solo, atuando diretamente na biologia do solo. Além de promover o aumento e a diversidade da biota do solo, os biofertilizantes também auxiliam na melhoria de atributos físicos e químicos do solo, condicionando melhores condições para a melhoria estrutural do solo.

Os biofertilizantes em sua maioria podem ser aplicados na forma de pulverizações no solo ou dossel das plantas, sendo aplicados de modo isolado ou em conjunto com herbicidas, ou também aplicados por meio de sistemas de fertirrigação. O desenvolvimento da macro, meso e microfauna do solo pode proporcionar aumentos da porosidade do solo, matéria orgânica e mineralização de nutrientes, favorecendo os cultivos agrícolas.   Resumidamente, os biofertilizantes visam atuar principalmente na promoção do desenvolvimento dos microrganismos do solo, favorecendo o aumento da atividade microbiana.

Embora ZANELLATO (2018), assim como SILVA (2017) avaliando a utilização do biofertilizantes não tenham encontrados resultados significativos para o aumento da produtividade da soja, WINCKLER (2017) avaliando a eficiência de um biofertilizante na reestruturação de solo sob diferentes sistemas de cultivo encontrou resultados que demonstram uma melhora em componentes de produtividade da soja ao utilizar o biofertilizante. Os maiores incrementos estão relacionados ao número de grãos por plantas quando comparado o uso do biofertilizante e a não utilização do produto (controle).

Tabela 1. Aspectos agronômicos e biológico obtidos a partir de plantas de soja e solos submetidos a aplicações com diferentes concentrações do biofertilizante. Onde: concentrações definidas a partir da recomendação do produto comercial (150 litros.ha-1). AIPV: altura de inserção da primeira vagem (cm); AP: altura das plantas (cm); NVP: número de vagem por planta; NGP: número de grão por planta.

Adaptado: WINCKLER (2017).

Além do aumento de um dos componentes de produtividade para a cultura da soja observado por WINCKLER (2017), DORNELAS (2018) observou que a utilização de biofertilizantes como proporcionou um aumento na quantidade de massa seca da parte aérea das plantas.

Figura 1. Massa seca da parte aérea de plantas de soja com relação a utilização de biofertilizantes.

Fonte: DORNELAS (2018).

Note que quando comparado ao tratamento que não recebeu nenhum tipo de biofertilizantes (testemunha), os demais tratamentos apresentaram um significativo aumento da massa seca, o que pode estar relacionando com o aumento da produção fotossintética das plantas e também acarreta em maiores volumes de palhada residual para o sistema.




Apesar dos trabalhos a curto prazo não apresentarem uma influência direta e significativa para o aumento da produtividade da soja com a utilização de biofertilizantes, cabe destacar que a utilizações desses bioprodutos também traz outras vantagens ao sistema. Conforme observado por WINCKLER (2017), ao utilizar o biofertilizante, o autor notou uma redução da compactação do solo, principalmente nas camadas superficiais do perfil, sendo o biofertilizante uma possível ferramenta para utilização do manejo da compactação do solo. Além disso, BELLINI et. al, (2011) observou que a aplicação do biofertilizante contribui para a manutenção do pH do solo após a colheita do arroz, assim como, para a disponibilidade de Fósforo (P) no solo e para o incremento de matéria orgânica. Embora números expressivos não sejam observados no incremento da produtividade com a utilização de biofertilizantes, a adubação biológica apresenta-se como uma alternativa ao uso de adubação química a partir do segundo ano de uso em áreas de plantio direto, com redução de até 25% da adubação química recomendada para a cultura do milho (PINHEIRO, 2018).

Pensando em quantificar melhor os resultados referentes ao uso de biofertilizantes, é indicado que se conduzam estudos a médio longo prazo, já que a principal finalidade dos produtos é atuar em aspectos biológicos do solo. Os biofertilizantes são importantes alternativas para o manejo do solo, sendo basicamente utilizados como fontes complementares à adubação mineral.

Veja também: Fósforo – importância, manejo e sintomas de deficiência.

Referências:

BELLINI, G. et. al. NFLUÊNCIA DA APLICAÇÃO DE UM FERTILIZANTE BIOLÓGICO SOBRE ATRIBUTOS FÍSICOS E QUÍMICOS DO SOLO. VII EPCC, out. 2011.

DORNELAS, A. C. O; OLIVEIRA, M. D. R. AVALIAÇÃO MORFOFISIOLÓGICA DA CULTURA DA SOJA (Glycine max) A PARTIR DE FERTILIZANTES BIOLÓGICOS. Unifucamp, 2018, disponível em: < http://repositorio.fucamp.com.br/jspui/bitstream/FUCAMP/294/1/Avaliacaomorfofisiologicacultura.pdf>, acesso em: 25/06/2020.

MICROGEO®. BENEFÍCIOS DA ADUBAÇÃO BIOLÓGICA NA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL. Microgeo®.

PEDÓ, R. et. al. EFEITOS DA ADUBAÇÃO COM MICROGEO NA PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA E NOS ATRIBUTOS FÍSICOS E QUÍMICOS DO SOLO. SIEPE, set. 2016.

PINHEIRO, R. C. PRODUTIVIDADE DE MILHO EM PLANTIO DIRETO COM DIFERENTES DOSES DE ADUBAÇÃO QUÍMICA ASSOCIADO À ADUBAÇÃO BIOLÓGICA. Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA, 2018.

SILVA, C. J. C. UTILIZAÇÃO DE BIOFERTILIZANTE E NPK NA CULTURA DA SOJA. Universidade Tecnológica Federal do Paraná, 2017.

WINCKLER, T. A. L. AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA DO MICROGEO® NA REESTRUTURAÇÃO DE SOLO SOB DISFERENTES SISTEMAS DE CULTIVO. Universidade Federal do Paraná, Palotina, 2017.

ZANELLATO, D. C. EFEITO DE BIOESTIMULADOR DO SOLO E ADUBAÇÃO MINERAL SOBRE ATRIBUTOS EDÁFICOS E PRODUTIVIDADE DE CULTURAS ANUAIS. Universidade Tecnológica Federal do Paraná, 2018.

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