As cotações da soja em Chicago se mantiveram novamente estáveis nesta semana, com um leve viés de baixa. O bushel fechou a quinta-feira (11) em US$ 8,95, contra US$ 9,06 na semana anterior.

O relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado no dia 09/04, não trouxe novidades (na verdade o relatório importante será o de maio, quando virão as primeiras projeções da safra nova estadunidense).

Ele apenas reduziu um pouco os estoques finais nos EUA para 2018/19, com os mesmos ficando agora em 24,4 milhões de toneladas, contrariando um pouco o mercado, que esperava 24,8 milhões.

O relatório aumentou ainda a safra mundial 2018/19 para 360,58 milhões de toneladas, colocando os estoques finais mundiais em 107,4 milhões de toneladas, contra uma expectativa do mercado de 108,4 milhões.

Para o Brasil o relatório aponta uma safra de 117 milhões de toneladas e para a Argentina de 55 milhões (lembramos que a Conab estima uma safra brasileira em 113,5 milhões de toneladas). Enfim, em termos das importações chinesas, o relatório manteve o volume de 88 milhões de toneladas para o corrente ano comercial.

Afora isso, o mercado continuou na expectativa de um acordo comercial entre EUA e China. A esse respeito, constantes reuniões entre representantes dos dois países indicariam que 90% do acordo estaria negociado e que o mesmo está prestes a ser anunciado. Porém, ninguém sabe ao certo os termos de tal acordo.

Por sua vez, as exportações líquidas estadunidenses, referentes ao ano 2018/19, iniciado em 1º de outubro passado, somaram 1,97 milhão de toneladas na semana encerrada em 28/03, representando um forte avanço sobre a média das quatro semanas anteriores.



Novamente o maior comprador foi a China, com 1,7 milhão de toneladas. Somado ao volume de 20.500 toneladas para 2019/20, o total quase superou as expectativas do mercado.

Já as inspeções de exportação somaram 538.808 toneladas na semana encerrada em 4 de abril, acumulando no atual ano comercial um total de 19,4 milhões de toneladas, contra 20,4 milhões em igual período do ano anterior.

Aqui no Brasil, com o dólar voltando à casa dos R$ 3,82 em alguns momentos da semana, os preços médios recuaram. O balcão gaúcho caiu para R$ 69,93/saco, enquanto os lotes vieram para valores entre R$ 71,50 e R$ 72,00/saco.

Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 63,50 em Sorriso (MT) e R$ 76,50/saco em Campos Novos (SC), passando por R$ 72,00 no norte do Paraná; R$ 68,00 em São Gabriel (MS); R$ 66,00 em Goiatuba (GO); e R$ 66,50 em Pedro Afonso (TO) e Uruçuí (PI).

Quanto aos prêmios nos portos nacionais, o quadro piorou, com os mesmos ficando entre menos US$ 0,09/bushel e mais US$ 0,29/bushel nesta semana. Isso auxiliou igualmente a reduzir o preço interno da oleaginosa.

A comercialiazação da atual safra de soja brasileira, até o dia 05/04, atingia a 48% do total, contra 56% na média histórica, sendo que nos quatro principais estados produtores o quadro era o seguinte: no Mato Grosso havia 60% vendido, contra 66% na média; no Paraná 40%, contra 44% na média; no Rio Grande do Sul 25%, contra 36% na média; e em Goiás 56% vendido, contra 65% na média histórica.

Já a colheita atingia a 83% da área no dia 05/04, contra 77% na média, sendo que o Rio Grande do Sul havia colhido 53% da área, contra 37% na média; o Paraná 90%, ficando dentro da média; Goiás 97%, contra 95%; enquanto o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul já haviam encerrado a mesma. (cf. Safras & Mercado) Os demais Estados igualmente apresentavam um quadro de colheita superior à média histórica. Ou seja, nesta safra está ficando muita soja estocada à espera de preços melhores.

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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA - Unijui

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