Em meio a uma conjuntura comercial e geopolítica desafiadora, a China encontrou no Brasil um parceiro confiável no fornecimento de algodão neste ano. A constatação ficou clara durante a primeira etapa da missão realizada no país asiático pelo Cotton Brazil, iniciativa de promoção internacional da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa).

Desde 28 de maio, uma delegação brasileira com nove membros da Abrapa e da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea) realiza uma programação comercial na China. O intercâmbio faz parte do cronograma de ações deste ano do Cotton Brazil.

De janeiro a abril de 2024, o Brasil respondeu por quase 48% do algodão importado pelos chineses. Há seis anos, essa participação era de 6%. Os negócios no ano comercial (de agosto de 2023 a abril de 2024) somaram 1,2 milhão de toneladas de algodão brasileiro – volume superior à totalidade do ciclo 2022/23. “Se essa tendência se mantiver, poderemos dobrar o recorde histórico de 2020/21, que foi de 720,5 mil toneladas”, pontua o presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel.

Responsável por coordenar o Cotton Brazil, o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte explica que a opção da China em negociar com o Brasil tem dois motivos. “O país enfrenta conflitos comerciais e geopolíticos com os Estados Unidos e a Austrália, e, por outro lado, o Brasil tem aumentado seu protagonismo no mercado global”, analisa o executivo.

A previsão é que o Brasil exporte no ciclo 2023/24 um volume final de 2,5 milhões tons. “É uma verdadeira revolução se lembrarmos que, na década de 1990, éramos o segundo maior importador de pluma no mundo. Hoje somos o segundo maior exportador e atendemos plenamente nosso mercado interno”, observa Marcelo Duarte.

Outro atrativo é o fato de que o Brasil tem aliado eficiência produtiva com práticas sustentáveis. “De 1990 para cá, reduzimos a área plantada em mais de 50% e hoje usamos 0,2% do território brasileiro para produzirmos 3,5 milhões tons – 400% a mais do que nos anos 1990. E isso mantendo 66% do nosso País com vegetação nativa preservada em áreas protegidas”, enumera o diretor.

A evolução sustentável da cotonicultura brasileira foi o eixo central da apresentação feita por Marcelo Duarte durante o painel de tendências globais do “2024 China Cotton Industry Development Summit”, evento anual realizado pela China National Cotton Exchange (CNCE) em Xi’an, na China. Pelo terceiro ano consecutivo o diretor da Abrapa participa como palestrante, dessa vez ao lado de representantes dos Estados Unidos e da Austrália.

O evento reuniu cerca de 800 participantes do mundo todo e apresentou um panorama atual de como os setores de algodão e têxtil tendem a se comportar no próximo ano. Entre os destaques, a menor safra norte-americana em 37 anos, registrada em 2023/24, e o aumento no volume importado pela China – maior marca de dez anos para cá.

As projeções a médio prazo, no entanto, levantaram incertezas. Eventos climáticos adversos em diferentes países produtores têm dificultado os prognósticos quanto à oferta de algodão. Por outro lado, o surgimento de novas legislações e o avanço da produção de tecidos sintéticos complicam as estimativas de demanda.

O saldo da presença brasileira no evento, entretanto, foi positivo. “Saímos do congresso da CNCE confiantes de que o Brasil está no caminho certo para manter e fortalecer seu posicionamento de mercado. É uma jornada de melhoria contínua e nosso foco é continuar trabalhando para fornecer ao mundo essa importante fibra sustentável e renovável”, avaliou o diretor da Abrapa.

A missão do Cotton Brazil continua até o dia 6 de junho. A delegação brasileira seguiu para Xangai e Ningbo para reuniões de trabalho e visitas técnicas a órgãos públicos, fiações e indústrias têxteis. O último compromisso oficial é a participação na reunião ampla da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), que ocorre 4 de junho com presença do vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin.

Fonte: ABRAPA



 

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