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Brasil pode superar EUA como maior exportador mundial de milho

A produção brasileira de milho deve totalizar 124.9 milhões de toneladas em 2023, levando o Brasil a superar os Estados Unidos como maior exportador mundial de milho. A projeção é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), corroborada pelo departamento americano de Agricultura, USDA, cuja expectativa é de que o Brasil poderá exportar 52 milhões de toneladas de milho este ano, superando os EUA, que deve exportar 49 milhões de toneladas.

“O Brasil está se impondo como concorrente dos Estados Unidos e tem capacidade de fazer sua produção crescer ainda mais. Ainda há muita superfície disponível para o cultivo e podemos melhorar nossa produtividade”, disse Enori Barbieri, vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho).

Esse título recorde já havia acontecido em 2013 e se repetirá, mais uma vez, dez anos depois, graças à segunda safra de cultivo. Da produção total de milho em 2023 – 10,40% superior em relação ao ano passado -, 76,30% da produção correspondem à segunda safra. A chamada “safrinha” começou nos anos 1980 como um cultivo secundário, no caso do milho colhida em junho, e vem superando a colheita de verão.

O interesse dos produtores rurais no plantio de milho foi puxado por quatro fatores. Primeiro, o aumento do preço do cereal, impulsionado especialmente pela abertura de usinas de etanol com base em milho, a partir de 2017. Segundo, a melhora genética que aprimorou os grãos e facilitou o plantio. Terceiro, o espaço vazio na produção mundial ocasionado por questões climáticas em exportadores tradicionais como Estados Unidos e Argentina, e a guerra na Ucrânia que afetou os players europeus. E, por último, a demanda crescente do mercado chinês, após a assinatura de um acordo entre os governos brasileiro e chinês no início de 2022.

“A segunda safra de milho se tornou mais atraente, compramos mais fertilizantes, sementes geneticamente melhoradas e máquinas agrícolas que permitem um plantio mais rápido e preciso”, explica Ilson José, produtor rural de Sinop, Mato Grosso. A localidade vem se destacando no agronegócio mundial a ponto de receber, nesta semana de 26 de abril, um missão do Senegal que vem conhecer experiências e boas práticas de tecnologias brasileiras com potencial de uso no país africano. A visita técnica integra um acordo de cooperação internacional entre Brasil e Senegal, coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Entraves

De acordo com especialistas ainda há espaço para aumento da produção caso alguns entraves sejam solucionados. Para o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (CEPEA), Lucilio Alves, o Brasil deve “ter condições de elevar os investimentos em máquinas e equipamentos no campo para que as atividades de plantio e colheita sejam realizadas de forma mais acelerada”, além de continuar melhorando “a infraestrutura logística para o escoamento da produção”.

Ricardo Arioli, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), acredita que a capacidade de armazenamento continua sendo insuficiente, sendo o déficit de armazenagem, apenas em Mato Grosso, “de quase 60 % nas últimas safras” de soja e milho.

Por Equipe SNA, disponível no Portal da SNA 
Fonte: Agence France-Presse
Equipe Mais Soja
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