Os preços do milho acumularam mais um mês de queda no mercado brasileiro em junho, pressionados principalmente pelo avanço da colheita da segunda safra sobretudo no Centro-Oeste e pela expectativa de maior oferta nas próximas semanas. Diante de estoques suficientes para atender ao consumo de curto prazo, compradores permaneceram afastados do mercado spot, aguardando desvalorizações mais intensas, enquanto as recentes quedas dos preços internacionais reduziram a paridade de exportação e reforçaram a pressão sobre as cotações domésticas. Além disso, as estimativas da Conab e do USDA, que indicavam aumento da produção brasileira e da oferta mundial reforçaram a postura cautelosa dos consumidores.

Do lado do vendedor, os que não necessitaram de “fazer caixa” ou liberar espaço nos armazéns ainda limitam as negociações. Neste cenário, agentes aguardam sustentações nos valores, fundamentadas na menor produção nesta temporada 2025/26 e nos possíveis impactos do tempo seco na produtividade, principalmente em Goiás e em partes do Mato Grosso do Sul, além das geadas no Paraná.

No final do mês, os recuos foram limitados pontualmente em algumas regiões pela pausa na colheita da segunda safra – as baixas temperaturas em algumas regiões do País têm gerado preocupação entre alguns produtores quanto a possíveis impactos sobre as lavouras – vale lembrar que, até o final do mês de junho, não houve registro de perdas.

PREÇOS – O Indicador ESALQ/BM&FBovespa caiu 2% no acumulado de junho, fechando a R$ 63,58/saca de 60 kg no dia 30. A média mensal cedeu 2,9% em relação a maio, para o menor patamar do ano, em termos nominais.

Na média das regiões pesquisadas pelo Cepea, o cereal se desvalorizou 3,4% no mercado de balcão (ao produtor) e 2,7% no mercado de lotes (negociação entre empresas), também no acumulado de junho. As médias mensais ficaram 2,7% e 2% inferiores às de maio, respectivamente.

Na B3, o primeiro vencimento foi pressionado pelo avanço da colheita de segunda safra. O contrato Jul/26 recuou 1%, fechando a R$ 64,86/sc de 60 kg no dia 30.

ESTIMATIVAS – Novo levantamento para a temporada 2025/26 foi divulgado em junho pela Conab, com redução para a produção da segunda safra, aumentando a da primeira e mantendo as estimativas para a terceira safra. No agregado, a alta mensal é de 0,2%, mas a produção desta temporada deve ser 0,5% inferior à de 2024/25, somando 140,46 milhões de toneladas.

Especificamente para a segunda safra, a redução foi de leve 0,5% frente ao relatório de maio, passando para 107,86 milhões de toneladas, e baixa de 4,7% na comparação com a temporada passada. Para o milho verão, a safra atual passou a ser estimada em 29,33 milhões de toneladas, 3% a mais que o indicado no relatório anterior e ainda 17,7% superior à temporada passada. Já a terceira safra teve manutenção entre os relatórios mensais, mas com forte aumento de 8,9% entre as temporadas.

O consumo doméstico é estimado pela Conab em 94,88 milhões de toneladas, e as exportações devem totalizar 46,5 milhões de toneladas. Se essas estimativas se confirmarem, os estoques finais nesta temporada seriam de 13,25 milhões de toneladas, 6% superior ao da temporada anterior.

Em termos globais, o USDA estimou produção de 1,3 bilhão de toneladas, acima das 1,29 bilhão de toneladas do relatório anterior, mas com redução de 2% em relação à temporada anterior. Com relação aos estoques finais mundiais, o USDA projeta em 281,21 milhões de t, contra as 303,35 milhões de t na temporada 2025/26.

CAMPO E CLIMA – No mês de junho, as chuvas no Centro-Sul limitaram o ritmo da colheita. Foram registradas geadas em regiões do Paraná e de Mato Grosso do Sul, mas não houve registro de perdas no período. Com isso, a média nacional colhida totalizou 18,8% da área até o dia 26 de junho, ainda abaixo dos 24,6% colhidos na média das últimas cinco safras, de acordo com dados da Conab.

Em Mato Grosso, segundo o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), 32,41% da área havia sido colhida até 26 de junho, avanço de 5,42 p.p. acima do observado no mesmo período da safra passada. No Paraná, chuvas registradas no período reduziram o ritmo dos trabalhos de campo, fazendo com que apenas 5% da área tivesse sido colhida até o dia 29 de junho, percentual inferior aos 16% verificados no mesmo período de 2025, segundo dados da Seab/Deral.

Em Mato Grosso do Sul, segundo a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), apenas 0,7% da área havia sido colhida até 30 de junho, atraso de 5,5 p.p. em relação à temporada 2024/25, reflexo do elevado volume de chuvas.

Quanto à safra verão, a colheita somava 95,3% da área nacional até o dia 26 de junho, abaixo 94,9% da média dos últimos cinco anos, segundo a Conab.

INTERNACIONAL – Os preços externos do cereal acumularam queda ao longo de junho, pressionados pelo bom desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, diante das condições climáticas favoráveis no Meio-Oeste dos EUA e das expectativas de safra robusta. No entanto, no encerramento do mês, as cotações reagiram após o USDA manter praticamente inalteradas as estimativas de área plantada e de área a ser colhida nos Estados Unidos, reduzindo as especulações sobre uma revisão mais expressiva da área cultivada.

A área plantada foi estimada em 38,58 milhões de hectares, em linha com a projeção divulgada em março. Além disso, dados positivos da produção de etanol deram suporte adicional aos preços do milho. Os estoques de milho em 1º de junho considerando todas as posições, totalizaram 134,49 milhões de toneladas, aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Com isso, os contratos Jul/26 e Set/26 recuaram 7,61% e 8,56% entre 29 de maio e 30 de junho, encerrando o período a US$ 4,1275/bushel (US$ 162,49/t) e a US$ 4,1675/bushel (US$ 164,06/t), nesta ordem.

No campo, o USDA informou que, até o dia 29 de junho, a semeadura havia sido concluída e que 67% das lavouras norte-americanas estavam em boas e excelentes condições, abaixo dos 73% do mesmo período do ano passado. Na Argentina, o relatório da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicou que a colheita chegou a 51,2% da área nacional até o dia 24.

Fonte: Cepea


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FONTE

Autor:Cepea

Site: Agromensais Cepea

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