Os preços do trigo em grão seguiram em recuperação no mercado doméstico em junho, ainda sustentados pela oferta restrita no mercado spot. Produtores que têm estoques retêm o produto, à espera de oportunidades melhores de comercialização. Moinhos com necessidade de reposição, por sua vez, têm cedido às ofertas mais altas de venda.
Em junho, o preço médio do trigo no Paraná foi de R$ 1.370,85/t, avanço de 1,3% em relação a maio, mas ainda 13,1% inferior ao registrado em junho de 2025, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI). No Rio Grande do Sul, a média atingiu R$ 1.325,29/t, alta de 2% frente ao mês anterior, mas recuo de 6% na comparação anual. Em São Paulo, o preço médio foi de R$ 1.510,54/t, elevação de 3% no comparativo mensal, mas queda de 5,4% em relação a junho do ano passado. Em Santa Catarina, a média foi de R$ 1.316,96/t, aumento de 2,4% frente a maio, mas retração de 14,1% na comparação anual.
DERIVADOS DE TRIGO – No mercado de farelo de trigo, a queda observada entre maio e junho foi menos acentuada, devido à maior demanda. No entanto, em algumas regiões, o excedente de oferta continuou pressionando os preços ao longo de junho. Conforme dados do Cepea, de maio para junho, o farelo a granel se desvalorizou 1,35% e o ensacado, 0,92%.
No segmento das farinhas, os preços seguem em trajetória de valorização, impulsionados pela alta dos custos da matéria-prima e pela necessidade de repassar esse aumento aos produtos finais. De maio para junho, houve valorização de 1,14% para pré-mistura, 1,09% para farinha integral, 0,74% para bolacha salgada, 0,69% para bolacha doce, 0,68% para panificação, 0,45% para massas frescas, mas ligeira queda de 0,1% para massas em geral.
PRODUÇÃO NACIONAL E SEMEADURA – Dados da Conab divulgados em 11 de junho indicam que a produção brasileira de trigo deve alcançar 6,3 milhões de toneladas em 2026, volume 1,4% inferior ao projetado em maio/26 e fortes 20% abaixo da safra de 2025. A área cultivada pode totalizar 2,12 milhões de hectares, recuos de 1,1% em relação à estimativa anterior e de 13,4% em relação à temporada passada. A produtividade média foi estimada em 2,974 toneladas por hectare, com quedas de 0,4% no comparativo mensal e de 7,6% em relação à safra anterior.
No campo, conforme dados da Conab, a semeadura de trigo no Brasil está em fase de finalização. Até 3 de julho, 90,4% da área destinada à safra de 2026 havia sido semeada. Restavam apenas os três estados da região Sul, cujas atividades alcançaram 96% no Paraná, 88% no Rio Grande do Sul e 42,7% em Santa Catarina.
Quanto ao balanço de oferta e demanda, os estoques iniciais da temporada de 2026 estão projetados pela Conab em 1,753 milhão de toneladas. As importações devem atingir 6,81 milhões de toneladas, superando o volume produzido no País, gerando disponibilidade total de 14,86 milhões de toneladas. O consumo interno entre agosto/26 e julho/27 está estimado em 11,8 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais podem atingir 1,49 milhão de toneladas em julho de 2027.
OFERTA E DEMANDA MUNDIAL – Para a temporada 2026/27, a produção mundial de trigo foi estimada em 820,063 milhões de toneladas, apenas 0,12% superior ao projetado em maio/26, porém, em relação à safra passada, a produção global deve cair 2,9%.
O consumo mundial foi estimado em 824,587 milhões de toneladas, com avanços de 0,16% frente à estimativa de maio/26 e de 0,1% em comparação com 2025/26. Os estoques finais devem somar 275,421 milhões de toneladas, alta de 0,14% no comparativo mensal, mas queda de 1,6% frente à temporada anterior. Já o comércio internacional foi projetado em 213,36 milhões de toneladas, volume 0,4% inferior ao projetado em maio/26 e 5,8% abaixo do registrado em 2025/26.
Para o Brasil, o USDA projetou que as importações voltarão a superar a produção doméstica em 2026/27, o que não ocorre desde 2020/21. Segundo o órgão, a produção brasileira deve atingir 6,7 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno foi estimado em 12,5 milhões de toneladas. Diante desse quadro, as importações podem alcançar 7,2 milhões de toneladas, ao passo que as exportações foram projetadas em 2 milhões de toneladas.
MERCADO EXTERNO – Nas bolsas americanas, os futuros recuaram, pressionados pelo bom avanço da colheita do trigo de inverno. Segundo o USDA, até 5 de julho, 59% das lavouras já haviam sido colhidas, avanço de 11 pontos percentuais em relação à semana anterior e 8 p.p. acima do observado no mesmo período do ano passado e da média dos últimos cinco anos.
Em junho, o primeiro vencimento negociado na Bolsa de Chicago apresentou média de US$
5,8961/bushel (US$ 216,64/t), desvalorização de 7,1% frente a maio, mas alta de 9% em relação a junho de 2025. Na Bolsa de Kansas, a média do mesmo vencimento foi de US$ 6,2804/bushel (US$ 230,76/t), retração de 8,2% no comparativo mensal; porém, com avanço de 17,1% no comparativo anual.
Em 30 de junho, foram divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) os relatórios de área plantada e de estoques trimestrais. As novas projeções indicaram área plantada de 17,3 milhões de hectares na safra 2026 dos Estados Unidos, redução de 5,7% em relação ao ano anterior, o que reflete os longos períodos de seca que prejudicaram as lavouras. Já os estoques trimestrais de trigo em 1º de junho totalizaram 25,04 milhões de toneladas, volume inferior ao esperado pelos agentes, embora 8% superior ao da temporada anterior.
Na Argentina, a média de junho dos preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia foi de US$ 235,29/t, altas de 0,66% frente a maio e de 0,73% em relação a junho de 2025. No campo, até 1º de julho, a semeadura havia alcançado 80,9% dos 6,5 milhões de hectares projetados para a safra 2026/27,segundo dados da Bolsa de Cereales.
BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA – Conforme dados divulgados pela Secex no dia 3 de julho, chegaram aos portos brasileiros 463,63 mil toneladas de trigo em junho, volume 21,9% inferior ao de maio e 2,8% abaixo do registrado em junho de 2025. Nos últimos 12 meses, as importações somam 6,096 milhões de toneladas, 11% abaixo do volume registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2026, até junho, foram importadas 2,772 milhões de toneladas, quantidade 22,3% inferior à observada no mesmo período de 2025.
Quanto à origem do trigo importado, 70,4% vieram da Argentina, 15,1%, da Rússia, 11,6%, do Paraguai e 2,8%, do Uruguai. O preço médio das importações foi de US$ 236,97/t. Considerando-se o dólar médio de R$ 5,132 em junho, o valor equivalente é de R$ 1.216,13 por tonelada.
Fonte: CEPEA




