Os preços da soja avançaram ao longo de julho, impulsionados pela demanda global aquecida, pela distribuição heterogênea das chuvas no Hemisfério Norte, pela intensificação dos conflitos no Oriente Médio e pela consequente elevação dos contratos futuros, além da postura retraída dos vendedores brasileiros.
Assim, a saca de 60 quilos da oleaginosa voltou a ser negociada próxima aos R$150,00 nos principais portos brasileiros, patamar nominal que não era observado desde janeiro deste ano, antes da entrada da safra 2025/26. Esse conjunto de fatores também fortaleceu a demanda por embarques imediatos e antecipou as negociações dos prêmios de exportação para embarques em 2028.
Além disso, a previsão de intensificação do fenômeno climático El Niño ao longo da safra 2026/27 aumentou as preocupações quanto aos possíveis impactos sobre a produção global de soja. Nesse contexto, parte dos consumidores antecipou as aquisições como estratégia de mitigação de riscos, enquanto vendedores reduziram a oferta de grandes volumes, à espera de condições mais favoráveis de comercialização.
No mercado brasileiro, o Indicador CEPEA/ESALQ – Paranaguá avançou 7,8% entre as médias de junho e de julho, para R$ 142,11/saca de 60 kg no último mês, chegando ao maior patamar deste ano, em termos reais (IGP-DI de junho/26). Na comparação com julho de 2025, os preços permaneceram praticamente estáveis, com alta de apenas 0,16%, também em termos reais.
No mercado regional, o Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná subiu 7,5%, em igual comparativo, para a média de R$ 134,60/sc de 60 kg em julho, também a maior registrada em 2026, em termos reais; já na comparação com a do mesmo período de 2025, o Indicador ficou 0,46% abaixo, também em termos reais Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, em comparação com o mês anterior, as altas foram mais expressivas: de 6,6% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 8,1% no de lotes (negociações entre empresas).
Na CME Group (Bolsa de Chicago), o primeiro vencimento (Ago/26) na média de julho avançou expressivos 6,4% frente à de junho, para US$ 11,9850/bushel (US$ 26,42/saca de 60 kg), a maior média nominal desde jun/24, quando havia sido de US$ 12,1651/bushel. Na comparação entre jul/25 e jul/26, a valorização foi expressiva: 18,7%.
Contudo, a melhora das perspectivas para a safra dos Estados Unidos, devido ao clima mais favorável e às chuvas em áreas produtoras, limitou os ganhos e contribuiu para o recuo das cotações no fim de julho.
PERSPECTIVAS – Para a temporada 2026/27 (out/26 a set/27), o USDA projetou, em seu relatório mensal de oferta e demanda divulgado no dia 10 de julho, produção mundial recorde de soja de 441,7 milhões de toneladas, acima das 429,46 milhões estimadas para 2025/26. O esmagamento global também deve atingir novo recorde, passando de 383,08 milhões para 384,16 milhões de toneladas.
Nos Estados Unidos, a produção foi reajustada em 0,9% em relação à estimativa de junho, para um recorde de 121,79 milhões de toneladas, volume 5% superior ao da safra passada. As importações mundiais também devem avançar de 186,34 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 189,3 milhões de toneladas na safra 2026/27.
A China segue como a principal importadora mundial, com estimativas recordes de 113 milhões de toneladas na safra 2025/26 e de 115 milhões de toneladas na safra 2026/27. Para o Brasil, o USDA elevou em 500 mil toneladas a projeção de exportações para a temporada 2026/27, para um novo recorde de 118 milhões de toneladas.
Para o farelo de soja, a estimativa do USDA é de que o Brasil embarcasse 26,9 milhões de toneladas na temporada 2026/27, acima do recorde previsto para a temporada atual, de 25 milhões de toneladas. O consumo interno brasileiro também deverá atingir novo recorde, passando de 21,8 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 23 milhões de toneladas na temporada 2026/27.
DERIVADOS – Em julho, O fortalecimento da demanda global por farelo de soja impulsionou as negociações do derivado tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No mercado brasileiro, a maior disputa entre compradores externos e domésticos elevou os prêmios de exportação e os preços FOB, refletindo diretamente na elevação das cotações internas.
No porto de Paranaguá (PR), para embarque em setembro, os prêmios de exportação do farelo foram ofertados entre US$ 3 e US$ 10/tonelada curta (compra) e entre US$ 4 e US$ 13/tonelada curta (venda), em julho. Há um ano, os prêmios para embarque em setembro eram negativos.
Nesse contexto, na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, os preços do farelo de soja ficaram 2,5% acima dos registrados em junho e 7,2% superiores aos verificados em julho de 2025, em termos reais. Na Bolsa de Chicago, o contrato Ago/26 do farelo de soja ficou 4,1% acima da média de junho e expressivos 19,2% acima da registrada em jul/25, para US$ 319,50 por tonelada curta (US$ 352,18 por tonelada).
No mercado de óleo de soja, a liquidez permaneceu limitada devido à menor demanda do setor de biodiesel durante o mês. Ainda assim, agentes consultados pelo Cepea sinalizaram otimismo quanto ao possível aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel ainda neste ano. Em contrapartida, os preços externos registraram quedas, refletindo o recuo dos preços do petróleo no final do mês e a melhora no fluxo de embarques pelo Estreito de Ormuz.
Diante disso, no mercado spot nacional, com base na região de São Paulo, o preço do óleo de soja (com ICMS de 12%) avançou 0,3% entre as médias de junho e de julho, para R$ 6.526,69 por tonelada no último mês. No comparativo anual, contudo, os preços caíram 2,9% em julho, em termos reais (IGP-DI, de junho/26). Já, o contrato Ago/26 do óleo de soja negociado na CME Group registrou baixa de 2,5% frente à média de junho, para US$ 0,7141/libra-peso (US$ 1.574,38/tonelada). Entre as médias de jul/25 e jul/26, por outro lado, observouse alta significativa de 29,2%, em termos nominais.
Fonte: Cepea




