Os preços do milho acumularam quedas na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea durante o mês de maio, influenciados pela maior oferta, em decorrência da colheita da safra de verão e dos estoques de passagem elevados da temporada 2024/25. Além disso, a segunda safra apresentou desenvolvimento satisfatório na maior parte das regiões produtoras, com exceção de algumas áreas de Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul, onde as condições climáticas (geadas e tempo seco) preocuparam agentes quanto à produtividade. Mesmo assim, há perspectiva de oferta elevada no segundo semestre.
PREÇOS – Assim, no acumulado de maio, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa recuou expressivos 3%, fechando a R$ 64,91/saca de 60 kg no dia 29. A média mensal de maio também registrou queda em relação à do mês anterior, de 3,5% e foi a mais baixa desde agosto/24, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de abril/26).
Na média das regiões pesquisadas pelo Cepea, o cereal valorizou 0,9% no mercado de balcão (ao produtor), mas recuou 1,3% no de lotes (negociação entre empresas) também no acumulado do mês. As médias mensais de maio são 0,2% e 2,7% inferiores as de abril, respectivamente. No mesmo sentido, os contratos negociados na B3 caíram em maio, pressionados pelo início da colheita no Brasil e pela queda dos vencimentos internacionais. Desse modo, os vencimentos Jul/26 e Set/26 cederam 6% e 5%, fechando a R$ 65,43 e R$ 68,13/sc de 60 kg no dia 29, respectivamente.
ESTIMATIVAS – Segundo dados divulgados pela Conab em maio, a primeira safra 2025/26 agora está estimada em 28,46 milhões de toneladas, 14% superior ao da temporada anterior e 2% acima da projeção apresentada em abril. Essas altas refletem os ganhos de área e produtividade na maior parte das regiões produtoras.
Para a segunda temporada, no entanto, houve queda mensal de 0,6% e anual de 4,2%, com a produção recuando para 108,45 milhões de toneladas. Esse resultado reflete, sobretudo, a redução de 6,2% na produtividade desse ciclo. Já para a terceira temporada, os aumentos foram de 31% entre abril e maio, e de 9% na comparação entre as safras 2024/25 e 2025/26. No agregado das três safras, a oferta do País deve totalizar 140,17 milhões de toneladas, leve recuo de 0,7% frente à temporada anterior. O consumo interno deve ser de 94,86 milhões de toneladas, e a Conab já estima que as exportações possam chegar a 46,5 milhões de toneladas.
Os dados do USDA apontam que a oferta e o consumo mundiais devem totalizar 1,31 bilhão de toneladas em 2025/26, elevações de 6% e 5% em relação à temporada 2024/25. Com isso, os estoques de passagem para o início da safra 2026/27 podem ser de 296,95 milhões de toneladas. Já para a safra 2026/27, o USDA estima produção de 1,29 bilhão de toneladas, 1,3% inferior à da temporada anterior, refletindo as baixas na Argentina, na Ucrânia, no México, na África do Sul e, principalmente, nos Estados Unidos, parcialmente compensadas pelos avanços observados no Brasil e na China. O consumo para essa temporada pode ser de 1,31 bilhão de toneladas, semelhante aos da temporada 2025/26. Com isso, os estoques devem cair de 296,95 milhões em 2025/26 para 277,54 milhões em 2026/27.
CLIMA E CAMPO – A colheita da segunda safra segue se intensificando no Paraná e em Mato Grosso. Até o dia 29 de maio, 0,6% da área nacional havia sido colhida, contra 0,8% na safra anterior e 1,8% na média das últimas cinco safras, segundo a Conab. Especificamente em Mato Grosso, segundo o Imea (Instituto MatoGrossense de Economia Agropecuária), até o dia 29 de maio, 1,94% da área estimada em Mato Grosso havia sido colhida, 0,97 p.p. acima da safra passada. No Paraná, as regiões de Laranjeiras do Sul, Cascavel e União da Vitória, Pitanga e Ponta Grossa deram início aos trabalhos de campo. Quanto à safra verão, a colheita somava 84,6% da área nacional até o dia 29 de maio, abaixo dos 85,9% da média dos últimos cinco anos, segundo a Conab.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos divulgou novas previsões quanto ao El Niño em 2026 durante o mês de maio. O fenômeno tem 82% de probabilidade de ocorrer, o que, no Brasil, pode aumentar as chuvas na região Sul, mas deve causar períodos de estiagem no Norte e Nordeste e temperaturas elevadas nas áreas centrais do País.
INTERNACIONAL – As cotações externas também caíram em maio, pressionadas pelo enfraquecimento dos preços do petróleo e do trigo, além do avanço da semeadura nos Estados Unidos, do aumento da oferta na América do Sul, da colheita da segunda temporada no Brasil e da safra em bom volume na Argentina. As quedas, no entanto, foram limitadas pela demanda internacional aquecida pelo cereal norte-americano. Com isso, os contratos Jul/26 e Set/26, recuaram 5,9% e 5%, respectivamente, entre 30 de abril e 29 de maio, encerrando o dia 29 cotados a US$ 446,75/bushel (US$ 75,87/t) e a US$ 4,5575/bushel (US$ 79,42/t), respectivamente.
Nos Estados Unidos, segundo o Crop Progress do USDA, 93% da área destinada ao cereal foi semeada até o dia 31 de maio, acima da média dos últimos cinco anos, de 92%. Além disso, 76% das lavouras emergiram, 2 p.p. acima da média dos últimos cinco anos. Na Argentina, a Bolsa de Cereales de Buenos Aires aponta que, até o dia 4, quase 41% da área havia sido colhida, com produtividade média em 8,2 t/ha, mantendo a estimativa de produção em 64 milhões de toneladas para a safra 2025/26.
Fonte: Cepea




