Além da inoculação da soja, com bactérias do gênero Bradyrhizobium, as quais por meio da fixação biológica de nitrogênio são capazes de fornecer todo o nitrogênio necessário para boas produtividades de soja e ainda deixar residual do nutriente para a cultura em sucessão (Gitti, 2016), a coinoculação com bactérias do gênero Azospirillum exerce efeito significativo no aumento da produtividade da soja.

Diferentemente do Bradyrhizobium, o Azospirillum sintetiza fitormônios que promovem o crescimento vegetal, principalmente do sistema radicular, o que favorece a nodulação e a fixação biológica de nitrogênio pelo Bradyrhizobium, além de trazer outros benefícios, como ampliação do volume de solo explorado (Prado et al., 2019).

Figura 1. Raiz de soja com nodulação abundante resultante da coinoculação com Bradyrhizobium e Azospirillum.

Foto: Mariangela Hungria.

Segundo Prado et al. (2019), quando inoculada a soja com Bradyrhizobium, os ganhos de produtividade ficam em torno de 8%, já quando a soja é coinoculada, com Bradyrhizobium + Azospirillum, o aumento na produtividade gira em torno de 16%, ou seja, 8% proporcionado pelo Bradyrhizobium e 8% pelo Azospirillum.

O fato pode estar relacionado ao estímulo ao crescimento radicular da cultura, implicando em maior volume de solo explorado, e com isso maior absorção de água e nutriente. Outro fato interessante, é que conforme observado por Gitti (2016), quando coinoculada a soja, é possível observar um incremento no número de nódulo, massa seca de nódulos por planta, massa seca de raízes por plantas e massa seca da parte aérea por planta, corroborando a afirmação de Prado et al. (2019), de que a coinoculação favorece a nodulação da planta.



Tabela 1. Número de nódulos por planta, massa seca de nódulos por planta, massa seca de raízes por planta e massa seca da parte aérea da soja em 2015 e 2016 obtidos em tratamentos sem a inoculação de sementes, inoculação (Bra­dyrhizobium) e coinoculação (Bradyrhizobium + Azospirillum brasilense). Fundação MS, Maracaju, MS, 2016. (Gitti, 2016).

Adaptado: Gitti (2016).

Conforme observado por Manteli et al. (2019), avaliando a “inoculação e coinoculação de sementes no desenvolvimento e produtividade da cultura da soja”, quando coinoculada com Bradyrhizobium + Azospirillum brasilense, a soja apresenta maior comprimento de raízes e volume radicular em comparação a soja inoculada somente com Bradyrhizobium spp., ou somente com Azospirillum brasilense. Essa característica pode conferir a coinoculação o papel de ferramenta complementar no manejo da soja visando altas produtividades, especialmente em condições de déficit hídrico, proporcionando maior tolerância das plantas ao estresse.


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Manteli et al. (2019), ainda observaram que a coinoculação se mostrou eficiente no aumento do rendimento da soja e componentes de produtividade, como número de vagens por plantas e massa de mil grãos (Tabela 2).

Tabela 2. Número de vagens por planta (NV), massa de mil grãos (MMG) e produtividade da cultura da soja submetida à inoculação e coinoculação. UNISEP- Dois Vizinhos-PR, 2018. (Manteli et al., 2019).

* Significativo pelo teste F (α = 0,05). Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste Scott-Knott (α = 0,05). CV(%): Coeficiente de Variação.
Fonte: Manteli et al. (2019).

Além de favorecer a nodulação, beneficiando a fixação biológica de nitrogênio, a coinoculação utilizando Bradyrhizobium + Azospirillum brasilense promove melhor crescimento radicular, possibilitando com que a planta explore maior volume de solo e consequentemente absorva mais água e nutrientes. Sendo assim, a coinoculação da soja, é uma ferramenta essencial para a sustentabilidade do cultivo e o aumento da produtividade da cultura.

Referências:

GITTI, D. C. INOCULAÇÃO E COINOCULAÇÃO NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2015/2016. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/234/234/newarchive-234.pdf >, acesso em: 09/12/2020.

HUNGRIA, M.; NOGUEIRA, M. A. TECNOLOGIA DE COINOCULAÇÃO: Rizóbios E Azospirillum EM SOJA E FEIJOEIRO. Embrapa, 2014. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/984365/tecnologia-de-coinoculacao-rizobios-e-azospirillum-em-soja-e-feijoeiro >, acesso em: 09/12/2020.

MANTELI, C. et al. INOCULAÇÃO E COINOCULAÇÃO DE SEMENTES NO DESENVOLVIMENTO E PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA. Revista Cultivando o Saber, v. 12, n. 2, p. 111-122, 2019. Disponível em: < https://www.fag.edu.br/upload/revista/cultivando_o_saber/5d444a72d8ddc.pdf >, acesso em: 09/12/2020.

PRADO, A. M. et al. COINOCULAÇÃO DA SOJA COM Bradyrhizobium E Azospirillum NA SAFRA 2018/2019 NO PARANÁ. Embrapa, Circular Técnica, n. 156, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1117312/1/Circtec156.pdf >, acesso em: 09/12/2020.

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