Dentre os fatores limitantes da produtividade da soja, a disponibilidade hídrica é um dos mais importantes, estando presente em diversos processos metabólicos e fisiológicos do crescimento e desenvolvimento vegetal. Segundo Monteiro (2009), para o processo germinativo, uma sementes necessita absorver cerca de 50% do seu peso em água, entretanto, a água está presente em todo o ciclo de desenvolvimento da planta podendo corresponder a até 90% do seu peso verde, dependendo da espécie.

Um dos principais fatores que governam a absorção de água é a evapotranspiração da cultura. A medida em que a água é transpirada e liberada no dossel da cultura, uma diferença de potencial é criada no interior da planta, o que governa a absorção de água pelo sistema radicular. A água é absorvida pelas raízes da planta, sendo transportada por via simplastica, apoplastica ou transmembrana, chegando até o xilema que a conduz para o restante da planta.



Na cultura da soja, a maior evapotranspiração é observada no período reprodutivo, onde há uma maior necessidade hídrica para a formação de flores e frutos, sendo assim, nesse período há uma maior sensibilidade da cultura a períodos de déficit hídrico, podendo esse reduzir ou comprometer a produtividade da soja dependendo da intensidade e duração.

Figura 1. Evapotranspiração (ET) da soja em diferentes estádios do seu desenvolvimento.

Fonte: Monteiro (2009).

Tendo em vista que a maior demanda hídrica da soja ocorre nos períodos reprodutivos da cultura e que e deficiência hídrica nesses períodos pode interferir negativamente na produtividade da soja, é fundamental pensar em estratégias que permitam minimizar as perdas de água do solo e aumentar a disponibilidade hídrica para as plantas especialmente em cultivos de sequeiro.

O solo é o principal meio para o armazenamento de água, servindo como “uma imensa caixa d’água” onde a água proveniente da chuva infiltra e fica armazenada nos microporos do solo. A retenção de água no solo varia de acordo com suas características físicas, mais especificamente a quantidade de microporos, solos argilosos tendem a reter mais água que solos arenosos.

Entretanto, aumentar a disponibilidade hídrica de um solo não depende especificamente das características físicas do mesmo, sendo possível a adoção de práticas de manejo que contribuam para o aumento da infiltração de água no sono e diminuição das perdas da água armazenada.

Assim como os microporos, os macroporos do solo exercem função essencial na disponibilidade hídrica. Solos compactados ou com baixo volume de macroporos tentem a apresentar baixa taxa de infiltração de água, por consequência, na ocorrência de chuvas torrenciais um grande volume de água que deveria infiltrar no perfil do solo, escoa sobre sua superfície resultando em um baixo volume de água infiltrada e armazenada. Cabe destacar que os responsáveis pela armazenamento de água no solo não os microporos e não os macroporos.

Sendo assim, adotar um manejo que contribua para melhorias estruturais do solo é uma forma de aumentar a infiltração de água em seu perfil e com isso a disponibilidade de água para as plantas. Outro fator interessante está relacionado a evaporação da água no solo.

Sabe-se que evapotranspiração de uma cultura está relacionada com a transpiração das plantas e a evaporação da água no solo, sendo assim, reduzir a evaporação da água no solo é uma das maneiras de diminuir a evapotranspiração e aumentar a disponibilidade de água no solo. Dentre os fatores disponíveis para isso, destaca-se o uso de plantas de cobertura e/ou culturas com capacidade de produzir elevada quantidade de matéria seca para cobertura do solo.

A cobertura do solo com palhada altera o fluxo de calor no solo, reduzindo sua temperatura e consequentemente a evaporação de água. O ar presente entre a palhada e o solo atua como um mal condutor térmico, diminuindo a amplitude térmica do solo, o que acarretando em melhores condições térmicas para o crescimento e desenvolvimento vegetal, além de diminuir a perda de água para a atmosfera por meio da evaporação.

Figura 2. Temperatura diária horária do solo na profundidade de 2cm em três condições de cobertura do solo onde:  Nu.2 = solo nu, C1.2 = 4000 kg.ha-1 de palhada de aveia-preta e C2.2 = 8000 kg.ha-1 de palhada de aveia-preta. Cascavel, PR, 21/03/2002.

Adaptado: Gasparim et al. (2005).

Outra importante ferramenta na busca por maximizar os recursos hídricos para a soja é o controle eficiente das plantas daninhas. Assim como as plantas cultivas, as plantas daninhas também transpiram e consome água, dessa forma, a presença de plantas daninhas pode acarretar no uso de recursos destinados à soja, além de consumir a água armazenada no solo, as plantas daninhas também competem com a soja por nutrientes do solo e radiação solar utilizando de recursos que deveriam ser destinados a cultura.

Sendo assim, o aumento da disponibilidade hídrica para a cultura da soja depende de uma série de fatores que quando manejados de forma conjunta podem promover o aumento da infiltração de água no solo, e minimizar as perdas por evaporação. A cobertura do solo desempenha papel fundamental na redução da sua temperatura, proporcionando além da redução da evaporação da água no solo, condições térmicas adequadas ao crescimento e desenvolvimento vegetal.


Veja também:  Evapotranspiração padrão e real da cultura da soja


Referências:

GASPARIM, E. et al. TEMPERATURA NO PERFIL DO SOLO UTILIZANDO DUAS DENSIDADES DE COBERTURA E SOLO NU. Maringá, v. 27, no. 1, p. 107-115, 2005

MONTEIRO, B. A. AGROMETEOROLOGIA DOS CULTIVOS: O FATOR METEOROLOGICO NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA. INMET, 2009.

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