O cultivo de soja no Brasil evolui constantemente com tecnologia em tratamento de sementes, aplicação de insumos e combate às pragas e doenças. No entanto, essa evolução no cultivo da oleaginosa gerou um aumento na ocorrência de diversas pragas, algumas delas em decorrência da monocultura e pelos sistemas de cultivo. Dentre estas, encontra-se a espécie Sternechus subsignatus, conhecida como tamanduá-da-soja ou bicudo-da-soja (Figura 1). Considerada de difícil controle, essa praga vem ganhando espaços de discussão pelos danos que tem causado às lavouras de soja no Brasil.

Figura 1. Adulto de Sternechus subsignatus

Fonte: J. J. da Silva. Confira a imagem original clicando aqui;

O tamanduá-da-soja encontra-se ativo nas lavouras de soja desde os estágios iniciais de desenvolvimento das plantas até a colheita. O inseto passa por um estágio de latência no solo, quando as plantas de soja não estão disponíveis. Antes da colheita, as larvas vão para o solo e entram em hibernação, ficando protegidas em câmaras entre as partículas do solo. Após um longo período de latência, os adultos emergem gradualmente do solo.

As larvas e adultos se alimentam dos tecidos frágeis do caule, geralmente durante os estágios vegetativos iniciais. As fêmeas cortam os pecíolos das folhas e circundam o caule para deixar seus ovos próximos ao tecido afetado (anelamento), cobrindo-os com pedaços de fibras e fragmentos de tecido vegetal (Figura 2). Após a eclosão dos ovos, as larvas penetram no caule e se alimentam do tecido interno. À medida que as larvas crescem, o interior do caule é danificado e uma galha se forma na parte circundada do caule.

Na fase adulta, o inseto raspa o caule das plantas de soja para se alimentar e suga a seiva, gerando deficiências ou interrupção da condução de seiva desde o ponto atingido até o ápice da planta. Já na fase reprodutiva da cultura, há menor risco de morte de plantas; porém, dependendo da intensidade do ataque, pode ocorrer a morte dos tecidos do local do dano até o ápice.

Figura 2. Região do anelamento por tamanduá-da-soja

Fonte: CAMPO, C. B. H. Confira a imagem original clicando aqui;

Quando as larvas eclodem, permanecem próximas ao local, consumindo todo o conteúdo do tecido vegetal (Figura 3). Isso leva à formação de galhas caulinares, sintomas típicos de ataque do tamanduá-da-soja. Essas galhas caulinares aumentam de tamanho conforme as larvas se desenvolvem e, muitas vezes, ultrapassam o diâmetro das hastes ou dos ramos. Por serem canibais, é muito difícil encontrar mais de uma larva por galha. Por isso, as galhas ficam espalhadas pela planta, dando proteção e condições para esses insetos se desenvolverem até o momento da hibernação.

Figura 3. Larva de tamanduá-da-soja se alimentando

Fonte: Plantix. Confira a imagem original clicando aqui 

Foto: Inta Argentina
Foto: Inta Argentina

Segundo especialistas, com o desenvolvimento das galhas ocorre a interrupção da circulação da seiva, fazendo com que a planta de soja perca até um terço de sua produção em relação às plantas sadias. Os ataques normalmente acontecem em reboleiras e são mais intensos em áreas de plantio direto, justamente por este sistema de cultivo fornecer as condições ideais (palhada) para os insetos se manterem no solo durante o período de entressafra.

Considerações finais

Alguns insetos que antes eram pragas secundárias estão se tornando mais preocupantes para o sojicultor. Esse é o caso do tamanduá-da-soja, que nos últimos anos se tornou uma praga recorrente em diversas lavouras brasileiras. Visto que sob elevadas populações do inseto ocorrem danos à gema apical das plantas (estrutura responsável pelo crescimento da soja) ou corte do caule na planta recém-emergida, o ataque da praga resulta em declínio no estande da lavoura e necessidade de replante.

Assim, o manejo dessa praga, especialmente em áreas onde há histórico de ocorrência, deve ser planejado antes da semeadura, considerando o sistema de produção como um todo. Além das alternativas de manejo, é importante adotar práticas que contribuam para o bom desenvolvimento da cultura, pois plantas sadias são mais tolerantes a esse tipo de praga.

Elaboração do texto: Rael Adams, estudante do Curso de Agronomia na UFSM e membro do grupo Manejo e Genética de Pragas/UFSM

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM



REFERÊNCIAS

Bicudo-da-soja. Plantix. Disponível em https://plantix.net/pt/library/plant-diseases/600100/soybean-stalk-weevil

CAMPO, C. B. H. Tamanduá-da-soja. Ageitec – Agência Embrapa de Informação Tecnológica. Disponível em http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/soja/arvore/CONT000fznzu9ia02wx5ok0cpoo6a8xvfq6k.html

CAMPO, C. B. H., CORSO, I. C., OLIVEIRA, L. J. Deu Tamanduá na Soja. Revista Cultivar. Maio de 2011. Disponível em https://www.grupocultivar.com.br/artigos/deu-tamandua-na-soja

OLIVEIRA, L. J., CAMPO, C. B. H. Alternativas para manejo de corós e do tamanduá-da-soja. Embrapa. Disponível em https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Repositorio/oliveiral.j._000g4vexkz802wx5ok0dkla0ssbg4zbo.pdf

Pragas iniciais na cultura da soja. Cotrisoja. 2017. Disponível em http://www.cotrisoja.com.br/pragas-iniciais-na-cultura-da-soja/

Tamanduá da soja causa danos a lavouras brasileiras. Canal Rural. 27 de nov. de 2013. Disponível em https://www.canalrural.com.br/noticias/tamandua-soja-causa-danos-lavouras-brasileiras-25760/

Tamanduá da soja – o ciclo de vida destinado a prejudicar sua lavoura. AgroPrecision. Publicado em 2019. Disponível em https://www.agroprecision.com.br/tamandua-da-soja-o-ciclo-de-vida-destinado-a-prejudicar-sua-lavoura/

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