Dentre os aspectos da produção agrícola que o produtor não controla está o preço que irá receber por seu produto, que é determinado pelo mercado. Para as commodities agrícolas a formação dos preços pagos aos produtores ocorre de fora para dentro, ou seja, baseiam-se na cotação dos produtos nas bolsas de mercadorias e futuros internacionais. A principal referência para os grãos soja, milho e trigo é a Bolsa de Chicago que refletem as oscilações do mercado americano.

As variações diárias do mercado ocorrem em função, principalmente, de fatores fundamentalistas deslocadores de oferta e demanda. Dentre estes fatores estão dados de produção e área plantada, dados de exportação e importação e consumo das commodities, dentre outros.

Neste contexto, as variações na oferta e demanda dos principais produtores, exportadores e importadores mundiais afetam o comportamento dos preços em nosso mercado interno, lembrando que o Brasil tem papel de destaque neste contexto, conforme gráficos abaixo.

Cada um destes mercados, no entanto, tem suas peculiaridades. A relação entre os preços internacionais nem sempre é tão perfeita para milho, uma vez que a grande demanda interna (que supera a exportação) muitas vezes provoca descolamento no comportamento dos preços.

Já para o trigo temos a predominância de um mercado mais regionalizado no âmbito do Mercosul, pois importamos 58% do que consumimos e 85% destas, quase 7 milhões de toneladas, são fornecidas pela Argentina. Desta forma, o país vizinho interfere diretamente nos preços em nosso mercado, bem como Paraguai e Uruguai, em menor escala.

A sequência de gráficos a seguir mostra a correlação positiva entre os preços no mercado físico do Paraná e os preços no mercado futuro da Bolsa de Chicago, o que significa que ambos se movem juntos. A correlação mais perfeita ocorre para a soja e a pior para o trigo, retratando exatamente as peculiaridades detalhadas anteriormente.

PARIDADE DE EXPORTAÇÃO DA SOJA

Esta relação entre mercado futuro e físico permite calcular a paridade de exportação para soja e milho, que nada mais é do que o cálculo do valor que o produtor deverá receber na sua região de produção. Basicamente, o cálculo da paridade de exportação consiste em tomar como base a cotação na Bolsa, somar o prêmio de exportação e deduzir alguns fatores, tais como: despesas de exportação e frete.

Prêmio de exportação:

• É o maior valor que o importador pode pagar pela soja, e é definido através da negociação entre exportadores e importadores, podendo ser positivo (ágio sobre a cotação de Chicago) ou negativo (deságio).

• O prêmio relaciona o valor da Bolsa de Chicago com o mercado local, uma vez que Chicago reflete essencialmente o mercado americano.

• O cálculo do valor do prêmio ocorre de traz para frente, ou seja, a partir do preço do derivado posto na indústria esmagadora do país de destino, em equivalente grão. Deste valor são deduzidos todos os custos para levar o produto até a indústria, desde o porto de origem. Além disso, influenciam o valor do prêmio a oferta e demanda do produto, câmbio, dentre outros fatores que também afetam as cotações do grão.



Despesas de exportação:

• Consistem em despesas portuárias e as taxas de corretagem e comissões envolvidas na comercialização.

Frete:

• É o custo para transportar o grão da região produtora até o porto de exportação, seja qual for o modal escolhido. Como o custo do frete varia entre as regiões, os preços também são diferentes. Desta forma, o valor calculado pela paridade de exportação é menor quanto maior a distância do porto. Por isso que o preço pago ao produtor será sempre menor em Cascavel do que em Ponta Grossa, por exemplo.

O preço final, posto em Cascavel, corresponde ao valor que o produtor recebe do comprador pelo seu produto no dia. Este cálculo não contempla eventuais custos de armazenagem entre outros que possam existir entre comprador e vendedor. Também pode haver alguma pequena variação deste valor para mais ou para menos, dependendo de outros custos envolvidos.

Fonte: FAEP

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