O presente trabalho tem como objetivo quantificar os componentes primários de rendimento da cultura da soja, visando altas produtividades em terras baixas.

Autores: Giovani Antonello Barcellos1 Alencar Junior Zanon1 ;Eduardo Lago Tagliapietra1 ;Gean Leonardo Richter1 ;Patric Escolari Weber1 ;Thiago Schmitz Marques da Rocha1 ;Eduardo Daniel FriederichJossana Ceolin Cera1 Luiza Brum Rodrigues1 Érica Liane Puntel1 Kainã da Rosa Cavalheiro2 e Pedro Henrique Christensen Bagati2.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Considerada como um dos carros chefes da agricultura mundial, a cultura da soja tem como principais líderes de produção: Estados Unidos, Brasil, Argentina, China, Índia e Paraguai (EMBRAPA, 2018). Os Estados Unidos é o maior produtor do mundo com 36 milhões de hectares de soja e produção de 119,5 milhões de toneladas, seguido do Brasil com 35 milhões de hectares e produção de 117 milhões de toneladas (EMBRAPA, 2018).

No Brasil, o estado do Mato Grosso é o maior produtor de soja com área de aproximadamente 9,5 milhões de hectares, produzindo 31,887 milhões de toneladas. Os estados do Paraná e Rio Grande do Sul seguem atrás da região Centro Oeste na produção de soja, atingindo 5,4 milhões de hectares e 19,070 milhões de toneladas de produção e 5,6 milhões de hectares com produção de quase 17 toneladas, respectivamente (CONAB, 2018). Além da grande comercialização, a cultura da soja tem outro grande benefício para agricultura do ponto de vista técnico. Uma vez que, pode ser incrementada no sistema de rotação de culturas, especialmente com a cultura do arroz irrigado, em terras baixas. Visto que o cultivo da soja em áreas orizícolas pode amenizar a pressão e incidência de plantas daninhas que competem e causam perdas significativas de produtividade na cultura do arroz irrigado a cada safra (IRGA, 2017).

Nesse contexto, para almejar altas produtividades na cultura da soja é necessário o entendimento do potencial genético, grupo de maturidade relativa e épocas de semeaduras mais adequadas às cultivares, conforme a região em que serão semeadas (SEDYAMA et al., 2015). A partir disso, visando maximizar a produtividade de grãos é necessário o entendimento dos componentes de produtividade, para adequar o manejo da cultura conforme a cultivar para determinado ambiente.

Os componentes de rendimento são classificados em primários e secundários. Os componentes primários (número de legumes/planta, número de grãos/legume e peso de grãos) são aqueles que influenciam diretamente a produtividade da cultura. Enquanto que componentes secundários são altura de plantas, altura de inserção do primeiro legume, número final de nós e número de ramificações, sendo que estes afetam indiretamente na produtividade com efeito nos componentes primários (MUNDSTOCK & THOMAS, 2005).

Assim, o presente trabalho tem como objetivo quantificar os componentes primários de rendimento da cultura da soja, visando altas produtividades em terras baixas.

Este trabalho fez parte do Projeto Bioclimático de soja que visa sistemas integrados de produção em solos de regiões orizícolas, para aumento da sustentabilidade das atividades agrícolas. O experimento foi conduzido em Santa Maria – RS, na área experimental da empresa AGRUM, durante o ano agrícola 2017/2018. O clima é classificado como cfa segundo a classificação de Kopen. Utilizou-se cinco cultivares com diferentes grupos de maturidade relativa, e três épocas de semeadura (Tabela 1).

As sementes foram inoculadas e tratadas com fungicidas e inseticidas. As aplicações de defensivos foram realizadas conforme as recomendações técnicas da cultura. Utilizaram-se blocos ao acaso como delineamento experimental. As parcelas continham quatro linhas com cinco metros de comprimento e espaçamento de 0,5 metros entre fileiras com densidade de plantas de 30 plantas/m².

Tabela 1. Cultivares, grupo e tipos de crescimento e datas de semeadura que foram utilizadas durante o experimento.

Após a emissão do primeiro par de folias unifoliadas, marcaram-se oito plantas aleatoriamente nas parcelas do experimento. As avaliações de fenologia seguiram a escala de Fehr e Cavines (1977). Quando as plantas atingiram a maturidade fisiologia ou ponto de colheita (R8), avaliaram-se os componentes primários de rendimento: número de grãos por legumes, número de legumes m-1, peso de mil grãos e número de plantas -2.

A partir disso, pode-se inferir que as cultivares semeadas em outubro, apresentaram resultados de 116 sacos ha-1 (7 Mg ha-1), sendo um valor maior em relação às outras épocas de novembro e janeiro, 67 sacos ha-1(4 Mg ha-1) e 25 sacos ha-1 (1,5 Mg ha-1), respectivamente (Tabela 2). Na época 1, as cultivares BMX ÍCONE IPRO (GMR 6.8) e TEC 7849 IPRO (GMR 7.8) atingiram produtividades de 6 Mg ha-1 e 5 Mg ha-1, respectivamente, sendo um período adequado para as cultivares maximizarem a produtividade.

As cultivares da época 3 apresentaram produtividades de 1,5 Mg ha-1, sendo a época de semeadura um fator limitante de produtividade devido à duração do fotoperíodo ser reduzido durante a fase vegetativa da cultura, nas semeaduras tardias ou precoces (ZANON et al., 2015).

Os componentes de rendimento podem elevar o patamar produtivo das lavouras, porém, quando um componente tem incremento de produtividade, os outros tendem a não manter o mesmo padrão (ADAMS & GRAFIUS, 1970). O número de legumes área-1 e peso de grãos, são componentes que dependem do ambiente e genética das cultivares para altas produtividades, apresentando variações conforme a densidade de plantas (Ritchie et al., 1994).

Nas semeaduras de outubro, o valor médio de 1.831 legumes m²-1 (Tabela 2),apresentou diferença considerável comparada às semeaduras de novembro. Nesse caso, a cultivar BMX ÍCONE IPRO GMR 6.8, teve 1.841 legumes m² -1, obtendo o maior resultado entre as demais cultivares da época 1. Visto que, com 1.950 legumes m² -1 pode-se atingir altas produtividades (WEBER, 2017).


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O número de grãos legume-1 e peso de mil grãos entre as duas primeiras épocas mostraram diferenças mínimas, com valores médios, respectivamente, de 2,34 grãos legume-1 e 163 gramas (peso de mil grãos) (Tabela 2). O valor de 190 g (peso de mil grãos) permite atingir altos patamares produtivos, no entanto, fatores abióticos, danos bióticos e estresses hídricos na fase reprodutiva, reduzem o peso e qualidade do grão (WEBER, 2017). O número de grãos legume-1, não tende em apresentar variações, com média de dois a três grãos legumes-1 (MUNDSTOCK & THOMAS, 2005). Sendo valores de dois grãos legume-1, adequados para altas produtividades (WEBER, 2017). Na época 3, as cultivares apresentaram números médios de 2,09 grãos legume-1, em contrapartida, o número de legumes m²-1 e peso de mil grãos tiveram valores de 577 legumes m² -1 e 124 g (peso de mil grãos) (Tabela 2), respectivamente, estando bem abaixo dos valores das épocas 1 e 2. As produtividades das cultivares nas épocas de semeadura variaram de 1,4 Mg ha-1 até 7 Mg ha-1. A época 1 (05/10) apresentou maiores valores de legumes/m², apesar dos demais componentes de rendimento estarem semelhantes aos componentes da época 2 (30/11), que teve número de legumes/m² ainda baixos para altas produtividades. Sendo que na época 3, os componentes primários de rendimento tiveram valores muito abaixo do ideal.

Tabela 2. Valores médios e relações dos dados obtidos das épocas de semeadura, componentes primários de rendimento e produtividades em terras baixas.

Tomando como base a época 1 e 2, semeadas em outubro e novembro, dentro do período recomendado, teríamos como valores médios de componentes de rendimento os seguintes dados: 2,36 grãos por legume e 1424 legumes por m², o que corresponde a 3381 grãos por m² ou 33807868.67 grãos por hectare, com um peso médio de 163 gramas, teríamos 5505.82 kg há-1 ou ainda 91.8 sacas de soja por hectare.

Em suma, o trabalho mostra que os componentes de rendimento afetaram a produtividade final, em terras baixas, uma vez que os valores variaram conforme as épocas de semeadura. Sendo a primeira época (outubro) que obteve maior número de legumes m²-1 e produtividade ha-1 comparado às demais épocas, enquanto que semeaduras tardias não mostraram resultados significativos dos componentes de rendimento e tiveram baixas produtividades.

Referências

ADAMS, M. W.; GRAFIUS, J. E. Yield component compensation – alternative interpretations. Crop Science, v. 11, p.33-35. 1970.

EMBRAPA. Soja: Dados Econômicos. 2018. Disponível em: https://www.embrapa.br.web/portal/soja/cultivos/soja1/dados-economicos. Acesso em: 03 de junho de 2018.

FEHR, W.R.; CAVINESS, C.E. Stages of soybean development. Ames: Iowa State University of Science and Technology, 1977. 15p. (Special Report, 80).

MUNDSTOCK, C. M.; THOMAS, A. L. Soja: Fatores que afetam o crescimento e o rendimento de grãos. UFRGS, 2005. Disponível em: www.ufrgs.br/agronomia/plantas/destaques/livro_soja.php> Acesso em: 05 de junho de 2018.

RICHTER, S. W. et al. How a soybean plant develops. Ames: Iowa State University of Science and Technology: Cooperative extension, service, 1994. 20p. (Special Report, 53).

WEBER, P. S. Componentes de rendimento e grupo de maturidade relativa que influenciam o potencial de produtividade. 2017. 34p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Agronomia). Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, 2017.

ZANON, A. J. et al. Ecofisiologia da Soja Visando Altas Produtividades. UFSM, 2018.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Avenida Roraima número 1000, CEP 97105-900 Santa Maria.

2Instituto Federal Farroupilha Campus Santo Ângelo – RS, Brasil.

Disponível em: Anais da 42ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, Três de Maio – RS, Brasil, 2018.

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