As cotações do trigo continuaram caindo em boa parte desta semana, chegando a bater em US$ 4,98/bushel, algo que não era visto desde o início de outubro. Posteriormente houve uma boa recuperação, com fechamento desta quinta-feira (19) ficando em US$ 5,35/bushel, contra US$ 5,08 uma semana antes.

O coronavírus é o elemento central no mundo na atualidade e, portanto, nos mercados agropecuários. Com isso, o trigo igualmente vem sendo atingido em Chicago.

Neste sentido, as vendas líquidas de trigo por parte dos EUA, na semana encerrada em 5 de março, atingiram a 452.300 toneladas, o que representa um recuo de 6% sobre a média das quatro semanas anteriores. Já as inspeções de exportação ficaram em 449.653 toneladas na semana encerrada em 12/03, atingindo um pouco menos do que o mercado esperava.

Na Argentina o preço FOB da tonelada de trigo ficou em US$ 234,00 para entrega em março. Diante do atual câmbio no Brasil, esta tonelada chega aos moinhos paulistas, na atualidade, a R$ 1.390,00 e em Curitiba a R$ 1.300,00. Assim, continua havendo espaço para altas de preços junto ao produto brasileiro. Para junho, o preço na Argentina é de US$ 243,00/tonelada e para novembro US$ 210,00.

No Brasil, os preços do cereal se mantiveram relativamente estáveis, porém, elevados. A média gaúcha no balcão fechou a semana em R$ 44,96/saco, enquanto no Paraná o balcão ficou entre R$ 52,00 e R$ 55,00 e em Santa Catarina entre R$ 47,00 e R$ 48,00. Já nos lotes, o Rio Grande do Sul manteve o valor de R$ 52,80/saco, enquanto no Paraná os mesmos ficaram entre R$ 60,00 e R$ 63,00, e na região catarinense de Campos Novos em R$ 54,00/saco.

Diante da falta mais significativa de produto de qualidade no Brasil, as importações continuam, mesmo com o Real altamente desvalorizado. Mais 500.000 toneladas teriam sido compradas no exterior neste mês de março.

Tais compras têm abastecido os moinhos nacionais fato que segura parcialmente os preços no Brasil. Porém, a escassez de oferta interna é grande e daqui 30 a 40 dias estes moinhos terão que recorrer ao pouco que resta do trigo brasileiro. Especialmente porque a disponibilidade de trigo na Argentina, para exportação, já está bastante reduzida.

Desta forma, os preços do trigo no Brasil deverão permanecer com viés altista até a próxima colheita, que se inicia em setembro pelo Paraná. Lembrando que, em havendo uma revalorização do Real nos próximos meses, o preço externo fica mais competitivo e forçará uma baixa de preços junto ao trigo nacional.


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CEEMA

Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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