Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

As cotações do trigo em Chicago, que pouco se movimentaram durante esta semana, após o relatório do USDA do dia 10/12 (quinta-feira) fecharam este dia em alta, atingindo a US$ 5,90/bushel, contra US$ 5,71 uma semana antes. A média de novembro ficou em US$ 5,98/bushel, registrando um recuo de 1,3% sobre a média de outubro.

O relatório do governo estadunidense, para o ano 2020/21, apontou os seguintes números para o trigo:

  1. A produção dos EUA ficou mantida em 49,7 milhões de toneladas;
  2. Os estoques finais estadunidenses ficaram em 23,4 milhões de toneladas, sem grandes mudanças em relação ao mês anterior;
  3. A produção mundial foi aumentada para 773,7 milhões de toneladas, com ganho de cerca de um milhão de toneladas sobre o mês anterior;
  4. Os estoques finais mundiais recuam para 316,5 milhões de toneladas;
  5. A produção da Argentina foi mantida em 18 milhões de toneladas (lembrando que os argentinos apontam 16 milhões);
  6. A produção do Brasil foi reduzida para 6,3 milhões de toneladas, enquanto as importações nacionais foram mantidas em 6,7 milhões;
  7. O preço médio pago ao produtor de trigo dos EUA foi mantido em US$ 4,70/bushel.

Por outro lado, os EUA embarcaram 530.781 toneladas de trigo na semana anterior, ficando dentro das expectativas do mercado. O volume total embarcado no atual ano comercial chega a 13,5 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 3% sobre o ano passado.



Já no Brasil, os preços voltaram a recuar, com a média gaúcha ficando em R$ 70,79/saco, enquanto as praças de referência fecharam em R$ 70,00, contra R$ 67,00/saco no Paraná.

Segundo o Cepea/Esalq, entre os dias 30/11 e 07/12 os preços do trigo no mercado disponível (negociação entre empresas) recuaram 0,3% no Rio Grande do Sul e 0,74% no Paraná, com a tonelada tendo iniciado a presente semana em R$ 1.297,04 no Estado gaúcho e R$ 1.324,25 no Paraná. Com a colheita concluída, a entrada da nova safra continua pressionando os preços internos, mesmo que tal colheita tenha sofrido quebras importantes em muitas regiões.

Ao mesmo tempo, a revalorização do Real torna o trigo importado cada vez mais competitivo, puxando para baixo os preços locais. Com isso, muitos produtores passaram a vender o produto novo, fazendo mais pressão baixista sobre os preços nacionais. E o avanço da colheita na Argentina auxilia na maior oferta regional do produto. Enfim, muitos moinhos, já abastecidos, diminuem suas operações no final do ano, saindo do mercado.

Enfim, a Câmara Setorial do Trigo do RS se reuniu nesta semana e definiu que, apesar das quebras, a safra gaúcha pode chegar entre 2,3 a 2,5 milhões de toneladas, número que deverá ser ainda confirmado. Mas se isso ocorrer, a oferta do produto aumenta, pois o esperado, após as intempéries, seria uma produção de 2 milhões de toneladas. Ou seja, haveria aí mais um motivo para baixar os preços do cereal nas próximas semanas.

Por sua vez, espera-se que no próximo ano haja novo aumento da área semeada, com a mesma podendo chegar a um milhão de hectares, fato que não ocorre desde 2014 no Estado. Mas isso dependerá da disponibilidade de crédito rural e do interesse dos produtores, após mais uma safra atingida pelas intempéries, apesar de os preços terem sido excelentes, fato que está longe de se repetir, em tendência, na safra de 2021.


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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