Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

As cotações do trigo em Chicago chegaram a bater em US$ 6,11/bushel durante a semana, porém, recuaram para US$ 5,88 na quarta-feira (25), véspera do feriado de Ação de Graças nos EUA. Com isso, o fechamento da semana ficou abaixo dos US$ 5,91/bushel registrado uma semana antes.

No cenário internacional, tem-se que o trigo de inverno nos EUA está todo semeado, sendo que no dia 22/11 as condições destas lavouras chegavam a 21% entre ruins a muito ruins, 36% regulares e 43% entre boas a excelentes.

Vale também registrar que a China está importando trigo, situação não muito comum, tendo acumulado no corrente ano um aumento de 164% sobre o total comprado em 2019, atingindo um volume de 4,02 milhões de toneladas no corrente ano.

Já no Brasil, os preços estacionaram e até recuaram, com a média gaúcha fechando a semana em R$ 73,31/saco, enquanto nas praças de referência gaúchas o saco caiu para R$ 70,00. No Paraná o produto ficou entre R$ 74,00 e R$ 76,00/saco.

A colheita estando finalizada, as atenções se voltam à comercialização do cereal no Brasil. No Paraná, as negociações entre empresas, até o dia 23/11, apontavam um valor de R$ 1.421,41/tonelada, ou seja, 10,8% acima do registrado em outubro. No Rio Grande do Sul tal média atingia a R$ 1.438,33/tonelada, com 18,2% acima do registrado em outubro. Com isso, o Estado gaúcho volta a registrar valores superiores aos do Paraná. É um cenário atípico, porém, compreensível diante das maiores perdas ocorridas no Rio Grande do Sul. (cf. Cepea)



Espera-se que parte, mesmo que pequena, das perdas no sul do país sejam compensadas pela produção de trigo nas regiões quentes brasileiras, particularmente no Brasil Central.

Por sua vez, a revalorização do Real deixa o trigo importado um pouco mais barato, fato que ajuda a forçar as baixas nos preços internos. Mesmo assim, a tendência é ainda de preços firmes, mesmo que menores do que os atuais, para o trigo nacional no primeiro semestre de 2021. Não se pode esquecer igualmente que a Argentina também contabiliza perdas expressivas em sua safra atual de trigo (cerca de 5 milhões de toneladas em relação ao previsto inicialmente).

Do ponto de vista da indústria moageira brasileira, a possibilidade de preços elevados no primeiro semestre do próximo ano preocupa, pois a mesma já teria enfrentado um aumento de custos de 60% ao longo de 2020, pela alta da matéria-prima e devido ao câmbio, e que ainda não conseguiu repassar parte destes custos ao consumidor final.


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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