Na fase quatro da cultura do algodoeiro, é o momento, quando flores vermelhas e brancas se apresentam no ponteiro, que a lavoura de algodão encerra seu ciclo reprodutivo e inicia a maturação das maçãs. Essa etapa compreende o Cut out que, traduzido para o português, significa corte, ou seja, corte do desenvolvimento reprodutivo, dando início à maturação das maçãs e abertura dos capulhos.

Estamos na reta final da cultura, mas antes das práticas que antecedem a colheita, o produtor precisa dar muita atenção para o manejo de pragas e doenças e para as condições climáticas, como temperatura do ambiente, luminosidade e umidade.

Confira as dicas para favorecer ao máximo a produtividade do algodão e a qualidade da fibra.

A saúde das plantas de algodão

Apesar do início da abertura dos primeiros capulhos, ainda temos muitas maçãs que precisam de fotoassimilados para ganhar peso, e a produção desse insumo é de responsabilidade das folhas. Por isso, a planta precisa estar saudável nessa fase da lavoura. Quanto mais protegermos as estruturas foliares do algodoeiro, melhor será o resultado na hora da colheita.

Sendo assim, o foco agora deve ser voltado ao manejo de doenças e pragas específicas. Saiba quais são elas.

Manejo de doenças do algodoeiro

A principal doença que precisa ser monitorada e manejada com excelência após o cut out do algodoeiro é a ramulária (Ramularia areola).

A ramulária

De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a ramulária é uma doença causada pelo fungo Ramularia areola e está presente em todas as regiões produtoras de algodão do mundo. No Brasil, a doença é considerada uma das principais responsáveis pelo aumento dos custos de produção do algodão, ao lado das lagartas e do bicudo-do-algodoeiro.

A ramulária também é conhecida como míldio, falso oídio, mancha branca ou mancha de ramulária.

O fungo pode sobreviver em soqueiras remanescentes de destruição inadequada e em plantas de algodão perene. Sendo assim, o próprio cultivo repetitivo do algodoeiro ou cultivo próximo de tigueras de algodão podem contribuir como ponto primário para a inoculação da doença.

As condições ideais para o surgimento do fungo são:

  • Ambiente com temperatura de 25°C a 30°C.
  • Umidade relativa acima de 80%.

Danos da ramulária

O fungo provoca a formação de manchas com característica angulosa e tamanho que varia de um a quatro milímetros nas folhas do algodoeiro, limitando-se às nervuras das folhas. A ocorrência do fungo é facilmente identificada na face superior da folha.

A cor das manchas pode ser branca ou acinzentada, com aparência pulverulenta em ambos os casos, caracterizada pela esporulação do fungo. A doença também pode afetar as maçãs do baixeiro, causando podridão.

Impactos da ramulária na estrutura do algodoeiro

Após a esporulação, a estrutura infestada passa a perder área foliar. Com o tempo, a intensidade da lesão aumenta, mudando sua cor para marrom. Daí em diante, a planta começa a perder capacidade fotossintética, podendo chegar a sofrer um tipo de desfolha involuntária. Em casos mais severos, as maçãs mais próximas do baixeiro podem apodrecer.

O impacto direto da doença na cultura é a redução de produtividade, por inviabilizar o desenvolvimento da planta nas fases finais da cultura.

Para se ter ideia, em lavouras com cultivares de algodão mais suscetíveis à doença, a redução de produtividade pode chegar a 75%. Na ausência do controle com fungicidas, o impacto negativo na produtividade pode chegar a 49% em relação a áreas que recebem o manejo adequado, composto por três aplicações de fungicidas triazóis e estrobirulinas.

Manejo da ramulária

O manejo da ramulária deve ser integrado, considerando os seguintes fatores:

  • Monitoramento da doença
    • Aplicações de fungicidas podem controlar a doença com eficiência, desde que sejam realizadas logo quando surgirem os primeiros sintomas.
  • Boa destruição de soqueiras
    • Tigueras de algodão são fonte de inóculo da doença, que pode se espalhar pela lavoura durante safras sucessoras.
  • Cultivares tolerantes
    • É preciso conhecer muito bem as condições climáticas de onde será instalada a cultura para escolher cultivares com características mais adequadas e, se possível, com maior tolerância à doença.
  • Rotação de fungicidas
    • Fungicidas dos grupos dos triazóis e estrobirulinas devem ser rotacionados para evitar o desenvolvimento da resistência do patógeno.


Manejo de pragas do algodoeiro

bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), o pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii) e o ácaro rajado (Tetranychus urticae) são as principais pragas na fase quatro do algodoeiro. Ganham notoriedade nesse estágio porque, assim como a ramulária, são capazes de obstruir o desenvolvimento da planta com ataques nas estruturas foliares e nas estruturas reprodutivas.

Saiba quais são os danos causados por eles e como manejá-los.

O bicudo-do-algodoeiro

O impacto do bicudo é devastador quando não manejado corretamente. Graças à sua fama de praga altamente agressiva, o próprio mapa de produção algodoeira do Brasil se modificou.

O bicudo-do-algodoeiro é capaz de destruir até 70% da lavoura em uma única safra.

Esse inseto causa danos nos botões florais quando se alimenta em fase adulta ou larval. Os orifícios abertos com a alimentação e oviposição da praga adulta ocasionam o amarelecimento e a queda do botão, comprometendo a produção e a qualidade de pluma. Em altas infestações de bicudo-do-algodoeiro, costumam restar poucos capulhos e poucas maçãs viáveis.

Manejo do bicudo-do-algodoeiro

O manejo de bicudo é desafiador porque a aplicação de inseticidas possibilita apenas o controle dos insetos adultos que permanecem nos botões florais. Isso configura a praga como um alvo difícil de atingir com pulverizações. Além disso, o bicudo fica mais exposto nas horas mais ensolaradas e quentes do dia – período que não favorece a aplicação de inseticidas.

Com isso em mente, o manejo do bicudo deve integrar:

  •  Monitoramento constante
    • Ao encontrar de 3% a 5% de danos provocados pelo bicudo nas plantas (ponto de gatilho), é necessário realizar a aplicação.
  • Armadilhamento
    • É necessário instalar armadilhas. Assim é possível identificar a presença antecipada e manejar os bicudos que restaram no final da safra e monitorar a entrada dos bicudos no início da próxima safra.
  • Destruição de soqueiras e tigueras
    • Quanto menos hospedeiros o inseto tiver no campo, mais fácil é a missão de manter a praga abaixo do nível de dano econômico.
  • Inseticidas
    • Utilizar inseticidas registrados de diferentes grupos químicos e modos de ação em rotação para evitar a evolução de resistência da praga. Seguindo o monitoramento, as aplicações devem ocorrer de acordo com a necessidade da lavoura, mesmo na fase final do ciclo da cultura, com o objetivo de minimizar a reprodução do bicudo.

Uma boa tática de manejo deve se basear no monitoramento de pragas e no resultado do armadilhamento. Constatando presença da praga é necessário realizar as aplicações nos focos de presença ou preventivamente nas bordaduras. Se a lavoura estiver numa região com alta pressão de bicudo, deve ser realizada uma bateria de três aplicações espaçadas, em cinco dias cada, com foco no bicudo.

O ácaro rajado

O ácaro rajado é uma praga sugadora que ataca principalmente as folhas do ponteiro. Os danos causados nas plantas durante seu processo de alimentação ocorrem por meio do rompimento das células da epiderme das folhas atacadas, que ficam amareladas e têm sua capacidade de produção de fotoassimilados comprometida, o que impacta consequentemente na produtividade. Em infestações intensas, o ataque da praga pode causar até mesmo a desfolha da planta.

As condições favoráveis para a ocorrência dessa praga são:

  • Temperaturas médias em torno de 25°C a 28°C.
  • Clima mais seco, com baixa ocorrência de chuvas.

Manejo do ácaro rajado

A principal estratégia de manejo para o ácaro rajado tem sido o uso de inseticidas acaricidas. Para maior eficiência, é importante:

  • Monitoramento constante
    • É importante que as aplicações aconteçam no momento certo, ou seja, no início das infestações. A dose deve seguir a recomendação do fabricante.
  • Utilizar inseticidas específicos
    • O uso de inseticidas pouco seletivos reduz as populações de inimigos naturais presentes na lavoura e podem favorecer o aumento da infestação do ácaro.

O pulgão-do-algodoeiro

Os pulgões são insetos bem pequenos, com coloração que varia do amarelo-claro ao verde-escuro. Vivem sob as folhas e brotos novos das plantas, sugando a seiva.

O ataque do pulgão-do-algodoeiro pode provocar danos superiores a 30% na produtividade do algodão, além de danificar a qualidade da pluma nesta fase.

Essa praga causa danos diretos pela sua alimentação e impactos indiretos pela transmissão de viroses, como o vermelhão do algodoeiro e o mosaico-das-nervuras, que provoca amarelecimento das folhas em variedades susceptíveis. Além disso, o ataque desse inseto pode ser a porta de entrada para a fumagina, causada pelo fungo do gênero Capnodium sp, que compromete a fotossíntese da planta.

Quando os danos do inseto ocorrem durante a fase de abertura das maçãs, a consequência é o “algodão caramelizado”. Esse sintoma é uma característica da contaminação causada pelo pulgão na fibra do algodão, que impacta em redução de produtividade por inviabilizar ou inutilizar os capulhos abertos afetados.

A temperatura é considerada um fator determinante para o desenvolvimento do pulgão. A faixa de temperatura ideal para a ocorrência do inseto é entre 25°C e 30 °C, sendo que 27°C corresponde à condição ótima.

O manejo do pulgão-do-algodoeiro

Presente durante todo o ciclo da lavoura e em todas as regiões produtoras, a melhor estratégia de manejo para evitar a transmissão de doenças é o uso de cultivares resistentes ou tolerantes às doenças transmitidas pelo pulgão.

Especificamente na atual fase da cultura (fase quatro), o manejo químico é importante. A partir de um bom monitoramento para identificação do nível de dano econômico, a entrada com inseticidas é a principal ação de manejo para evitar danos que a praga causa na planta e nos capulhos abertos.

O manejo de pragas com Bollgard II RR Flex

Cotonicultores que adotam a tecnologia Bollgard II RR Flex contam com um reforço importante na execução do Manejo Integrado de Pragas (MIP). A biotecnologia protege a cultura do algodão contra o curuquerê-do-algodoeiro (Alabama argillacea), a lagarta rosada (Pectnophora gossypiela), a lagarta da maçã (Heliothis virescens) e a falsa-medideira (Chrysodeixis includens).

Bollgard II RR Flex também apresenta supressão dos complexos Helicoverpa spp e Spodoptera spp, além de melhorar e flexibilizar o manejo de plantas daninhas.

Importância da temperatura para a maturação das maçãs do algodoeiro

Em geral, essa fase dura de quatro a seis semanas e está diretamente relacionada à produtividade, disponibilidade de água e temperatura.

Nesse estágio, que acontece por volta de 90 a 100 dias após o plantio, cerca de 50% a 70% das maçãs da planta já estão formadas. Por outro lado, de 30% a 40% das maçãs ainda irão se formar e a temperatura pode afetar esse processo.

Baixas temperaturas na fase de maturação das maçãs geram fibras imaturas, pois reduzem a deposição de celulose na fibra e dificultam a abertura dos capulhos. O impacto é a produção de uma fibra não adequada para fiação, gerando prejuízo no momento da comercialização.

É importante considerar esse fator para poder projetar a produtividade de forma clara. No entanto, vale reforçar que lavouras que receberam um bom manejo ao longo do ciclo conseguem diluir problemas com a qualidade da fibra que venham ocorrer somente nesse momento. Daqui em diante começa o planejamento da colheita.

Fonte: Agro Bayer Brasil

Texto originalmente publicado em:
Agro Bayer Brasil
Autor: Bayer

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